Gerenciamento de Projetos

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Metodologia FEL – Método dos Portões

O desenvolvimento completo de um projeto industrial é um processo que envolve milhões de dólares. Requer, portanto cuidados para evitar que um projeto siga em frente sem a certeza de que atingirá seus objetivos, principalmente no que tange à rentabilidade. A metodologia FEL é largamente utilizada para assegurar a correta continuidade do processo.

A metodologia dos Portões

Para garantir este propósito, a maioria das organizações utiliza o processo de portões, ou seja, são estabelecidas fases consecutivas para um projeto, o qual só poderá passar para a fase seguinte se for aprovado no chamado Portão entre as fases, em que são avaliadas, por um comitê, os entregáveis (deliverables) da fase anterior. Em cada portão, há basicamente três possíveis decisões:

  • Passar para a Fase seguinte
  • Abortar o projeto
  • Reavaliar o projeto

Diversas empresas de consultoria e gerenciamento de projetos tem sua própria metodologia de portões, que diferem ligeiramente entre si.

Uma das mais comuns é a metodologia FEL (Front End Loading), desenvolvida pelo IPA (Independent Project Analysis – http://www.ipaglobal.com/), empresa de consultoria em projetos fundada em1987. A vantagem do IPA é o seu enorme banco de dados de projetos e megaprojetos em todo o mundo, permitindo avaliações e análises comparativas, fundamentando sua metodologia.

As informações fornecidas pelo IPA são confidenciais, cada participante de seus cursos e congressos tem que assinar um termo de confidencialidade. As informações aqui colocadas são de cunho geral e não-confidenciais, obtidas através do link acima.

Os custos de implementação de um empreendimento são crescentes ao longo de seu ciclo de vida, portanto, se for necessário redirecionar o projeto, o ideal é fazê-lo o quanto antes.

Custo das mudanças ao longo das fases do projeto

O termo FEL por vezes gera dúvidas em sua tradução, porque usualmente traduzimos “end” como “fim”, e desta forma a expressão fica sem sentido, algo como “Carregamento pela Frente do FIM”… porém, a palavra “end” também significa “extremidade”, portanto a tradução seria algo como “Carregamento pela extremidade inicial”, o que na realidade significa apenas… fazer as coisas na sequência correta.

FEL 1

Durante a primeira fase, denominada FEL 1, é identificada a Oportunidade de Negócio, para o qual é realizada uma estimativa de custos, denominada Ordem de Grandeza do Orçamento, correspondente às classes 5/4 da AACEI (Association for the Advancement of Cost Engineering International), com margem de erro tipicamente entre -30% a +50%.

Em FEL 1,  busca-se uma proposta de projeto, com diferentes alternativas de esquemas de processo. A partir do dimensionamento dos principais equipamentos, da estimativa de necessidade de utilidades (balanço de energia), do lay-out preliminar e da capacidade especificada (balanço de massa), o custo dos equipamentos é estimado através de bancos de dados (interno ou externo), aplica-se fatores de utilização de mão de obra direta e materiais, estima-se o custo administrativo, e tem se a Ordem de Grandeza do Orçamento.

A partir destes dados, é feita uma EVTE (Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica) preliminar, que constitui um dos principais insumos para que as instâncias superiores (presidente, diretoria executiva, etc.) possam tomar uma das decisões do portão 1: Prosseguir, Abortar o Projeto, ou Reavaliar o Projeto, como ilustrado a seguir:

Metodologia FEL

Esta análise assegura que apenas 25% dos projetos sejam aprovados em FEL1, e os 75% dos projetos que foram abortados ou serão reavaliados terão consumido apenas 1% do TIC (Total Installation Cost).

FEL 2

Uma vez aprovados em FEL 1, os projetos entram na Fase de Projeto Conceitual, na qual já é definido o projeto de processo, permitindo um melhor detalhamento do Orçamento, denominado Orçamento Preliminar, que corresponde a Classe 3 da AACEI, com margem de erro de -15% a +30%. Nesta fase já podem ser feitas cotações dos principais equipamentos, e a estimativa de custos da mão de obra direta já não será baseada em fatores, será estimada com base na utilização ao longo do cronograma preliminar. Nesta fase já podem ser aprovadas as compras de equipamentos com prazo de entrega crítico, os chamados Long Lead Equipment. Na realidade, atualmente na Petrobras, face ao elevado volume de investimentos, à disciplina de capital e a prioridade dada à área de Exploração & Produção, esta antecipação só poderá ser feita para equipamentos destinados à Produção (excluindo-se portanto os equipamentos destinados ao Refino).

É rodada uma nova EVTE, a qual juntamente com outros documentos de projeto, os quais comporão o Plano de Execução do Projeto, será insumo para ser avaliado no próximo Portão, onde o Projeto mais uma vez é sujeito a: Prosseguir, Abortar ou Reavaliar.

Desta forma, apenas 50% dos projetos remanescentes da Fase FEL 1 serão aprovados em FEL2.  Aqueles submetidos à reavaliação ou abortados terão consumido apenas 3% do TIC.

FEL 3

Durante a Fase FEL 3, será desenvolvido o Projeto Básico, com o qual teremos a planta de arranjo (lay-out) aprovada, as dimensões definitivas dos equipamentos, e os diagramas de fluxo (fluxogramas de processo e fluxogramas de tubulação e instrumentação, conhecidos como P&Is). Desta forma, poderemos obter cotações firmes dos equipamentos e principais materiais, melhores estimativas do consumo de mão de obra direta e demais custos, permitindo a elaboração do chamado Orçamento Detalhado, correspondente à Classe 2 da AACEI, com margem de erro de -5% a +15%.

Com o Orçamento Detalhado, é possível mais uma vez rodar a EVTE, a qual, se evidenciar que o projeto é rentável segundo os parâmetros da Empresa, será, juntamente com o Plano de Execução do Projeto, um dos insumos a serem avaliados pelo terceiro e último portão, antes do início da Execução Física dos serviços.

Neste portão, APENAS 2% dos projetos apresentados serão abortados ou reavaliados, e o custo destes projetos estará na faixa de 8% do TIC.

Evolução dos projetos ao longo dos portões FEL

Portanto, é evidente que a criteriosa utilização da metodologia dos portões permite que apenas os projetos factíveis e viáveis sigam seu curso, evitando gastos desnecessários em projetos que mais tarde poderiam se revelar sem adequado retorno financeiro. A utilização desta metodologia é fundamental para garantir um dos pilares do crescimento da Petrobras, que é a Disciplina de Capital.

 

 

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

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