Gerenciamento de Projetos

16 Comentários 04.12.14 4624 Vizualizações Imprimir Enviar
Planejamento super detalhado – mais é melhor????

Planejamento super detalhado – mais é melhor??? Temos publicado aqui no Blogtek diversos artigos sobre planejamento – Planejamento em Ondas, Planejamento e programação, Cronograma de Marcos, Planejar NÃO é pilotar o Project – e continuamos percebendo que em megaprojetos há um ENORME número de projetos concluídos com atraso.  Hoje faremos uma leitura comentada de um artigo de um renomado Gerente de Projetos, agregando nossa própria experiência. Para ser sempre informado dos novos artigos do Blogtek, cadastre seu e-mail em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

Planejamento super detalhado – contextualização

Recentemente me foi encaminhada uma série de artigos sobre Project Delays, publicada na Hydrocarbon Processing. Quem me enviou foi o colega da RPBC, Palfi, que muito me honra com sua leitura do Blogtek.

Os artigos foram publicados nos exemplares de Abril, Maio e Junho de 2014, pelo engenheiro J. Corrales-Perez, da empresa espanhola Tecnicas Reunidas, a qual está atualmente gerenciando o projeto de expansão da refinaria de Talara, no Norte de Peru, refinaria a qual tive oportunidade de conhecer, ministrando um curso de Gestão da Manutenção, em minhas férias de 2006.

Cumpre destacar aqui que respeito sobremaneira a questão dos direitos autorais, portanto NÃO se trata de uma reprodução do artigo, mas de agregar comentários de experiência pessoal aos aspectos relatados pelo autor. Este artigo foi submetido à sua aprovação, antes da publicação.

Planejamento super detalhado – evolução

Corrales-Perez, em um item que denomina “The oversized PERT trap” (tradução livre: A armadilha do PERT superdimensionado), resgata do passado a época em que as redes de precedência eram construídas manualmente, ainda no modelo Americano “AOA” (Activity on Arrow – atividade na seta, leia mais em Diagrama de Precedência- para que serve?). Os diagramas de precedência (muitos chamam de rede PERT, que não é o termo exato) eram cuidadosamente desenhados usando o gabarito de círculos, em papel A0, e por isso mesmo não se detalhava demasiadamente as atividades. Inexistiam os softwares de planejamento – na REDUC, usávamos o PCDR (Programa de Controle e Duração de Recursos), desenvolvido internamente pelo Técnico de Manutenção Humberto e pelo Engenheiro Luiz Cézar, onde os dados eram introduzidos por uma interface nada amigável, em terminais, para serem rodados em um mainframe, cujos resultados só obtínhamos no dia seguinte.

Desta forma, a construção do diagrama de precedência era feita em equipe, com participação de especialistas, dos gerentes, portanto todos tinham um bom conhecimento do Planejamento.

Planejamento super detalhado – status atual

Com a facilidade obtida através dos softwares de planejamento disponíveis (tais como MS-Project, Primavera, Spider Project, entre centenas), as atividades podem ser desdobradas em detalhes; Corrales-Perez menciona que o número de atividades chega facilmente a 5.000, eu acrescento que já vi projetos com mais de 100.000 atividades.

Com este número de atividades, evidentemente não há participação dos especialistas e dos gerentes de projeto, o que prejudica uma análise crítica e contribuições daqueles que tem experiência nas atividades que estão sendo planejadas.

Além da enorme quantidade de tarefas, o próprio software inibe a participação dos especialistas e gerentes; enquanto alguns softwares ainda são de mais fácil acesso e domínio (MS-Project, Spider Project), aquele mais utilizado atualmente em Obras de grande porte (Primavera) normalmente tem acesso e aprendizado mais difícil e demorado, criando entre o analista e a obra mais uma interface: o operador do software.

Desta forma, o super detalhamento do planejamento, ao invés de enriquecer o planejamento, o deteriora.

Claro que não estou advogando de um “barrão” para representar a atividade de montar um trecho de tubulação de 200 toneladas, porém não há necessidade de descer ao nível de cada bisel, de cada solda.

Qual o ponto ideal? Não há uma fórmula mágica. Depende das características de cada projeto: em uma parada de manutenção, com duração típica de 30 a 40 dias, trabalhos em regime de 24 h/dia, minha experiência mostra que podemos chegar a detalhar atividades em períodos de 2 horas; em uma montagem de uma nova planta de processo, a qual dura mais de um ano, não há sentido em ir a este nível, as atividades podem ser visualizadas em semanas, ou eventualmente dias. Vale o ditado latino “Virtus in medium est” (A virtude está no meio), ou seja, nem tão detalhado que se perca no controle, nem tão resumido que não se consiga individualizar as principais tarefas.

Um outro problema do excessivo detalhamento é que toda estimativa (de prazo, de recursos, de custos) tem erros inerentes, e criar demasiadas sub-tarefas pode propiciar a propagação de erros…

Por final, Corrales-Perez menciona um aforisma de Peter Drucker: “Aqueles que querem controlar TUDO, não conseguirão controlar NADA.”

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

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