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O efeito Dunning-Kruger: a arrogância dos incapazes

Stonner Comente 24.09.18 1203 Vizualizações Imprimir Enviar

O efeito Dunning-Kruger: a arrogância dos incapazes. Nesta época de polarização política, as redes sociais são um campo fértil para asneiras de todo tipo. Com relação a isto, Umberto Eco, em 2015, proferiu as seguintes palavras: “As mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade. Diziam imediatamente a eles para calar a boca, enquanto agora eles têm o mesmo direito à fala que um ganhador do Prêmio Nobel”. Por isto, me chamou a atenção um longo e inteligente comentário muito bem feito pelo colega da Petrobras, Israel Fonseca Neto, técnico em eletrônica e petróleo e gás. O texto foi compilado da Internet, não tenho exata referência do autor, se algum leitor identificar, por favor, avise, para que eu possa dar os créditos.

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O efeito Dunning-Kruger é algo que eu, como professor por muitos anos (mais de 25 mil horas-aula ministradas) já intuía: os piores alunos não têm a exata noção de seu desconhecimento. Posteriormente, já como gestor, me dei conta de que na ocasião da avaliação, os menos capacitados são exatamente aqueles que se julgam mais merecedores de boas avaliações. Assuntos correlacionados: CHA – Competência, Habilidade, Atitude; Valores, Desempenho, Comportamento. Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui ao lado, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

O efeito Dunning-Kruger: conceito

O efeito Dunning-Kruger é uma distorção do pensamento que poderia ser resumida da seguinte maneira: as pessoas tolas pensam que são mais inteligentes do que aquelas que realmente são, e as pessoas inteligentes pensam que são mais tolas. Ou talvez seria mais correto dizer: as pessoas ignorantes têm a certeza de que sabem muito, e quem sabe muito acha que é ignorante.

Esse curioso efeito foi descoberto por David Dunning e Justin Kruger, dois investigadores americanos da Universidade de Cornell. O primeiro era professor de psicologia e um dia leu uma notícia que o deixou perplexo. Tratava-se do caso de um roubo cometido por um sujeito de 44 anos chamado McArthur Wheeler. A notícia dizia que ele havia invadido dois bancos, sem máscara e em plena luz do dia. Foi capturado algumas horas depois.

O que chamou a atenção de Dunning foi a explicação do ladrão sobre o seu método de assalto. Ele afirmou que não tinha usado nenhuma máscara, mas que tinha aplicado suco de limão no rosto. Esperava que isso o tornasse invisível as câmeras de segurança.

Por que ele acreditaria nessa tolice? Uns amigos seus o haviam “ensinado” o truque e ele tinha verificado: aplicou suco de limão no rosto e logo tirou uma fotografia sua. Ele pôde comprovar que a sua imagem não saia nela. No entanto, o mesmo limão o tinha impedido de ver que ele não tinha focado o seu rosto, mas sim o teto. “Como alguém pode ser tão idiota?”, perguntou-se David Dunning.

O efeito Dunning-Kruger: experimentos

Após longas reflexões sobre a conduta do ladrão, Dunning fez uma pergunta que serviria como hipótese para sua investigação posterior: poderia ser que um incompetente não tenha consciência de sua própria incompetência, precisamente por isso? A pergunta parecia um trava-línguas, mas certamente, fazia sentido.

Foi então que ele propôs ao seu melhor discípulo, o jovem Justin Kruger, que realizassem uma investigação formal a respeito. Dessa maneira organizaram um grupo de voluntários para realizar um experimento. Para cada um dos participantes foi perguntado o quão eficiente achavam que eram em três áreas: gramática, raciocínio lógico e humor. Depois um teste foi aplicado para avaliar a real competência deles em cada um desses quesitos.

Os resultados do experimento confirmaram o que Dunning e Kruger já suspeitavam. Efetivamente, as pessoas que haviam se definido como “muito competentes” em cada área obtiveram as menores pontuações nas provas. E, pelo contrário, aqueles que tinham inicialmente se subestimado obtiveram os melhores resultados no teste.

Atualmente é muito comum ver pessoas falando com aparente autoridade sobre temas que conhecem apenas superficialmente. Ao mesmo tempo, o normal é que os verdadeiros especialistas não sejam tão categóricos nas suas afirmações, já que têm consciência do quão vasto é o conhecimento e do quão difícil que é ter certeza completa de algo.

O efeito Dunning-Kruger: análise

Os organizadores desse estudo não apenas notaram que existia esse viés cognitivo, mas também se deram conta de que as pessoas mais incompetentes costumavam subestimar os mais competentes. Portanto, mostravam-se mais seguros e tinham um sentimento muito maior de suas habilidades, apesar da sua ignorância. Ou, talvez, precisamente devido a ela.

Depois de realizado o experimento, os investigadores chegaram a quatro conclusões que compõem o efeito Dunning-Kruger:

– As pessoas se mostram incapazes de reconhecer sua própria incompetência.

– Costumam não reconhecer a competência das outras pessoas.

– Não são capazes de ter consciência de até que ponto são incompetentes num determinado quesito.

– Se são treinados para aperfeiçoar sua competência, serão capazes de reconhecer e aceitar sua incompetência prévia.

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

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