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Comente 03.08.20 743 Visualizações Imprimir Enviar
Inovação: disrupção, mas não ruptura

Inovação: disrupção, mas não ruptura. Pode parecer que essas 2 palavras são sinônimas, porém há uma sutil diferença. Ruptura significa rompimento, quebra violenta, interrupção, violação, corte, anulação de um pacto ou um tratado. Disrupção é a interrupção do curso normal de um processo. O que esta sutil diferença tem a ver com inovação? É algo que me ocorreu ao ler um artigo do Kaio Serrate, um dos “Top Voice” do LinkedIn, denominado “O que um bug no Spotify me ensinou sobre inovação”. Basicamente (leia o artigo!): Pessoas desejam reconhecer elementos familiares em meio à novidade. Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui ao lado, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

Inovação: disrupção, mas não ruptura – os impressionistas

O livro “Hit Makers – como nascem as tendências” de Derek Thompson (recomendo!) conta uma série de histórias interessantes, principalmente em um momento em que todos nós queremos nos destacar na multidão.

E uma das histórias versa sobre os impressionistas. Não sou um expert em arte, mas quando se fala em Impressionismo, vem à minha mente os nomes de Monet, Manet, Cèzanne, Degas, Renoir, Pissarro… os que entendem elencam também um outro nome, o qual confesso não me era familiar: Sisley.

Mas raramente, mesmo para os críticos de arte, vem à mente o nome de Gustave Caillebotte. Contudo, críticos que estudam o Impressionismo destacam seus trabalhos como excelentes. Porém, por que não tem o mesmo destaque que os demais?

Na realidade, Caillebotte era contemporâneo e amigo destes impressionistas elencados. Eles eram todos “parças” de Caillebotte, conforme gíria atual, até porque Caillebotte era de família rica, e comprava muitas das obras de arte de seus amigos, seus “parças”.

Caillebotte tinha certa paranoia, um medo de morrer jovem, medo este que se confirmou: morreu aos 45 anos, vítima de derrame cerebral. Em seu testamento, havia determinado que sua coleção de obras de arte de seus amigos impressionistas fosse exibida no Museu de Luxemburgo, em Paris. Apesar de ser uma coleção que atualmente valeria bilhões de dólares, àquela época houve muita resistência do governo francês e do mundo artístico, finalmente a coleção foi colocada no museu. Dentre as obras, nenhuma do próprio Caillebotte.

Inovação: disrupção, mas não ruptura – James Cutting

Em 1994 James Cutting, um psicólogo e cientista cognitiva, além de amante das artes, estava observando quadros impressionistas, e se indagou porque Caillebotte não era tão famoso quanto os demais, apesar de ter quadros belíssimos, comparáveis aos demais impressionistas tão conhecidos. Veja a figura abaixo, que compara um quadro de Monet com um de Caillebotte:

Inovação: disrupção, mas não ruptura
Inovação: disrupção, mas não ruptura

Conhecendo a história de Caillebotte, e de sua doação dos quadros de seus amigos, Cutting aventou a hipótese de que os impressionistas mais famosos eram mais famosos porque os demais quadros deles remetiam a algo conhecido, ou seja, havia certa familiaridade com aqueles quadros, com aquele estilo, da mesma forma que Kaio Serrate relata com relação às playlists do Spotify: Pessoas desejam reconhecer elementos familiares em meio à novidade.

No entanto, esta era apenas uma hipótese. Para testar a veracidade desta hipótese, submeteu a mais de uma centena de alunos de suas classes de psicologia uma sequência de duplas de quadros: uma de um impressionista famoso, junto a de outro impressionista, não necessariamente Caillebotte, mas também pintores de qualidade reconhecida. 60% do público optou sempre pela tela do artista mais famoso como a mais bela.

Em outra classe, antes de submetê-los ao mesmo tipo de teste, bombardeou durante semanas a fio, em suas aulas, com telas de outros pintores impressionistas, aqueles de boa qualidade, porém de menor expressão.

E ao submetê-los ao mesmo teste, entre 51 pares de figuras, em 41 deles a pintura mais escolhida foi a menos famosa, porém mais vista no passado recente, durante as aulas…

Inovação: disrupção, mas não ruptura – conceito MAYA

O exemplo do Spotify, onde as playlists deslancharam quando incluíam algumas músicas conhecidas, e o exemplo dos pintores impressionantes ilustra que o público clama por inovações, as quais devem, porém manter ainda algum vínculo, alguma lembrança familiar.

Quem já antevia isto foi Raymond Loewy, o mais famoso designer do século XX. Nascido na França, e vivendo nos EUA, foi quem deu o formato atual da geladeira, até então um objeto desengonçado; o símbolo hoje universal de garfo e faca indicando um restaurante, a concha símbolo da Shell, o primeiro carro de passeio com linhas aerodinâmicas, uma locomotiva totalmente diferente das clássicas…

Inovação: disrupção, mas não ruptura
Inovação: disrupção, mas não ruptura – Raymnond Loewy

Raymond Loewy criou um acrônimo, denominado MAYA: Most Advanced, Yet Acceptable (o mais avançado, porém ainda aceitável). Que basicamente se traduz em criar algo novo, mas com algumas sutis raízes em coisas conhecidas.

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

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