Atualidades

23 Comentários 17.02.13 8658 Vizualizações Imprimir Enviar
Pedro Álvares Cabral… e a Petrobras

É fato notoriamente conhecido que em 22 de Abril de 1500 Pedro Álvares Cabral aportou em terras brasileiras. Durante muito tempo, vigorou a tese do descobrimento acidental. Eduardo Bueno, em seu livro “A viagem do descobrimento” mostra que isto não foi verdade, e narra muitos outros episódios, inclusive a desastrosa continuidade da viagem de Cabral à Índia, o naufrágio de várias caravelas e morte de boa parte da tripulação, e destaca também que, apesar da riqueza de detalhes da Carta de Pero Vaz Caminha, “…em se plantando, tudo dá…”, a nova terra descoberta ficou relegada a segundo plano até cerca de 1535. Por que? Porque as riquezas que então interessavam aos Portugueses estavam na Índia, e não no Novo Continente (tecidos, especiarias, etc.). Só após 35 anos é que timidamente recomeçaram as viagens, e a exploração do Novo Continente, ao se vislumbrar que aqui também poderia haver riquezas de interesse à Coroa.

E o que tudo isto tem a ver com a Petrobras? É apenas para lembrar, que desde os mais antigos tempos, toda empresa,  todo empreendimento (até mesmo um País!) precisa ser rentável!

O lucro da Petrobras em 2012: um mundo cor-de-rosa, ou o Apocalipse?

Infelizmente, o anúncio do lucro líquido de R$ 21,18 bilhões da Petrobras em 2012, divulgado em 04/fevereiro, coincidiu com recente anúncio do reajuste de preços da gasolina e do diesel.

Para muitos, o lucro parece astronômico, e serve para aumentar as reclamações quanto ao aumento do preço dos combustíveis.

Para outros, o fato deste lucro ser 36% menor do que o lucro líquido obtido em 2011 prenuncia a chegada do Apocalipse…

Nem tanto, nem tão pouco… Petrobras e outras gigantes

O lucro da Petrobras ainda é um lucro robusto. Os percalços pelos quais a Empresa passou em 2012 são comparáveis aos de outras empresas de grande porte. Senão, vejamos (em muitos casos, ainda não foram apresentados oficialmente os resultados de 2012):

Vale: (http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2013/1/18/mercado-espera-que-vale-reduza-dividendos/)

vale_do_rio_doceAs projeções do banco americano Goldman Sachs são de um lucro de US$ 13,4 bilhões para a Vale em 2013, mais do dobro dos US$ 6 bilhões que estima para a empresa em 2012. O fraco resultado esperado para 2012 – uma queda de 73,8% no lucro do ano ante US$ 22,9 bilhões ganhos em 2011 – embute um prejuízo para a companhia no último trimestre de 2012, avaliado por analistas entre US$ 3 a US$ 4 bilhões.

O clima de incerteza global tem levado as mineradoras a adotarem uma postura de cautela na gestão do caixa e dos negócios. A gigante Rio Tinto, como foi noticiado ontem, também informou uma baixa contábil de US$ 14 bilhões no seu resultado de 2012, mais de três vezes a anunciada pela Vale. A medida culminou com a saída do CEO, Tom Albanese.


CSN
: (https://conteudoclippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/11/1/csn-vende-menos-minerio-de-ferro-e-lucro-cai-85)

CSNPreços em queda, tanto do aço quanto do minério de ferro, associados à pressão de custos, resultaram em forte perda de rentabilidade no balanço da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) no terceiro trimestre. O lucro líquido ficou em R$ 169,7 milhões no período, retração de 85% em relação ao mesmo período de 2011. A margem líquida da empresa passou de 26,4% para apenas 4%.



Votorantim:
(https://conteudoclippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/11/13/votorantim-lucra-menos-na-area-industrial)

VotorantimA divisão de negócios industriais do grupo Votorantim fechou o terceiro trimestre do ano com lucro líquido de R$ 148 milhões, 7% inferior ao resultado obtido um ano antes – R$ 159 milhões. O desempenho da Votorantim Industrial (VID), responsável. A última linha do balanço mostrou desempenho negativo das áreas de metais não ferrosos, com destaque para alumínio, e atividade de celulose.


Gerdau:
(http://www.gerdau.com.br/media-center/noticias.aspx?Codigo=f0eafe2c-c63a-4b68-b6e6-fc1ddcbe9067)

GerdauNo acumulado do ano (até o terceiro trimestre, nota de Stonner), a receita líquida consolidada alcançou R$ 29 bilhões e as vendas físicas consolidadas chegaram a 14,3 milhões de toneladas. A produção de aço, de janeiro a setembro, somou 14,7 milhões de toneladas. O EBITDA foi de R$ 3,3 bilhões, e o lucro líquido, de R$ 1,4 bilhão.

Ao longo do terceiro trimestre, os mercados atendidos pela Gerdau apresentaram comportamentos distintos. No Brasil (não inclui usinas de aços especiais), as vendas físicas, de 1,8 milhão de toneladas, foram impactadas principalmente pelo menor volume de exportações e pela menor atividade nos segmentos de construção residencial e comercial do mercado interno.

Portanto, não é só a Petrobras que teve dificuldades.

O outro lado da moeda…onde o lucro sorriu

É importante observar que  “...devido à política de preços dos combustíveis no país, a Petrobras registrou um prejuízo de 22,93 bilhões de reais em 2012 na área de Abastecimento, em função da defasagem no mercado interno dos preços dos combustíveis na comparação com o mercado internacional.

A Petrobras foi obrigada a aumentar a importação de derivados, a preços mais altos, para atender a crescente demanda interna.” (http://m.g1.globo.com/mundo/noticia/2013/02/petrobras-bate-expectativas-no-4o-tri-mas-lucro-cai-em-2012.html)

Empresa alguma consegue excelentes resultados financeiros tendo que vender produtos a um preço inferior ao de custo. Observe que o prejuízo no Abastecimento equivale, em reais, ao valor do lucro líquido!!!

Por outro lado, quando se tem uma política justa de preços, eis os resultados:


AMBEV:
(http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/11/1/aumentos-puxam-lucros-da-ambev)

AmbevA política de reajustes de preços de produtos ajudou a Ambev a apresentar um lucro líquido de R$ 2,508 bilhões no terceiro trimestre do ano, uma alta de 48,7% na comparação com o resultado do mesmo período de 2011, que foi de R$ 1,687 bilhão.

A Petrobras precisa (e merece) usufruir os resultados de sua eficácia…

Enquanto amarga os prejuízos resultantes da política de preços que lhe é imposta, naquilo que a Petrobras pode trabalhar sem depender dos demais (leia-se Governo…) os resultados são retumbantes.

Sabemos que o petróleo é um bem não renovável, cada vez mais difícil de ser encontrado. A tendência é que, a medida que o petróleo seja utilizado, suas reservas diminuam. Esta é a lógica, e as empresas de petróleo lutam arduamente para repor as reservas consumidas. A respeito disto, vale uma leitura:

PetrobrasEnquanto a Petrobras fechou 2012 com uma taxa de reposição das reservas superior a 100% pelo 21º ano consecutivo, as cinco irmãs – multinacionais que comandam o especulativo mercado internacional de petróleo – viram suas reservas definharem no ano passado.

A situação mais crítica é a da Shell. A taxa de reposição de reservas – que indica a relação entre a produção de petróleo e o acréscimo às reservas – ficou em apenas 44% em 2012…

A BP também não está em situação confortável. A taxa de reposição de reservas de 2012 deve ter variado de 75% a 85% …

A Exxon só divulgará em meados de fevereiro o estado de suas reservas. Mas não se espera nada surpreendente…

A situação mais confortável é da Chevron, que acrescentou o equivalente a 1,07 bilhão de barris a suas reservas comprovadas em 2012 e alcançou taxa de reposição de 112% no ano. A quinta irmã, a francesa Total, ainda não divulgou os números de 2012. Nem o resultado da Chevron, porém, impressionou os analistas. A produção dela caiu de 2,673 milhões de barris por dia para 2,610 milhões…

http://www.monitormercantil.com.br/index.php?pagina=Noticias&Noticia=127704&Categoria=INTERNACIONAL

Uma empresa que há 21 anos descobre mais reservas do que produz de petróleo, ou seja, engorda por 21 anos consecutivos nossas reservas, merece poder ter a liberdade de gerir seu negócio, leia-se, seus preços!

 

 

 

 

 

 

Incoming search terms:

  • luis flavio farias 992859541
  • Quem são meus amigos Davi Álvares Cabral
  • repercussao das obras de pedro alvares cabral em seu tempo e atualidade

Clique aqui e cadastre-se para receber uma notificação por email sempre que um novo artigo for postado

Seu email não será utilizado por terceiros nem para envio de spam.
Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

Newsletter

Seja notificado sempre que um novo conteúdo estiver disponível.

Não se preocupe, não temos prática de enviar spam.