Gerenciamento de Projetos

33 Comentários 22.09.13 14993 Vizualizações Imprimir Enviar
Planejar não é “pilotar” o Project…

Planejar não é pilotar o Project (ou qualquer outro software de planejamento)… atualmente há diversos softwares de planejamento, com diferentes níveis de detalhes e possibilidades. Aprender a utilizar estes softwares não é tão difícil (pelo menos o básico), porém é preciso entender que estes softwares são uma ferramenta de planejamento, não são O Planejamento. Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui ao lado, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

 

Planejar não é uma atividade para “Geeks”

Modern Infographics Business Technology Communication by KROMKRATHOG“Geek” é uma palavra em Inglês cujo sentido evoluiu com o tempo, de forma similar à palavra “nerd”. Atualmente, seu sentido mais comum é de um indivíduo fissurado por tecnologia, games, computadores, tablets, conhecedor de todos os lançamentos e detalhes dos produtos. A equipe de Assistência Técnica da Best Buy, rede de lojas de Eletro-Eletrônicos dos Estados Unidos, meca de consumo para os turistas brasileiros, é denominada “Geek Squad”.

 

Então, o geek é a pessoa a quem você deve recorrer quando esgotar seu arsenal de tentativas para solucionar um problema de informática.

Talvez um geek conheça os mais profundos recursos do Project, do Primavera, ou de outro software de planejamento, mas o fato de saber operar um software de planejamento não o torna um planejador.

Esta é inclusive uma das grandes dificuldades que temos ao escolher cursos de Project, Primavera, etc. É que muitos destes cursos são ministrados por quem entende de informática, entende do programa, não tem a menor ideia sobre planejamento, projetos, etc.

Há muito tempo, nos primórdios da minha carreira, quando ainda desenhávamos as redes de precedência no papel (leia o artigo do Paulo Cid, http://pmkb.com.br/papel-de-parede-ou-planejamento-do-projeto/), fui fazer um destes cursos. Acho que era do SuperProject, ainda em ambiente DOS…quanto tempo!!!!

O instrutor estava ensinando como cadastrar atividades – descrição, prazos, recursos – e, em dado momento, comentei que a maneira que ele estava utilizando era viável para algumas dezenas de atividades, mas não para milhares de atividades!!! Ele me olhou com uma cara estranha, como quem jamais havia imaginado tal número de atividades…e nós, que atuamos na área, sabemos que isto é rotineiro. Também não tinha ideia do conceito de nivelamento, etc.

Planejador tem que entender de projeto, de obra…

Young Man Standing On Rock And Looking To Building Construction by khunaspixPlanejar significa executar mentalmente o projeto, a obra, uma sequência de atividades, buscando antever as possíveis dificuldades, os recursos necessários, os prazos e custos estimados, sequenciar atividades, tudo aquilo que o PMBoK Guide (em qualquer edição) nos ensina a respeito de Gerenciamento de Prazo e planejamento.

Depois desta intensa atividade mental, é que iremos começar a colocar o planejamento no software, para podermos melhor ver as interações entre atividades, os comportamentos dos prazos, recursos e custos, identificar alternativas, refinar o planejamento…

Portanto, o software não é uma caixa preta onde se coloca um monte de informações avulsas, e sai um conjunto de informações organizadas e otimizadas…vale aqui o preceito do que o americano chama de “Shit in, shit out”.

….e gerente tem entender de planejamento

Computer Tablet Showing A Spreadsheet by cooldesignDe forma análoga, o gerente, os engenheiros também tem que ter noção do planejamento e da ferramenta utilizada.

Não precisa saber detalhes de como se faz o nivelamento de recursos, como é gerada a curva de avanço, mas tem que ser capaz de percorrer as principais telas do programa, e, mesmo sem alterar nada (o que aliás muitas vezes é recomendável…), ser capaz de avaliar o que está sendo proposto e sugerir alternativas: “Não seria possível estender este horário para diminuir o prazo desta atividade?”, “Não há uma tecnologia diferente que possa ser utilizada para executar isto?”, “Estas duas atividades não podem ser executadas em paralelo?”, etc.

Neste sentido, o Project é uma excelente ferramenta, pois com um pouco de treino, às vezes até como autodidata, é possível se familiarizar com as principais telas, comandos e ações, e entender melhor o que está ocorrendo.

Já o Primavera, ainda que reconheça sua importância e capabilidades, intimida mais o usuário inexperiente e desconhecedor do software. Seja pelo preço, por ser um software geralmente corporativo, raramente alguém o tem em seu computador pessoal, e poucos sabem portanto utilizá-lo.

Quando estive trabalhando nos Estados Unidos, na Refinaria de Pasadena, havia um funcionário que era “o cara” do Primavera. Sabia tudo, todos o consultavam a respeito de qualquer dúvida, mas, se ele fosse à área industrial (nunca o vi lá…) seria incapaz de distinguir entre um forno e uma caldeira…

Então, evidentemente esta interface Software de Planejamento – Operador do Programa – Planejador é um obstáculo ao atingimento dos níveis desejados de resultados do planejamento…

Planejar também é ouvir…

Ainda que o planejador, ou seja, aquele que entende de obra, projeto, atividades industriais, atividades de campo, conheça e saiba operar bem o programa (Project, Primavera, ou tantos outros…), certamente não conhece todas as especialidades envolvidas em um grande projeto industrial ou similar (processo, materiais, movimentação de carga, caldeiraria, isolamento térmico, refratários, mecânica, elétrica, instrumentação, geotecnia, civil, andaimes, limpeza industrial, solda…). Então é necessário conversar com as equipes especializadas, com quem vai executar, para poder adequadamente estimar prazos, alocar recursos, equipamentos, estabelecer a sequência correta de atividades.

E, ainda nas áreas em que detém conhecimento, os prazos tem que ser definidos e acordados com aqueles que executam, para criar o comprometimento…quando o prazo é arbitrado sem que o executante seja envolvido, este certamente não se preocupará em cumpri-lo.

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

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