Liderança e Gestão

Comente 02.04.18 2608 Vizualizações Imprimir Enviar
Quatro alavancas de controle – Robert Simons

As quatro alavancas de controle – Robert Simons:  nossas preocupações enquanto gestores, líderes, administradores, ou seja, a função precípua de “GERENCIAR” implica em monitorar o que vem sendo feito, e direcionar o que deve ser feito no futuro. Contudo, estas ações de projetar o futuro devem estar vinculadas às crenças e valores da empresa, e atender aos limites estabelecidos. Robert Simons sintetizou estas necessidades em um sistema de quadrantes ao qual deu o nome de “Quatro alavancas de controle” (Four levers of control) . Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui ao lado, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

As quatro alavancas de controle – comportamentos e bloqueios

Em uma organização, há dentre os empregados alguns desejos positivos, alguns comportamentos de desenvolvimento, que se confrontam com os chamados bloqueios organizacionais. O quadro abaixo ilustra este antagonismo:

ComportamentosBloqueios Organizacionais
Desejos de realizaçãoNormas, procedimentos e condutas que podem impedir decisões e realizações.
Desejos de alcançar e contribuirExpectativas incertas, trabalho em demasia e falta de recursos.
Desejo de criarReceio de falhar, falta de suporte, recursos inadequados.

Este antagonismo pode, e deve ser minimizado, através de:

  • Redução da expectativa através de delineamento claro das “regras do jogo” da empresa.
  • Ajustar o foco dos colaboradores em criar oportunidades aportando recursos e explicitando claramente metas.
  • Estimular a inovação, motivando os colaboradores a criar e buscar novas oportunidades (isto vem sendo muito bem feito por algumas empresas que despontaram em um passado recente: Google, Apple, Amazon, muitas start-ups).
  • Reduzir o risco de desafiar o status quo através do debate e diálogo organizacional.

As quatro alavancas de controle – o modelo de Simons

Robert Simons, em seu livro de longo título “Levers of Control: How managers use innovative control systems to drive strategic renewal” (Alavancas de Controle: como os gestores usam sistemas inovadores de controle para orientar a renovação estratégica, em tradução livre), busca o equilíbrio entre a observância aos limites do arcabouço original da empresa com o desejo e necessidade de buscar novos rumos. Basicamente, conciliando inovação com tradição (tradição no sentido de respeito às crenças e valores). Neste sentido, Simons criou quatro alavancas de controle.

Quatro alavancas de controle

Quatro alavancas de controle

Estas quatro alavancas de controle, dispostas em quadrantes conforme a figura, ilustram, na Horizontal, o Estático (Domínio Estratégico) e o Dinâmico (Estratégia de Negócios), e na Vertical, o Futuro (Aprendizado e Oportunidades) e o Presente (Foco na Atenção).

As quatro alavancas de controle – crenças

Crenças são um conjunto de definições organizacionais comunicadas e reforçadas sistematicamente para prover valores, propósito e direção para a Organização. São exemplos de crenças, a Missão, Visão e Valores da empresa. Obviamente, as crenças não são apenas para serem ditas, mas sim praticadas. Já vimos isto em um artigo do Blogtek, denominado Valores, Desempenho, Comportamentos.

As quatro alavancas de controle – limites

Limites são regras claramente estabelecidas que orientam o que Fazer e o que Não fazer, de forma clara e indubitável, definindo padrões, limites de competência, e inclusive punições a quem não as cumprir. Um exemplo de limites é o Código de Ética de cada empresa. A definição se uma empresa é avessa ou propensa ao risco também faz parte dos limites.

As quatro alavancas de controle – sistemas de diagnóstico

São os sistemas de informação formais de que dispõe o gerente para avaliar os resultados da implantação da estratégia vigente. Estes sistemas possibilitam a avaliação e correção de rumo nas ações gerenciais da empresa. Fazem parte do sistema de diagnóstico os resultados contábeis, os KPI’s estabelecidos (Key Performance Indicators) e os processos de planejamento (revisões e análise crítica).

As quatro alavancas de controle – sistemas de diagnóstico

Na realidade, Simons chama de sistemas interativos de controle. Não mencionei o termo “interativos” porque qualquer sistema de controle DEVE ser interativo, pois se não houver a possibilidade de retroalimentar para fazer uma correção, o gestor estará comando um Titanic.

Estes sistemas buscam estimular o aprendizado, busca e crescimento, permitindo perceber novas estratégias de negócios para a Organização, através de potenciais oportunidades e ameaças.

Neste sentido, ferramentas que auxiliam o gestor são a Análise SWOT (Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças), bem como Balanced Scorecard (BSC), assim como as reuniões de Planejamento estratégico.

Minha interpretação das Quatro Alavancas de Controle é que na realidade não significam nada de novo, senão uma lembrança para o gestor não ignorar as crenças e limites da empresa, enquanto avalia o presente e passado (sistemas de controle) e busca sondar o futuro (sistemas de diagnóstico).

Continuaremos a abordar em detalhes o Gerenciamento de Partes Interessadas nos próximos artigos do Blogtek. Para manter-se informado sobre os próximos artigos, cadastre seu e-mail em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

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