Gerenciamento de Projetos

Comente 03.02.20 662 Visualizações Imprimir Enviar
Laços Fracos, Número de Dunbar, Partes Interessadas

Laços Fracos, Número de Dunbar, Partes Interessadas – recentemente estava lendo uma publicação da Flávia Gamonar, Instrutora Oficial LinkedIn Learning, Top Voice, e vi uma referência aos Laços Fracos, citando o criador deste termo, Mark Granovetter. Curioso que sou, dei um Google, achei o conceito interessante, e deduzi que há relação dos Laços Fracos com outros aspectos aparentemente dissociados: Número de Dunbar e Gerenciamento das Partes Interessadas. Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui ao lado, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

Laços Fracos – conceito

Mark Granovetter é um sociólogo norte-americano, professor da Universidade de Stanford, estudioso dos laços sociais, que são as conexões estabelecidas entre pessoas, através de interações.

Obviamente, laços sociais independem da Internet, porém foi com o surgimento desta, e das redes sociais, é que o número de laços sociais aumentou exponencialmente.

O número de laços sociais antes do advento da Internet está associado ao número de Dunbar, antropólogo e um psicólogo evolucionista inglês que ao estudar a evolução do homem percebeu que os grupos de caçadores-coletores, as primeiras aldeias estabelecidas, as unidades militares da Grécia e Roma, não tinham mais do que 150 pessoas.

Transpondo para o mundo atual, Dunbar corroborou que nossos grupos sociais têm entre 100 e 200 pessoas, estipulando o número médio (número de Dunbar) em torno de 150.

O surgimento das redes sociais nos dá a falsa impressão de que este número atualmente deva ser maior. Não obstante, esta é uma falsa impressão.

Independente de quantos contatos você tenha no Facebook, no Linkedin, ou no Twitter, faça mentalmente o exercício de se lembrar (escreva!) os amigos cujo nome (não precisa ser o nome todo…basta que você consiga chamá-lo) você se lembra, e o rosto. Certamente, em ordem de grandeza será algo em torno de 150…

Então as redes sociais não valem de nada? Muitos de nós temos milhares, alguns têm milhões de conexões…

Aí é que entra a classificação de Granovetter, que classifica os laços sociais em fracos, fortes e ausentes. Em sua concepção, laços fortes seriam aqueles nos quais há maior proximidade, contato, intimidade entre as conexões. E os laços fracos seriam formados por relações mais dispersas entre as conexões.

E aí entra um aparente paradoxo: a força dos laços fracos. Segundo ele, os laços fracos têm maior importância na dinâmica da rede. Por quê? Porque os laços fortes (que correspondem aproximadamente ao número de Dunbar) são pessoas que conhecem suas ideias, conceitos, ideais, portanto o que você postar ou compartilhar com eles não é novidade, portanto geralmente não lhes chama a atenção, e tampouco compartilham algo que para eles (laços fortes) é público e notório.

Já o restante de suas conexões, o universo complementar do número de Dunbar, aqueles que você adicionou como “amigo” no Facebook, ou é uma conexão ou o segue no Linkedin, estes não estão a par de seus conceitos, convicções, ideais, posicionamentos. Portanto, aquilo que você publicar e compartilhar, e tiverem acesso, lhes parecerá uma novidade (no bom ou no mau sentido), e provavelmente compartilharão, com emojis de alegria ou de raiva. Portanto, para o Bem ou para o Mal, são os laços fracos que mais disseminarão suas mensagens.

Portanto, fundamental para o networking são os laços fracos.

Laços Fracos – o que têm a ver com Partes Interessadas?

Há algum tempo, publicamos aqui no Blogtek um artigo, depois lançado como vídeo no Youtube, sobre o Gerenciamento das Partes Interessadas, assunto especificamente incluído no PMBoK Guide desde a quinta edição.

As partes interessadas são classificadas conforme:

Poder de Influência:  Capacidade de modificar (ou não) o contexto do projeto segundo suas próprias necessidades.

Proximidade: grau de participação da respectiva parte interessada no escopo e objetivos do projeto. 

Postura: indica a sua potencial ação sobre o escopo e objetivos do projeto.

Proximidade e Postura, ainda que aspectos distintos, têm um direcionamento similar com relação ao projeto, sendo complementares, e, portanto, podemos entender que são dois fatores aditivos.

Criando um gráfico tendo em um eixo Proximidade+Postura, e no outro o Poder de Influência, teremos algo assim, com as formas de gerenciar e se comunicar com cada uma destas partes interessadas:

Laços Fracos e Partes Interessadas
Laços Fracos e Partes Interessadas

Observem que a Proximidade e Postura são assim classificados;

Proximidade:

1 – Não há envolvimento direto (nenhuma relação direta com os processos, clientes e a maioria dos gerentes)

2 – Diretamente envolvidos (equipe do projeto)

Postura:

1 – Passiva

2 – Ativa

Portanto, a região abaixo destacada corresponde aproximadamente aos laços fracos:

Laços Fracos: onde atuar
Laços Fracos: onde atuar

E nesta região, a política recomendada é vagamente: “Manter satisfeito” ou “Monitorar”.

Após a leitura dos conceitos de Granovetter, minha posição com relação à política do Gerente do Projeto com relação a esta área deve ser de AMPLA INFORMAÇÃO, pois é esta área que mais dissemina e compartilha as opiniões e posições do projeto. Então, entendo que estas partes interessadas devem ser sempre, e muito, informadas sobre os aspectos do projeto, pois atuam como catalisadores das reações formadas.

A cada semana, publicamos novos artigos aqui no Blogtek, sobre Gerenciamento de Projetos, Gestão da Manutenção, e tópicos sobre Liderança e Gestão. Também semanalmente publicamos um vídeo, os quais podem ser acessados em youtube.com/c/Blogtek. Para manter-se informado sobre os próximos artigos, cadastre seu e-mail em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

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