Gerenciamento de Projetos

17 Comentários 19.05.13 14355 Vizualizações Imprimir Enviar
O Planejamento do Gerenciamento de Riscos

Risk Management On Laptop Showing Risky Analysis by Stuart MilesRecentemente publicamos aqui no Blogtek um artigo sobre Gerenciamento de Riscos – Conceitos, e iremos agora aprofundar a análise dos processos que compõem o Gerenciamento de Riscos. Hoje iremos abordar o processo Planejar o Gerenciamento de Riscos.

Planejar o Gerenciamento de Riscos – primeiros passos

Ainda que os processos do Gerenciamento de Riscos sejam bem intuitivos para todos aqueles com um mínimo de experiência em Gerenciamento de Projetos (Identificar Riscos, Analisar qualitativa e quantitativamente os riscos, Planejar as respostas aos Riscos, e Controlar os Riscos), é fundamental um planejamento prévio, pois o próprio conceito de risco é variável entre organizações, entre diferentes categorias de risco, diferentes ambientes ou países.

Para planejarmos as atividades de Gerenciamento de Riscos, é fundamental conhecer a Tolerância ao Risco da organização, e os Limites aceitáveis, para cada categoria. É importante até conhecer as categorias de riscos. O PMBoK Guide 5th ilustra, como exemplo, riscos relativos a Custo, Prazo, Escopo e Qualidade, que são os mais usuais. Para um projeto de uma fábrica, uma planta petroquímica ou uma usina nuclear, os riscos de SMS (Segurança, Meio Ambiente e Saúde) evidentemente também devem ser considerados.

Uma organização pode ter um limite de aceitação diferente para Custo em relação a Prazo. Por exemplo, pode aceitar um desvio de mais 20% no Prazo, mas apenas 5% no Custo.

O Plano de Gerenciamento de Riscos:

O Plano de Gerenciamento de Riscos deve definir a Metodologia a ser utilizada nos diversos processos que compõem o Gerenciamento de Riscos. Definir quais ferramentas serão utilizadas para a Identificação de Riscos, qual a equipe que irá trabalhar nesta atividade, quais técnicas a serem utilizadas na Análise Qualitativa de Riscos, e principalmente, na Análise Quantitativa de Riscos.

É fundamental também, nesta fase de planejamento, estabelecer a Matriz de Responsabilidades do Gerenciamento de Riscos, também chamada em Inglês de RACI Chart (Responsible, Accountable, Consulted, Informed). Cabe aqui alertar para quem utilizar este modelo que em Português temos as figuras do Responsável e do Executante, e muitas vezes se confunde o termo Responsável (em Português) com Responsible (em Inglês), mas esta equivalência está equivocada. É o que os linguistas chamam de “falsos amigos” ou “falsos cognatos”, palavras que achamos que tem um sentido, por similaridade, quando na realidade o sentido é outro. Neste caso, a equivalência correta é Responsável = Accountable, e Executante = Responsible.

 

RACI Chart (exemplo)

RACI Chart (exemplo)

Riscos existem, e alguns certamente irão se materializar durante a execução do Projeto. Para lidar com os riscos que ocorrem, há que ter verba, portanto tem que ser definido o Orçamento, nele incluídas as reservas de contingência e reservas gerencial.

Cabe aqui fazer uma distinção entre Reserva de Contingência e Reserva Gerencial:

Reserva de Contingência: são as reservas pra “known-unknowns”, ou seja, riscos já identificados, os quais você apenas não sabe se efetivamente irão afetar o seu projeto, e em que extensão. Esta reserva é calculada, baseada nos valores esperados de cada risco, e fazem parte da linha de base de custos (cost baseline).

Reserva Gerencial: são as reservas para “unknown-unknowns”. São riscos totalmente desconhecidos, os quais você só perceberá quando tiverem efetivamente ocorrido. Esta reserva é estimada (por exemplo, com base percentual sobre o valor do projeto), e não fazem parte da linha de base de custos.

É necessário definir os Prazos em que será reavaliada a Análise de Riscos, estabelecer o calendário das Reuniões de Análise Crítica, bem como definir a aplicação da reserva de contingência.

A Matriz de Probabilidade e Impacto:

Para categorizar os riscos, utiliza-se frequentemente a Matriz de Probabilidade e Impacto. Ao usar esta Matriz, parte-se do conceito de que o Risco é o produto da probabilidade pelo impacto (consequências).

A Matriz é construída durante o processo de Análise Qualitativa de Riscos. Porém, é importante aqui definir a graduação da Probabilidade e das Consequências, os quais estão usualmente descritos de forma genérica, por exemplo, para a Probabilidade: Muito Baixa, Baixa, Média, Alta, Muito Alta.

Matriz de Probabilidade e Impacto (exemplo)

Matriz de Probabilidade e Impacto (exemplo)

Na fase de Planejamento temos que definir melhor esta escala, conforme a categoria de risco, pois esta escala é muito subjetiva. Mesmo quando criamos uma escala mais objetiva, numérica, por exemplo, Muito Baixa equivale a Menos de 5%, ainda é difícil estimar. Neste caso, vale criar um modelo verbal, tal como:

Muito Baixa = Não há referência desta ocorrência em projetos similares

Baixa = Provavelmente não ocorrerá neste projeto

Média = Deverá ocorrer pelo menos uma vez neste projeto

Alta = Ocorrerá algumas vezes ao longo deste projeto

Muito alta = Ocorrência frequente ao longo do projeto

Com relação aos Impactos, podemos utilizar uma tabela como a seguinte:

Modelo Verbal dos Impactos, segundo as categorias de risco

Modelo Verbal dos Impactos, segundo as categorias de risco

Sendo o Risco = Probabilidade x Impacto, podemos construir a Matriz de Probabilidades e Impactos, e categorizar os riscos. Ainda assim, conforme mencionado acima, as regiões de alto, médio e baixo risco nesta matriz variam de empresa para empresa, conforme seu grau de aversão ao risco. Por exemplo, em termos de SMS, a Petrobras utilizaria um critério mais rigoroso no quesito SMS. Mas isto veremos nos próximos posts. Cadastre seu e-mail no Blogtek (no topo da página, à direita) para ser avisado dos próximos artigos. SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

Incoming search terms:

  • planejamento e gestao de risco
  • planejamento de riscos em projetos
  • diferença linha base custos e o orçamento reserva gerencial projeto
  • qual necessidade de um plano de risco
  • video com riscos
  • como definir critérios de aceitação para gerenciamento de riscos
  • estabelecer a matriz de responsabilidades do gerenciamento de riscos também chamada em inglês de raci chart (responsible accountable consul
  • exemplo de planejamento de risco
  • fase de resposta gerenciamento de riscos
  • Gerenciamento dos riscos do projeto

Clique aqui e cadastre-se para receber uma notificação por email sempre que um novo artigo for postado

Seu email não será utilizado por terceiros nem para envio de spam.
Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

Newsletter

Seja notificado sempre que um novo conteúdo estiver disponível.

Não se preocupe, não temos prática de enviar spam.