Gestão da Manutenção

18 Comentários 07.02.13 7746 Vizualizações Imprimir Enviar
Parada de Manutenção: a visão da Operação e da Manutenção

Parada de Manutenção é, em qualquer planta de processo, um evento de grande magnitude. Normalmente, estas unidades operam 24 h/dia, de domingo a domingo, muitas vezes por períodos de anos. Quando param para manutenção (a conhecida Parada de Manutenção), há um enorme volume de serviços a serem feitos, em um prazo bastante curto, premido pelo lucro cessante da unidade.

A Visão da Operação:

A Operação convive no seu dia-a-dia com as pequenas e grandes mazelas: os grandes problemas, os quais muitas vezes caracterizam Urgências ou Emergências, são normalmente resolvidos pela equipe de Manutenção. No entanto, os pequenos problemas, tais como calibração de instrumentos, válvulas dando passagem, pequenos vazamentos, etc., são frequentemente postergados devido a maiores prioridades da equipe de manutenção, naquela ou em outras unidades.

Então, a Operação vê a Parada de Manutenção como um momento de redenção. A unidade não estrá operando, estará entregue à Manutenção, e esta deverá realizar TODOS aqueles serviços pendentes, além dos serviços caracteristicamente de Parada de Manutenção, aqueles que não podem ser feitos com a unidade operando.

Esta é a visão da Operação.

A Visão da Manutenção:

A Parada de Manutenção é um evento de extrema complexidade para a Manutenção. Em um período de tempo curto, usualmente de três a cinco semanas, trabalhando 24 h/dia, terá de fazer todos os reparos para que a unidade retorne a sua condição original, e possa operar de forma confiável. Inúmeros são os fatores que tornam esta intervenção complexa e custosa:

  • A mão de obra disponível para a Parada de Manutenção, por ser mais escassa, é mais cara.
  • Muitas vezes a mão de obra disponível para a Parada de Manutenção é menos qualificada.
  • Na Parada de Manutenção, há grande concentração de pessoas, executando serviços com alto grau de exposição ao risco: movimentação de carga, andaimes, trabalhos em altura, soldagem, etc.
  • São tantas as atividades desenvolvidas em paralelo, que há uma tendência à dispersão gerencial (não é possível acompanhar tudo).

Portanto, a Manutenção vê a Parada de Manutenção como um evento complexo, durante o qual devem ser executados APENAS os serviços não liberáveis com a Unidade em Operação. Portanto, os serviços de rotina devem ser atendidos pela equipe de Manutenção de Rotina.

Esta é a visão da Manutenção.

O impasse:

Como se vê, há claro antagonismo entre as visões da Operação e da Manutenção. Este impasse muitas vezes provoca conflito entre as equipes, prejudicando o atingimento de bons resultados na Parada de Manutenção. A realidade é que ambas as partes tem razão, sendo necessário um distanciamento gerencial para poder ver a solução.

O fato é que realmente, durante a rotina, os serviços de pequena monta perdem prioridade, e se acumulam muitas vezes por longos períodos sem serem resolvidos, a Operação se acostuma a conviver com os pequenos defeitos, e consequentemente a lista de serviços a serem executados em Parada de Manutenção cresce. Ao realizar a  parada de manutenção, há tantos serviços que a equipe de Manutenção posterga alguns para serem realizados pela rotina, instituindo desta forma o “Ciclo Vicioso” ilustrado a seguir.

Círculo vicioso

Para reverter este Ciclo Vicioso, a solução não passa pela Parada de Manutenção, mas sim pela Manutenção de Rotina. É necessário estabelecer um adequado Plano de Manutenção, prover recursos suficientes para este quadro, de forma a que as necessidades do dia-a-dia sejam atendidas, não de imediato quando não forem Urgência ou Emergência, mas dentro de um prazo adequado  que mantenha o backlog (carga futura de trabalhos da Manutenção) em um  patamar de cerca de 10 dias, que é um parâmetro razoável no quadro da indústria. Ter um backlog inferior a dez dias pode parecer atraente, porém significa que seu quadro de manutenção pode estar super-dimensionado. É necessária também uma ação gerencial conjunta, Operação-Manutenção, de forma a eliminar o desgaste e a descrença mútua, enfim, realizar um “team building”, para se obter o seguinte “Ciclo Virtuoso”:

Círculo virtuoso

 

 

 

 

Portanto, a Excelência na Parada de Manutenção, se obtém garantindo a Qualidade na Manutenção de Rotina!

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

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