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Fayol – releitura de clássicos da administração

Stonner 6 Comentários 22.03.16 1666 Vizualizações Imprimir Enviar

Fayol – releitura de clássicos da administração: assim como um biólogo não pode prescindir da leitura de “A origem das espécies”, de Charles Darwin, e um físico não pode abrir mão do conhecimento de Newton e outros clássicos, também o Líder e Gestor não pode deixar de conhecer a obra do pai da Moderna Administração, Jules Henri Fayol. Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui ao lado, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

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Fayol – releitura de clássicos da administração: POC³

Engenheiro de minas francês, nascido na Turquia, filho de um contramestre de metalurgia, cedo se interessou pelos aspectos da administração, começou aos dezenove anos a trabalhar na Compagnie de Commentry-Fourchambeau-Decazeville, a qual se encontrava à beira da falência, e paulatinamente levou a empresa a reverter este quadro. Ao longo deste período, idealizou e aplicou os princípios de administração que o tornariam referência no assunto. Após sua aposentadoria à frente desta empresa, fundou, nos últimos anos de sua vida, o Centro de Estudos Administrativos.

Fayol, Taylor e Ford são considerados pioneiros da administração. Enquanto a visão de Ford era do Dono, a visão de Taylor era do Trabalhador, a visão de Fayol era do Gestor.

Dentre as várias funções existentes em uma empresa (técnicas, comerciais, de segurança, financeira, contábeis e administrativa), Fayol julgava as técnicas administrativas as mais importantes, cujas componentes são abaixo destacadas, formando o acrônimo POCCC ou POC³.

  • Planejar – estabelecer os objetivos e metas da empresa (ou organização; Fayol defendia que estes princípios se aplicam a qualquer organização). Como atingir as metas, definir os processos decisórios. Possui três níveis (Estratégico, tático e operacional).
  • Organizar – coordenar os recursos humanos, financeiros e materiais da empresa, conforme o planejado. Transformar o planejamento em realidade.
  • Comandar – alocar as tarefas aos executantes, e garantir o cumprimento destas tarefas. Explicitar atribuições e responsabilidades.
  • Coordenar – alinhar todas atividades e esforços da empresa para um fim comum, buscar otimizar o vetor resultante dos esforços individuais e setoriais.
  • Controlar – estabelecer padrões e indicadores de desempenho, de forma a garantir que tudo ocorra conforme previsto, de acordo com as regras e princípios da empresa.

Atualmente, ao invés do acrônimo POC³, utiliza-se PODC (Planejar, Organizar, Dirigir, Controlar)

Fayol – releitura de clássicos da administração: 14 princípios

Fayol identificou 14 princípios relevantes e fundamentais para a eficácia da Administração. São eles:

  1. Divisão do trabalho: decompor o trabalho em tarefas especializadas e específicas, e alocá-las para os componentes da empresa, buscando aumento da produtividade e eficiência na produção. “Produzir mais e melhor com o mesmo esforço”.
  2. Autoridade e Responsabilidade: autoridade = poder de dar ordens, comandar; responsabilidade = obrigação de prestar contas. “Equilíbrio entre ambas é condição essencial de uma boa administração.”
  3. Disciplina: estabelecer regras de conduta, zelar pelo cumprimento e punir as violações. Ausência de disciplina gera caos. “Consiste na obediência e assiduidade conforme convenções estabelecidas.”
  4. Unidade de comando: para cada ação, o agente deve receber ordens de um único chefe ou gerente. Hoje em dia, há um ditado popular que ilustra isto: “Cachorro que tem dois donos morre de fome.” “Um agente deve receber ordens somente de um chefe.”
  5. Unidade de direção: todos os esforços dos colaboradores devem estar voltados para o atingimento dos objetivos e metas organizacionais. “Um chefe, um programa, e o mesmo objetivo.”
  6. Subordinação: os interesses dos funcionários da empresa não devem se sobrepor aos interesses da organização. Extrapolado para a administração pública, diz-se que o Interesse Público prevalece sobre o Interesse Privado. “O interesse de um agente ou de um grupo de agentes não deve prevalecer sobre o interesse da empresa.”
  7. Remuneração: a remuneração dos funcionários deve recompensar os esforços individuais, sendo justa para empregados e empregadores. “Deve ser equitativa e, tanto quanto possível satisfazer ao mesmo tempo ao pessoal e à empresa.”
  8. Centralização: a responsabilidade final dos resultados é dos gestores, os quais devem saber dar autoridade à sua equipe, para melhor realização das atividades. “Saber delegar.” (leia mais aqui)
  9. Hierarquia: respeito à linha de autoridade, seguindo a cadeia de comando. “Constitui a série dos chefes que vai da autoridade superior aos agentes inferiores.”
  10. Ordem: organização de tarefas e materiais, com locais definidos, de forma a auxiliar na gestão.
  11. Equidade: a justiça deve prevalecer em toda a organização, Direitos iguais, disciplina e ordem justas melhoram o comportamento dos empregados.
  12. Estabilidade do pessoal: promover a lealdade e longevidade dos empregados, diminuindo a rotatividade. Rotatividade alta tem impactos negativos sobre o desempenho e moral dos funcionários, consequentemente da empresa.
  13. Iniciativa: incentivar os empregados a buscarem soluções para os problemas. “Conceber um plano e assegurar-lhe o sucesso é uma das mais vivas satisfações que o homem inteligente pode experimentar.”
  14. Espírito de equipe: valorizar a integração, harmonia e o entendimento entre os membros da organização, estimular a conscientização da identidade de objetivos e esforços. Entender que estão todos no mesmo barco.

 Fayol – releitura de clássicos da administração: críticas

Atualmente há algumas releituras críticas de Fayol. De fato, há um enfoque muito grande no comando, considera a organização muito isolada e não afetada pelo mundo exterior, e hoje vemos a velocidade das mudanças que nos cercam, e a necessidade de constantes adaptações.

Nada disto, no entanto, invalida o trabalho de Fayol, de onde muitas lições de administração continuam sendo aprendidas.

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

DEIXE O SEU COMENTÁRIO

  • Moschin

    Bom dia amigos/as, Stonner

    Muito interessante o artigo como reavivamento de teorias da administração e pela possibilidade de se colocar esses assuntos em discussão.

    Os processos de gestão em nossas empresas dão tecnicistas, mecanizados e muitas vezes, seguem estruturas hierárquicas rígidas, baseadas nas estruturas e gestões militares ou eclesiásticas, ou seja, de cima para baixo.
    Como tenho defendido em toda oportunidade, tudo é trabalhado nas empresas em cima da função da pessoa e não no ser humano que existe nessa pessoa.
    Para ilustrar, segue um exemplo. Treina-se a função soldador e esquece-se que o treinado é um ser humano que vai exercer a função de soldador. Ou seja, o foco é o ser humano.
    Dito isto, nota-se ainda nas empresas a limitação ao desenvolvimento da criatividade nas pessoa. Como dizia Pink Froyd, é como se o trabalhador fosse mais um tijolo na parede. A pessoa é colocada para que se encaixe justamente em determinada posição.
    Esta é uma das causas de tantos conflitos capital x trabalho.
    As teorias apresentadas são interessantes como uma referência, como um balizador, mas as empresas precisam tratar o ser humano como ser humano e não como recursos humanos.
    abs

  • Muito obrigado pela contribuição, Moschin!!

  • Wesclei Furtado

    Parabéns Stonner pelo reavivamento dessa literatura de Taylor, muito brilhante.

    A partir de agora estarei acompanhado seu blog e todos seus comentários.

    A minha colaboração para esse momento e percepção para falar é que toda estrutura de GOP de uma empresa tem entendimento sobre os princípios de Taylor, agora vejo que poderia se ter uma pesquisa nos líderes para realmente entender efetivamente e sistematicamente o que acontece e porque existe um contraste desproporcional da ciência com a prática diária.

    A resposta parece ser óbvia, mas fico com um sentimento de que tudo não passará. Precisamos de uma nova revolução de gerir de administrar, precisamos ter/ou criar um núcleo sistemático de pesquisa para modernização, educação e reeducação das ciências sociais.

    Existe centros e núcleos de pesquisa para engenharias, medicina, e etc e etc… Mas para administração e ciências sociais estamos atrasados. Contem comigo, vamos pensar nisso ai.

    Essa é minha reflexão e proposta a uma solução. Abraço a todos.

    Wesclei Furtado

  • Bem vindo ao Blogtek, Wesclei, e desde já grato pelo comentário!

  • Jose Gustavo Rubio Vivoda

    Senhores(a) :

    Excelente materia apresentada, me fez re-lembrar materia na Faculdade Sao Marcos-Sp, TGA (Teoria Geral Administracao)

    Parabens a todos !!

    Gustavo

  • Obrigado, José Gustavo!!!

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