Gerenciamento de Projetos

Comente 23.09.19 601 Vizualizações Imprimir Enviar
Orçamentos estourados em projetos

Orçamentos estourados em projetos – abordo frequentemente este tema aqui no Blogtek (veja 10 razões para o fracasso de megaprojetos, Rotina de prazos e custos estourados, JCL – Joint Confidence Level (análise simultânea de prazo e custo)). Porém, como este é um pesadelo recorrente na vida do Gerente de Projetos, vale a pena voltar ao tema, agora mencionando um artigo publicado pela FTI Consulting.  Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui ao lado, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

Orçamentos estourados em projetos – o passado conta?

Ao orçar uma obra, pode-se utilizar métodos comparativos (por similaridade, correlação, por índices), porém para um orçamento mais preciso deve-se fazer o orçamento detalhado, bottom-up. Ou seja, estimar recursos (mão de obra direta, indireta, materiais, equipamentos, custos da infra-estrutura, over-head) e uma vez dimensionados os recursos, atribuir-lhes os custos, colocar a margem, fatores de risco, e fechar o preço.

Ao associar os custos aos recursos estimados, muitas vezes utiliza-se os dados atuais de mercado, porém muitas vezes o orçamentista vale-se de dados de projetos anteriores, fazendo a devida correção pela inflação.

Porém, o artigo mencionado destaca que ao longo das últimas duas décadas, os custos dos projetos tiveram um acréscimo de cerca de 200%, dos quais apenas 60% são atribuíveis à inflação. Ou seja, 140% se devem a outros fatores, não contemplados, o que gera proposição de preços equivocados.

Ao vencer uma licitação com preços distantes da realidade leva as empresas a buscarem equalizar os preços e evitarem prejuízos através de pleitos e aditivos. Eventual má redação do contrato, pelo proprietário, a existência de zonas cinzentas de definições de responsabilidades, má definição de escopo, podem gerar a possibilidade de algum ganho através de aditivos, porém não cobrem o prejuízo causado por um preço mal orçado.

Por outro lado, ao considerar todos os custos reais envolvidos, pode-se perder competitividade em relação a concorrentes “suicidas”… porém, a tendência do mercado, em função do aprendizado nas derrotas, é buscar orçamentos que efetivamente contemplem custos reais, e buscar produtividade e soluções que permitam maior competitividade.

Orçamentos estourados em projetos – onde estão os sobrecustos?

O atual desaquecimento do mercado tem permitido um certo alívio nestes sobrecustos. Porém, estes sobrecustos podem não estar aumentando ainda mais, porém existem de fato. A que se devem?

  • Projetos têm aumentado em tamanho e complexidade – isto leva a que o gerenciamento dos projetos, a fase do FEED (Front End Engineering Design), a engenharia de detalhamento têm requerido engenheiros e gerentes mais qualificados. Avalia-se que o custo horário desta mão de obra ao longo dos últimos 20 anos tenha superado em 40% a inflação. Sem querer apontar culpados, até porque o evento ainda está sendo apurado, há suspeitas de que os problemas da Boeing com os 737-Max tenham sido causados por erros de engenharia de softwares, terceirizados.
  • Uso de concreto e aço tem aumentado – a maior capacidade proposta para novas plantas tem levado a equipamentos maiores, portanto mais pesados, com aumento na utilização de aço e concreto. Além disto, as exigências ambientais levam a processos mais severos, aumentando a espessura dos equipamentos. Para se ter ideia, para um reator de HCC (hidrocraqueamento catalítico) é usual termos espessura de parede da ordem de 27 cm. Isto, utilizando ligas de Cromo-Molibdênio-Vanádio…o Vanádio permitiu a redução da espessura, caso contrário seriam espessuras maiores ainda.
  • Globalização – ainda que por um lado a globalização tenha aumentado a oferta e a quantidade de fornecedores, por outro lado, a existência de fornecedores com pouca experiência, e eventualmente com qualidade duvidosa, tem aumentado as exigências de controle e inspeção.
  • Custos trabalhistas e de construção – conquistas trabalhistas, ainda que necessárias e louváveis, tem aumentado os custos de mão de obra, fator que deve ser considerado pelos orçamentistas. A preocupação com a qualidade tem aumentado a necessidade de pessoal indireto bem qualificado, e obviamente, bem remunerado.
  • Custos de SMS – mais uma vez, um fator positivo, porém que tem impacto em custos, são as exigências cada vez maiores de Segurança, Meio Ambiente e Saúde Ocupacional.
  • Legislação ambiental – a preocupação com eventuais impactos ambientais, com os efeitos nas comunidades no entorno do projeto, as exigências de Responsabilidade Social, tem levado a maiores custos no Licenciamento das Obras (além de prazos maiores para o licenciamento).

O artigo conclui mencionando que há projetos que chegam a um sobrecusto de 100%, com um sobrecusto bastante frequente da ordem de 40 a 50%.

Portanto, é necessário ter em mente estes fatores para um correto dimensionamento de recursos e um adequado orçamento.

Ademais, é necessário que os gestores entendam que “mergulhar” nos preços para vencer uma licitação NÃO é uma boa estratégia.

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

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