Gerenciamento de Projetos

Comente 14.10.19 420 Vizualizações Imprimir Enviar
Manutenibilidade – parceiro da Confiabilidade e Disponibilidade

Manutenibilidade – muito se fala sobre Confiabilidade e Disponibilidade, que são sem dúvida muito importantes, porém a Manutenibilidade não tem o mesmo destaque. Mas deveria! Já publicamos aqui no Blogtek um artigo sobre Análise RAM – Reliability, Availability, Maintanability (Confiabilidade, Disponibilidade, Manutenibilidade), porém hoje iremos focar neste terceiro conceito. Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui ao lado, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

Manutenibilidade e gestão de ativos

Segundo a NBR 5462, de título “Confiabilidade e mantenabilidade” (há este termo também, porém eu, e muitos outros autores, prefiro o termo Manutenibilidade), define:

Manutenibilidade é a capacidade de um item ser mantido ou recolocado em condições de executar suas funções requeridas, sob condições de uso especificadas, quando a manutenção é executada sob condições determinadas e mediante procedimentos e meios prescritos.

Como eu tenho atuado tanto na área de projetos (empreendimentos, notadamente na área de plantas de refino) e na área de manutenção, tenho notado que a área de projetos tem cada vez mais buscado enfocar não apenas o ciclo de vida do projeto, mas o ciclo de vida do ativo. A própria edição mais recente do PMBoK Guide enfatiza este movimento.

Com efeito, esta edição do PMBoK Guide ilustra o que significa o Sucesso de um Projeto. Muitas vezes, projetos com êxito sob a ótica exclusiva de projeto (basicamente, prazo, custo, escopo, qualidade) não foram sucesso enquanto produto, e vice-versa. Neste último caso, projetos malsucedidos sob prisma de projetos, porém bem-sucedidos enquanto produto, o exemplo mais conhecido é a Ópera de Sydney.

Para obter o sucesso de um projeto, tanto enquanto projeto, como enquanto produto (ativo), é necessária a participação de todos na fase de projeto: além da equipe do projeto propriamente dito, também o pessoal de operação e manutenção.

Tenho visto a maior participação do pessoal de operação junto ao projeto, até porque logo na partida a Operação assume o leme do navio.

Porém a Manutenção, quiçá por ser um evento teoricamente mais distante no tempo, tem participado pouco. E um dos motivos disto é o fato de muitas vezes a Manutenção estar “apagando incêndios”. Porém, é necessário romper este ciclo vicioso, ilustrado em seguida, para criar um círculo virtuoso.

Manutenibilidade - Ciclo vicioso
Manutenibilidade – Ciclo vicioso
Manutenibilidade - Ciclo virtuoso
Manutenibilidade – Ciclo virtuoso

Manutenibilidade – exemplos da falta de manutenibilidade

Um equipamento frequentemente usado nas indústrias de processo são os permutadores de calor.

Há diversos tipos de permutadores de calor, porém um dos mais utilizados é o permutador em que o feixe tubular pode ser sacado para limpeza interna e externa dos tubos. Obviamente, para sacar o feixe (usualmente com 6 metros de comprimento) há ter espaço para o feixe e para as máquinas de elevação de carga que irão realizar esta operação.

Manutenibilidade - permutador de calor
Manutenibilidade – permutador de calor

Quando não é contemplada a manutenibilidade, o espaço é muitas vezes reduzido, dificultando em muito esta operação, e aumentando o tempo de manutenção, e consequente perda ou redução de produção.

Já vi casos inclusive de haver uma coluna em frente ao permutador, obrigando modificações estruturais para permitir a retirada do feixe.

Outro exemplo de falta de manutenibilidade, este infelizmente com consequências trágicas.

Em muitos equipamentos das indústrias de processo, há reatores que trabalham com catalisadores para melhorar a qualidade dos produtos. Estes catalisadores após algum tempo de campanha (dois a três anos) ficam coqueados, diminuindo sua capacidade catalisadora, e devem ser removidos para reativação e recomposição do inventário.

O coque em presença do ar se oxida, em uma reação exotérmica, que pode levar à combustão. Por isso, o descarte do catalisador deve ser realizado em atmosfera inerte, de nitrogênio.

Em 1986, um mês após estar lotado na Refinaria Duque de Caxias (REDUC), uma unidade de reforma catalítica (U-1220) estava parada para recuperação de catalisador. O reator no qual estava este catalisador era muito antigo, e não contemplava conceitos de manutenibilidade. Para fazer a remoção do catalisador o reator era inertizado com nitrogênio, e o pessoal de manutenção tinha que entrar com máscaras de ar mandado para encher baldes, pendurá-los em cordas, para que de cima, da boca do reator, outra equipe puxasse estes baldes e os vertessem para serem levados à área de regeneração de catalisador.

A Operação acompanhava o trabalho de perto, e subitamente deram-se conta de que um dos colaboradores que estava no interior do reator desmaiou.

O operador Rui Lomba, a quem rendo minha homenagem, desceu ao fundo do reator com máscara de ar mandado, amarrou o colaborador em uma corda, e fez sinal para que o içassem. Porém, ao içá-lo, a corda se enredou com a mangueira de ar mandado do Rui Lomba, e puxando, tirou a máscara dele. O volume da pessoa sendo içada não permitiu que os de cima percebessem o que ocorria, apenas após conseguirem remover o trabalhador desacordado, e só então se deram conta de que o Rui estava lá embaixo sem a máscara. Foram socorrê-lo, porém já era tarde, havia falecido.

Atualmente os reatores que empregam este tipo de catalisador tem bocas de descarte no fundo (chamadas de “maminhas”). Uma iniciativa simples e óbvia, mas que não havia sido pensada pelos projetistas daquele reator antigo. Houvesse a participação da Manutenção, muito provavelmente seria considerada a questão da facilidade do descarte, aumentando a manutenibilidade.

A cada semana, publicamos novos artigos aqui no Blogtek, sobre Gerenciamento de Projetos, Gestão da Manutenção, e tópicos sobre Liderança e Gestão. Também semanalmente publicamos um vídeo, os quais podem ser acessados em youtube.com/c/Blogtek. Para manter-se informado sobre os próximos artigos, cadastre seu e-mail em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

Incoming search terms:

  • a curva da banheira é uma ilustração do comportamento tipico de um equipamento brainly
  • análise swot segundo autores ameaças
  • manutenção de fornos na petrobras

Clique aqui e cadastre-se para receber uma notificação por email sempre que um novo artigo for postado

Seu email não será utilizado por terceiros nem para envio de spam.
Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

Newsletter

Seja notificado sempre que um novo conteúdo estiver disponível.

Não se preocupe, não temos prática de enviar spam.