Liderança e Gestão

Comente 18.05.20 605 Visualizações Imprimir Enviar
O efeito Lago Wobegon – o viés positivo

O efeito Lago Wobegon:  como gestores ou mesmo dentro de nossas famílias e ambientes de convivência, é frequente termos que nos avaliar, e aos demais. Por isso é importante conhecer o que chamamos de vieses cognitivos, dos quais já abordamos aqui o efeito Dunning-Kruger, o qual retrata que as pessoas tolas não se julgam tolas. Em linha similar, hoje abordaremos o efeito Lago Wobegon. Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui ao lado, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

O efeito Lago Wobegon – origem

Efeito Lago Wobegon
Efeito Lago Wobegon

O Lago Wobegon é uma cidade fictícia, criada por um radialista e escritor denominado Garrison Keillor, na qual ele ambientava as histórias que narrava em seu programa semanal de rádio, que foi ao ar de 1974 a 2016.

Em seu programa, Keillor narrava episódios e histórias bizarras ocorridas nesta pequena cidade, hipoteticamente situada em Michigan, e sempre terminava suas histórias dizendo: “Bem, estas foram as notícias desta semana de Lake Wobegon, onde “todas as mulheres são fortes, todos os homens são boa-pinta, e todas as crianças são acima da média”.

Logo, a tendência natural no ser humano de se achar mais bonito, mais inteligente, mais honesto que os demais, recebeu o nome de efeito Lago Wobegon.

O efeito Lago Wobegon em diversas esferas humanas

Você, leitor, se acha um motorista mediano, acima ou abaixo da média? Muito provavelmente, você se acha um motorista acima da média, podendo até elencar algumas razões para tal. Porém perceba que há um equívoco estatístico neste pensamento, neste viés positivo: se todos, ou a maioria, fossem acima da média, a média teria que ser mudada, correto? E haveria obviamente motoristas que estariam abaixo da média. Ahhh, mas este não seria eu…e assim a coisa se perpetuaria, pois dificilmente alguém se posicionaria abaixo da média.

Esta é uma grande dificuldade da avaliação de desempenho de nossas equipes. Por mais formidável que seja nossa equipe, haverá uma média, e haver uma média pressupõe que haverá alguns que estarão acima e outros abaixo da média.

Eu, particularmente, já tive oportunidade de observar isto, só que à época eu não conhecia a expressão Efeito Lago Wobegon: quando começamos a realizar a avaliação de desempenho em que solicitávamos também a auto avaliação dos colaboradores.

Nesta ocasião, pude observar o efeito Dunning-Kruger (a arrogância dos incapazes – também não conhecia o nome deste viés), onde os colaboradores menos capacitado sempre se julgavam capazes, e o efeito Lago Wobegon, onde, em que pese terem suas capacidades médias, todos, ou quase todos se julgavam acima da média.

O psicólogo David Myers (que não tem nada a ver com a tipologia Myers-Briggs) fez diversos levantamentos estatísticos com estudantes, e percebeu que de forma geral apenas 2% dos estudantes se julgavam abaixo da média.

Este viés positivo causa riscos no Empreendedorismo, pois a maioria das pessoas, ainda que não tenham o conhecimento e a capacitação de seus pares, imagina que poderá ter sucesso em seus empreendimentos, o que ilustra parcialmente o porquê de tantos fracassos de novas empresas e startups.

O efeito Lago Wobegon nas organizações

Efeito Lago Wobegon - rádio
Efeito Lago Wobegon – rádio

O efeito Wobegon não é restrito às pessoas, as organizações também padecem deste efeito. Em 1987, levantamento estatístico realizado por John Cannell, médico norte-americano preocupado com a eficiência escolar, detectou a impossibilidade estatística de que TODOS os 50 estados americanos se declararam acima da média, em termos de resultados dos resultados escolares de seus alunos.

Ainda que não tenha havido, esperamos, manipulação intencional de resultados, este desvio ilustra um cuidado de que devemos ter em Estatística.

É comum fazer testes cegos de aceitação de produtos, em que o público-alvo da testagem prova dois produtos, sem identificação, portanto sem saber qual é cada um destes produtos. Teoricamente, isto garante uma amostragem isenta.

No entanto, estudos revelaram que o fato do aplicador do teste conhecer quais são os produtos de certa forma impacta o resultado do levantamento. A partir desta constatação, popularizaram-se os testes duplo-cego, onde ambos, testador e testado, desconhecem quais são os produtos, o que aumentou bastante a fidedignidade das testagens.

Portanto, ainda que não intencionalmente, de alguma forma o viés positivo afetou a medição da eficiência escolar nos Estados.

A cada semana, publicamos novos artigos aqui no Blogtek, sobre Gerenciamento de Projetos, Gestão da Manutenção, e tópicos sobre Liderança e Gestão. Também semanalmente publicamos um vídeo, os quais podem ser acessados em youtube.com/c/Blogtek. Para manter-se informado sobre os próximos artigos, cadastre seu e-mail em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

Incoming search terms:

  • efeito wobegon
  • perazos impossíveis

Clique aqui e cadastre-se para receber uma notificação por email sempre que um novo artigo for postado

Seu email não será utilizado por terceiros nem para envio de spam.
Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

Newsletter

Seja notificado sempre que um novo conteúdo estiver disponível.

Não se preocupe, não temos prática de enviar spam.