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Comente 08.04.19 714 Vizualizações Imprimir Enviar
Lava-jato e os orçamentos de obras da Petrobras

Lava-jato e os orçamentos de obras da Petrobras – recentemente, em um grupo de WhatsApp, o João Mosquim, colaborador do Blogtek, mencionou a questão do orçamento usado como referência para a cotação de uma obra. É um grupo sobre Gerenciamento de Projetos, e o Mosquim tem o bom hábito de fomentar discussões sobre temas relacionados ao gerenciamento de projetos. É dos poucos grupos dos quais participo em que não se foge do propósito. E a colocação dele me ensejou alguns comentários, os quais creio que seja útil compartilhá-los aqui. Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui ao lado, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

Lava-jato e os orçamentos de obras da Petrobras – como são feitas as estimativas de custo de obras?

A Petrobras tem uma área de orçamentação da melhor qualidade, com uma enorme base de dados e produtividades, preços, etc, e uma equipe extremamente competente. Preços que fogem do valor orçado acima (ou abaixo, porque busca-se também evitar os preços inexequíveis) dentro de um determinado percentual não são aceitos, ou é solicitado uma justificativa dos valores.

Cabe então a pergunta: por que, no passado recente, os valores de obras novas da Petrobras (principalmente na área de projetos de refino) excederam de tal forma os valores previstos? Como foram criadas as condições para que a estrutura depois descoberta pela lava-jato existisse?

Lava-jato e os orçamentos de obras da Petrobras – por que tantas estimativas falhas?

Lava-jato

Lava-jato e os orçamentos de obras da Petrobras

Há algum tempo publicamos aqui no Blogtek alguns artigos sobre estimativas de custos. Neste artigo, relatamos o fato óbvio de que, quão melhor detalhado e conhecido o projeto, maior a precisão da estimativa de custos. 

Para isto, é adotado na Petrobras um modelo de Gerenciamento de Empreendimentos que utiliza a metodologia dos portões, no caso, a Metodologia FEL. Esta metodologia, entre outras coisas, preconiza que a fase de execução, iniciada pela contratação, só ocorra após a aprovação do Portão 3. Isto obriga a que se tenha um projeto básico, e permite uma estimativa mais precisa dos custos.

Nós (me incluo), das gerências intermediárias, não tínhamos autoridade para “by-passar” este procedimento. No entanto, baseados nas mais diversas justificativas, a diretoria, os gerentes executivos, estes mesmos cujos nomes são a todo instante ventilados na mídia, tinham o poder de orientar que se iniciassem contratações antes de aprovado o Portão 3.

Ao assim proceder, a margem de imprecisão das estimativas cresce absurdamente. Quando é feita uma licitação deste porte, por mais que a Petrobras mantenha sigilo sobre quem está sendo convidado, não há como não saber quais serão as empresas participantes, pois poucas são as empresas capacitadas e com fôlego financeiro para obras deste porte. Então, as empresas deste “clube” se reúnem (há indícios claros de que, sim, havia reuniões de fato sobre estes temas) para dividir a “pizza”. E como isto funciona?

Imaginem que determinada Obra, se bem orçada, custasse algo em torno de um bilhão de dólares. Se o processo licitatório se iniciasse após a aprovação no Portão 3, o possível erro admissível estaria entre +/- 10%. Porém, como a licitação ocorre sem o adequado nível de detalhamento do projeto, o erro pode ir até + 100%. Portanto, como há várias licitações na mesa, as empresas do clube dividem a pizza: a empresa interessada em ficar com este quinhão, orçará a obra em torno de 1,9 bi, e as demais ofertam valores superiores. E se revesam nas demais licitações…

E as estimativas Petrobras? Por mais habilitados que sejam, por mais dados que tenham, os orçamentistas da Petrobras recebem os dados para as estimativas com o mesmo grau truncado de precisão, portanto não conseguem gerar estimativas precisas o suficiente para desqualificar as propostas…

Além da questão da imprecisão para realizar o orçamento, a inadequado nível de detalhamento favorece o surgimento de pleitos diversos, a famosa indústria dos pleitos, também já retratada aqui no Blogtek.

Lava-jato e os orçamentos de obras da Petrobras – e agora?

É necessário dar-se conta de que há ferramentas para evitar que isto se repita. A metodologia dos portões (há diversas variantes) existe para isso. Mas, para que a ferramenta seja útil, é necessário utilizá-la.

É também importante que nos Conselhos de Administração haja pessoas com conhecimento dos fundamentos da Gestão de Projetos, para poder melhor questionar os projetos em implantação.

A cada semana, publicamos novos artigos aqui no Blogtek, sobre Gerenciamento de Projetos, Gestão da Manutenção, e tópicos sobre Liderança e Gestão. Também semanalmente publicamos um vídeo, os quais podem ser acessados em youtube.com/c/Blogtek, com legendas em espanhol. Para manter-se informado sobre os próximos artigos, cadastre seu e-mail em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

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