Gerenciamento de Projetos

13 Comentários 14.02.13 4632 Vizualizações Imprimir Enviar
Performance nos contratos de obras onshore versus offshore

Obras onshore e offshore: Ao se compararem os indicadores de realização de projetos (custo, prazo, etc.) entre obras offshore (tipicamente plataformas e instalações de produção) e obras onshore (tipicamente refinarias), observa-se claramente a melhor performance dos projetos offshore. Esta constatação, que é feita em nível mundial, se destaca particularmente no Brasil. Maiores detalhes podem ser obtidos no livro Industrial Megaprojects, de Edward W. Merrow, fundador do IPA (Independent Project Analysis, Inc.).

Ainda que no cenário brasileiro atual exista uma explícita priorização das atividades de produção, principalmente em função da descoberta do pré-sal e do declínio da produção dos campos marítimos maduros, existem certamente outras variáveis no processo.

Obras onshore e offshore:

As obras de plataformas ou FPSO (navios adaptados para Floating, Production, Storage and Offloading – unidade Flutuante de Produção, Armazenamento e Transferência) são executadas em estaleiros e complementadas no mar. Os estaleiros são instalações onde habitualmente existem atividades industriais, e as comunidades que se formam no entorno são criadas em função destes.

Em contrapartida, quando da construção de novas refinarias, estas são instaladas em novos locais, onde não frequentemente não havia atividade industrial deste tipo (por exemplo, Bacabeira, no Maranhão), ou, há atividade industrial em escala menor e de outra especificidade (por exemplo, Itaboraí – Comperj, ou Recife  e adjacências – RNEST). A instalação destas novas unidades causam impacto similar a de outras grandes obras terrestres de infraestrutura, tais como Belo Monte e Jirau: aumento do custo de vida, migração de trabalhadores, especulação imobiliária, disparada no preço dos aluguéis, aumento da criminalidade e da prostituição.

Estes impactos no entorno da região afetada despertam a atuação, muitas vezes até bem intencionada, dos políticos locais: prefeitos e vereadores começam a visitar a Obra, questionam alguns aspectos dos contratos, são muito sensíveis às ocorrências na Obra.

Uma clara demonstração disto ocorreu na Obra de Terraplenagem da Refinaria Premium I, no Maranhão, no município de Bacabeira, em 2012. Em 2011, houve um pico de 3500 trabalhadores nesta fase da Obra, os quais foram em sua maioria desmobilizados no primeiro semestre de 2012, como previsto no Contrato. Os seis primeiros meses do ano no Maranhão são extremamente chuvosos, impossibilitando as atividades de terraplenagem. No entanto, no quadro político tradicional do Maranhão, a implantação da Refinaria Premium estava, aos olhos da população, intrinsecamente ligado a motivos eleitoreiros. O burburinho motivou intensa movimentação política, a ponto da presidente da Petrobras, Graça Foster, ter ido em Julho/2012 ao Maranhão, onde almoçou com a governadora Roseana Sarney, e reafirmou publicamente o firme propósito da instalação da refinaria.

A questão de acessos ao site da construção também é um diferencial de performance entre projetos offshore e onshore. Enquanto para obras offshore a questão de acessos não é tão crucial,  para obras onshore esta é uma questão delicada. O Comperj sofre até hoje transtornos devido à questão de acessos, seja de pessoas (já mitigado), como também de equipamentos (ainda um ponto crítico).

Modularização:

A modularização consiste na fabricação de grandes módulos (por vezes unidades inteiras) em sites em que  mão de obra seja mais abundante e barata, onde haja melhor estrutura para fabricação, menores encargos, e posterior transporte para o local de instalação. É uma solução simples para obras offshore, porém requer maiores estudos para implementação em obras onshore, devido às questões de acesso terrestre.

A modularização frequentemente diminui custo e prazo em um empreendimento, porém é uma alternativa mais facilmente adotada em obras offshore do que onshore, posto que as obras são no mar, por onde é feita a maior parte do transporte de módulos.

Todos estes fatores são preponderantes na obtenção de melhores indicadores de performance offshore do que onshore.

Exposição à mídia:

Toda grande obra está sujeita a movimentos trabalhistas. Sem entrar no mérito destas questões, é inegável que as obras onshore são muito mais suscetíveis a este tipo de interferência. Primeiro, pela facilidade de acesso dos trabalhadores, bem como da imprensa, possibilitando maior repercussão. Segundo, pela maior dificuldade de controle dos eventos que possam ser deflagrados. Quando se fala de incidentes em obras, logo nos vem à mente Jirau, Belo Monte, e outros, todos coincidentemente em terra.

Esta susceptibilidade de obras onshore a movimentações trabalhistas, impactos sociais, atos de vandalismo, deve ser necessariamente incluída na Análise de Risco do empreendimento.

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

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