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O pior acidente industrial dos Estados Unidos: Texas City

O pior acidente industrial dos Estados Unidos: a lembrança deste terrível acidente, a explosão de dois navios carregados ne nitrato de amônia em Texas City, em 1947, nos remete à importância da FISPQ (Ficha de Informações sobre Produtos Químicos), e às lições aprendidas (muitas vezes, infelizmente, não aprendidas).  Para ser sempre informado dos novos artigos do Blogtek, cadastre seu e-mail em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

O pior acidente industrial dos Estados Unidos: o desastre de Texas City

Em 16 de Abril de 1947, dois navios, o SS Grandchamp e o SS High Flyer, estavam ancorados no Porto de Texas City, na baía de Galveston, o primeiro carregado com 2.300 toneladas de nitrato de amônia (produto largamente utilizado para a produção de fertilizantes) e muitas caixas de munição, e o segundo com 961 toneladas de nitrato de amônia e 1.800 toneladas de enxofre.

Havia ainda mais nitrato de amônia estocado nos armazéns do Porto. O produto seria exportado para a Europa, para a fabricação de fertilizantes.

O nitrato de amônia tinha sido transportado por trem desde Iowa, e as temperatura alta daquela primavera aumentou a reatividade do produto. No dia do acidente, contudo, a temperatura estava baixa: 13 graus Celsius.

Pela manhã, os estivadores se deram conta de um pequeno incêndio, em cerca de 8 sacos (100 kg) do produto. Após tentarem apagar o incêndio com água, sem sucesso, o comandante, receoso de estragar a outra carga (munição), optou por não utilizar mais água, e decidiu abafar o incêndio com vapor, procedimento relativamente comum, porém que se revelou fatal.

O pior acidente industrial dos Estados Unidos: vista da explosão de Galveston

O pior acidente industrial dos Estados Unidos: vista da explosão de Galveston

Conforme podemos ler na Ficha de Informações sobre Produtos Químicos (FISPQ) do nitrato de amônia, em Perigos específicos: Risco de ignição ou detonação ao expor o produto ao calor e a materiais incompatíveis, o vapor, pela sua temperatura favoreceu a detonação do material, principalmente porque o material libera oxigênio, formando portanto ambiente propício à detonação.

Ainda nesta mesma FISPQ (equivalente ao MSDS, Material Safety Data Sheet, nos Estados Unidos), podemos ler:

Meios de extinção apropriados: O produto não é combustível. No caso de envolvido em fogo, dê preferência em utilizar água, podendo também ser utilizados outros produtos como espuma ou pó-químico seco, desde que compatível com o material combustível envolvido no incêndio. Remova todas as fontes elétricas. Tentativas de abafar incêndios se tornarão ainda piores, já que o Nitrato de Amônio é uma fonte de Oxigênio. Em situações de combate a incêndio, procurar manter o ambiente o mais ventilado possível, deixando os gases de decomposição escapar livremente.

O pior acidente industrial dos Estados Unidos: vista aérea

O pior acidente industrial dos Estados Unidos: vista aérea

O pior acidente industrial dos Estados Unidos: a explosão

A crescente pressão dos gases quebrou uma escotilha do navio, e uma espessa fumaça alaranjada subiu aos céus, atraindo a população para o porto, pois os incêndios eram relativamente comuns e a população estava habituada a assisti-los, a uma distância que consideravam segura.

Às 9:12, o navio explodiu, lançando ao ar a carga a cerca de 1.000 metros de altura, na forma de um cogumelo, com um barulho que pode ser ouvido a 150 km de distância. A onda de choque derrubou dois aviões que sobrevoavam as redondezas.

Uma âncora do navio, de duas toneladas, foi arremessada a dois quilômetros de distância, e outra, de 5 toneladas, foi arremessada a 800 metros.

O pior acidente industrial dos Estados Unidos: âncora arremessada à distância

O pior acidente industrial dos Estados Unidos: âncora arremessada à distância

Em diversas refinarias vizinhas (até hoje a região é local de inúmeras refinarias) tanques de produto pegaram fogo. A fábrica e o estacionamento da Monsanto, a 300 metros de distância, foram totalmente destruídos. Janelas foram quebradas em Houston, a mais de 40 quilômetros de distância.

À tarde, verificou-se que a carga do SS High Flyer estava também em chamas. O navio havia se desprendido das amarras, e alguns marinheiros tentavam apagar o incêndio (os bombeiros da cidade haviam todos falecido na explosão do Grandchamp). Porém, a 1:00 da manhã já de 17 de Abril, o High Flyer explodiu, uma explosão ainda maior do que a do Grandchamp, devido à carga de enxofre. No entanto, devido ao evento anterior, já não havia mais pessoas nas imediações, não tendo ocorrido mortes nesta segunda explosão.

O pior acidente industrial dos Estados Unidos: caminhão arremessado sobre destroços de um navio

O pior acidente industrial dos Estados Unidos: caminhão arremessado sobre destroços de um navio

Ao total, foram 581 mortos, muitos dos quais espectadores no cais, e cerca de 3.500 feridos. Este foi o maior acidente industrial da história dos Estados Unidos.

O pior acidente industrial dos Estados Unidos: lições NÃO aprendidas

Em 17 de Abril de 2013, um dia após o 66 aniversário da tragédia de Texas City, uma mulher ligou para o 911 (emergência) na cidade de West, Texas, relatando um incêndio na fábrica de fertilizantes, West Fertilizer Co. Apenas 25 minutos depois, a fábrica explodiu provocando a morte de 15 pessoas.

A explosão formou um enorme cogumelo no ar, e gerou um abalo de intensidade 2,1 Richter. A fábrica armazenava 2.700 toneladas de … nitrato de amônia. A legislação americana obriga as indústrias a informarem qualquer quantidade acima de duas toneladas, porém a West Fertilizer Co. não havia informado a OSHA (Occupational Safety and Health Administration) da existência deste produto.

Infelizmente, a lição que as indústrias não aprenderam foram aprendidas por quem não devia. O atentado que destruiu o edífico Murrah, em Oklahoma City, perpetrado por Timothy McVeigh, em 1995, foi produzido por uma van carregada de … nitrato de amônia.

O pior acidente industrial dos Estados Unidos: conclusões

Parodiando a frase atribuída a Thomas Jefferson, terceiro presidente dos Estados Unidos: “O preço da liberdade é a eterna vigilância”, podemos afirmar “O preço da Segurança é a eterna atenção”.

Aprender com acidentes anteriores é fundamental. Neste sentido, recomendamos a leitura dos clássicos de Trevor Kletz: “What went wrong?” e “Still going wrong”.

Fundamental também, ao lidar com produtos químicos, é a consulta à FISPQ, para conhecer  as características dos produtos com os quais estamos lidando. Para ser sempre informado dos novos artigos do Blogtek, cadastre seu e-mail em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

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