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Comente 10.08.20 560 Visualizações Imprimir Enviar
Estoque de produtos químicos – What you don’t have, can’t leak

Estoque de produtos químicos – What you don’t have, can’t leak (o que você não tem, não pode vazar): Trevor Kletz (1913/2022) é uma referência em termos de segurança industrial.  Autor de livros consagrados tais como “Process Plants – a handbook for inherently safer design”, “Lessons from Disaster”, “Learning from Accidents”, “What Went Wrong?”, “Still going wrong” e muitos outros, sua obra é sempre lembrada quando ocorre um acidente como a explosão em Beirute, e sempre nos damos conta de que muitas lições NÃO foram aprendidas. Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui ao lado, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

What you don’t have, can’t leak – a origem

Esta expressão foi criada por Kletz, após o acidente de Flixborough, uma planta na Inglaterra que produzia um insumo para a fabricação de nylon, a partir do ciclohexano. O gatilho para a explosão foi um by-pass construído para substituir uma linha onde havia uma enorme trinca (leia mais aqui). Este by-pass foi construído e testado apenas com relação à estanqueidade, não à resistência estrutural, e em dado momento se rompeu (abril de 1974).

Porém, e este é o ponto crucial para Kletz, havia uma quantidade excessiva de ciclohexano estocado, o que gerou a explosão ao vazar e encontrar um ponto de ignição. O resultado foram 28 vítimas fatais, 36 feridos (o número de mortos e feridos só não foi maior porque o acidente ocorreu em um sábado), e mais de 2.000 residências danificadas. Veja o vídeo.

Em um artigo escrito em 1978, Kletz mencionou a hoje famosa frase “What you don’t have, can’t leak” (o que você não tem, não pode vazar), e cunhou a expressão Segurança Inerente.

What you don’t have, can’t leak – evitar estoques de produtos químicos

Quando há produtos químicos estocados, dependendo de cada produto, existem precauções a serem tomadas, normas a serem obedecidas. Aqui no Brasil, existe a FISPQ (Ficha de Informações Sobre Produtos Químicos), e cada país tem mecanismos equivalentes, porém Kletz sempre advogou que a medida mais eficaz sempre foi MINIMIZAR a estocagem de produtos químicos perigosos.

What you don’t have, can’t leak – inúmeros exemplos

Infelizmente, há inúmeros casos de acidentes de grandes proporções que poderiam ter sido evitados, ou suas consequências drasticamente reduzidas, se não houvesse estoque excessivo de produtos químicos perigosos. Se não, vejamos:

Seveso, Itália, 1976 – vazamento de dioxina

Bhopal, Índia, 1984 – vazamento de metil-isocianato – mais de 18.000 fatalidades dentro das duas semanas subsequentes ao acidente, e mais de 150.000 pessoas sofrendo até hoje de consequências.

São Francisco do Sul, Brasil, 2013 – incêndio em um depósito de fertilizantes, onde havia nitrato de amônio.

Leia mais sobre estes eventos aqui.

Texas City, 1947 – explosão de dois navios no porto, carregados de…. nitrato de amônio, caracterizando o pior acidente industrial dos EUA. 581 mortos, mais de 3.500 feridos.

West, Texas, 2013 – explosão em uma fábrica de fertilizantes, onde havia 2.700 toneladas de… nitrato de amônio. 15 fatalidades, porque a fábrica era afastada de centros urbanos, e era de madrugada.

Beirute, Líbano, 2020 – explosão de 2.750 toneladas de nitrato de amônio, no porto. Mais de 150 mortos, milhares de feridos, números ainda aumentando, grande área totalmente destruída, impactos no abastecimento…

What you don’t have, can’t leak – or be blown up by terrorists

Não bastassem os significativos exemplos de como se deve evitar estoques de produtos químicos perigosos, por mais que existam regras, normas, procedimentos de segurança (lembrem-se da Lei de Murphy, se algo pode dar errado, vai dar!), Paul Orum acrescentou mais um ingrediente, após os acontecimentos de 11 de setembro, e publicou um artigo em Novembro de 2008, mencionando o risco de estoques de produtos químicos serem alvo de atentados terroristas (Leia a íntegra aqui).

Neste trabalho de Paul Orum, ele lista uma série de facilidades nos EUA potencialmente perigosas (Apêndices A e B), porém lista também possíveis soluções para mitigar estes riscos, a metodologia utilizada (Apêndice C) e uma lista de produtos perigosos (Apêndice D).

Esperemos que este rol de exemplos sirva para que os gestores industriais se conscientizem da necessidade de reduzir ao mínimo os estoques de produtos químicos perigosos.

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

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