Gerenciamento de Projetos

11 Comentários 02.06.13 10389 Vizualizações Imprimir Enviar
Identificar os Riscos

Head With Idea Concept by nattavutProsseguindo nosso aprofundamento nos processos que compõem a área de conhecimento Gerenciamento dos Riscos do Projeto, iremos abordar uma fase fundamental, que é “Identificar os Riscos”. Para saber mais sobre o Gerenciamento de Riscos, leia os artigos anteriores do Blogtek: Conceitos do Gerenciamento de Riscos e o Planejamento do Gerenciamento de Riscos.

Identificar os Riscos: o conceito de Risco

Segundo o PMBoK Guide, Risco de Projeto é um evento ou condição incerta que, se ocorrer, terá um impacto positivo ou negativo em um ou mais objetivos do Projeto, tais como Escopo, Prazo, Custo, e Qualidade.

Esta definição desmitifica o conceito de risco é sempre ruim. O risco pode ter um impacto positivo, e neste caso, ao invés de ameaça, ele se torna uma oportunidade.

Também se percebe que risco não é um evento circunscrito às questões de Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS), como alguns ainda imaginam.

São exemplos de riscos (negativos ou positivos):

  • Baixa disponibilidade de mão de obra
  • Mão de Obra não qualificada
  • Contratos que ultrapassam o valor previsto
  • Redução no prazo de execução do contrato
  • Indisponibilidade de guindastes
  • Não obtenção de um licenciamento ambiental
  • Disponibilização de um método construtivo mais eficiente
  • Não aprovação do EVTE (Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica)
  • Atraso na chegada de um equipamento
  • Não cumprimento do escopo contratual no Prazo

São tantos os exemplos, que se percebe claramente a necessidade de uma equipe multifuncional engajada nesta atividade de identificar os riscos, pois determinados riscos poderão ser percebidos apenas por uma determinada área de especialização.

 Identificar os riscos também não é uma atividade única, concluída de uma só vez. É um processo iterativo, pois os cenários mudam, novos riscos surgem, outros deixam de existir, portanto é necessário prever, de acordo com as especificidades do Projeto, uma adequada periodicidade de reuniões de revisão dos riscos.

 Técnicas para Identificar os Riscos

 Brainstorming

 

Brainstorm Definition Magnifier by Stuart MilesÉ a mais usual das técnicas de coleta de dados. Significa “Tempestade Cerebral”, e por vezes é entre nós brasileiros, jocosamente chamado de “Toró de parpite”. Reúne-se uma equipe multidisciplinar, muitas vezes com participações externas ao Projeto, e, com a ajuda de um facilitador, são levantados potenciais riscos. Há algumas técnicas para o Brainstorm, e a principal delas é não estabelecer censura, tal como “Isto jamais ocorrerá”, ou, “Isto não tem nada a ver”. Nenhuma ideia deve ser descartada ou considerada errada. Em uma fase posterior, as ideias serão classificadas por categorias, riscos similares serão agrupados, e posteriormente as melhores contribuições serão selecionadas, e  eventualmente aperfeiçoadas. A utilização de um quadro para anotar as ideias, ou o uso de papeis “post-it” é fundamental.

O facilitador deve ter habilidade em não inibir a formação de ideias, pois já é uma tendência natural do ser humano se resguardar, então o clima deve ser propício à criatividade.

Enquanto fui Gerente do Contrato de Terraplenagem da Refinaria Premium I, devido à minha formação de Engenheiro Mecânico, ao invés de me sentir tolhido em emitir ideias, pelo contrário, me sentia livre para pensar fora da caixa…

 Método Delphi

Ao contrário do Brainstorm, onde a exposição é aberta, o método Delphi preconiza que o facilitador prepare um questionário, e o envie para diversos especialistas, os quais responderão de forma anônima. Os questionários respondidos são resumidos, e este resumo é recirculado entre os especialistas, que agregarão mais comentários.

Vantagens:

  • É adequado para a busca de consenso entre especialistas
  • Não requer presença, pode ser feito virtualmente

Desvantagens:

  • É demorado
  • O facilitador tem que ter bom conhecimento do assunto, para poder adequadamente sumarizar as respostas, e submetê-las novamente aos especialistas

 Análise de Listas de Verificação (Checklist Analysis)

Busca identificar os riscos, a partir de listas de verificação (Sim, Não, Não aplicável), obtidas a partir das informações históricas e conhecimento de Projetos similares.

A desvantagem é a tendência de limitar-se apenas aos riscos já conhecidos, de projetos similares, não criando estímulo para que se identifiquem novos riscos, característicos deste novo projeto.

 Análise de Premissas

Premissas são conceitos assumidos como verdadeiros para a concepção e planejamento do Projeto. Caso estas premissas não se verifiquem, o planejamento terá falhas, e o projeto como um todo pode não mais ser viável. Por isso, cabe fazer uma rigorosa análise das premissas.

Como exemplo, imaginemos um projeto de implantação de uma usina eólica de energia, em um lugar onde há bastante vento, e onde há carência de energia hidroelétrica, e de gás para suprimento de termoelétricas.

Premissas, na fase conceitual do Projeto:

  • Carência de energia hidroelétrica na região
  • Falta de gás para acionar termoelétricas

Dificilmente esta região passará a ter potencial hidroelétrico, pois isto depende de características de relevo de terreno, bastante imutáveis.

Porém, em uma rodada de blocos exploratórios de óleo e gás, um súbito interesse de empresas para arrematarem estes blocos é indício da possibilidade de presença de gás nesta região, o que poderá inviabilizar economicamente o Projeto.

 Técnicas de Diagramas

Diagrama de Causa e Efeito (diagrama de Ishikawa, ou espinha-de-peixe): são úteis para identificar as causas dos riscos.

 

Diagrama de Causa e Efeito, com os 6 "M"s

Diagrama de Causa e Efeito, com os 6 “M”s

Fluxogramas de Processo: evidenciam como os elementos de um sistema se interrelacionam, permitindo identificar causas de falhas.

 

Fluxograma
Fluxograma

Diagrama de influência: há modelos matemáticos bastante complexos, para transformar árvores de decisão em diagramas de influência, mas, para a atividade de identificar os riscos, usualmente é empregado de forma apenas conceitual, criando setas entre riscos, causas, conseqüências, para identificação dos aspectos que mais impactam nos demais, e quais são mais impactados.

Identificar 03

Diagrama de Influência

Análise SWOT (Strengths, Weaknesses, Opportunities, Threats – Forças, Fraquezas, Oportunidades, Ameaças)

 

Esta é uma ferramenta bastante comum, em que se busca identificar, para uma organização ou para um projeto:

No ambiente interno:

Strengths (Forças): Vantagens internas do projeto em relação aos demais projetos concorrentes

Weaknesses (Fraquezas): Desvantagens internas do projeto em relação aos demais projetos concorrentes

No ambiente externo:

Opportunities (Oportunidades): aspectos positivos que favorecem os potenciais resultados do Projeto.

Threats (Ameaças): aspectos negativos que põem em risco os potenciais resultados do Projeto

Usualmente estes itens são dispostos em um quadro dividido em 4 quadrantes, geometricamente representado:

Análise SWOT

Análise SWOT

Onde:

Forças e Oportunidades – Quadrante Desenvolvimento: Maximizar os pontos fortes para aproveitar as oportunidades detectadas.

Forças e Ameaças – Quadrante Manutenção:  Maximizar os pontos fortes para minimizar os efeitos das ameaças detectadas.

Fraquezas e Oportunidades – Quadrante Crescimento: Desenvolver estratégias para minimizar os efeitos negativos dos pontos fracos e simultaneamente aproveitar as oportunidades detectadas.

Fraquezas e Ameaças – Quadrante Sobrevivência: As estratégias a adotar devem minimizar os pontos fracos e, na medida do possível, enfrentar as ameaças.

 Parecer de Especialistas

Em muitos assuntos, especialistas em determinadas áreas podem ser chamados para auxiliar na identificação de riscos.

 Identificar os Riscos – Lista de riscos identificados

O produto do processo de Identificar os Riscos será uma lista detalhada e categorizada dos riscos. Ainda que potenciais respostas aos riscos possam ser incluídas, estas respostas serão buscadas ao longo da Análise Qualitativa e Quantitativa dos Riscos, e serão incorporados ao mais importante documento desta área de conhecimento, Gerenciamento de Riscos, documento que irá acompanhar o projeto até o seu término, sendo constantemente revisto: o Plano de Respostas aos Riscos.

Mas, isto veremos nos próximos artigos. Para ser informado das publicações do Blogtek, cadastre seu e-mail no topo da página, à direita. SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

 

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

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