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Entendendo as relações interpessoais – a Janela de Johari

Stonner 27 Comentários 08.05.13 54488 Vizualizações Imprimir Enviar

Puzzle Solved And 3d Characters Shows Unity And Teamwork by Stuart MilesMuito temos escrito aqui no Blogtek sobre relações interpessoais, um tópico de extrema importância sob qualquer aspecto da Gestão. Hoje iremos conhecer a Janela de Johari, a qual permite entender como as relações interpessoais se interconectam através de dois eixos: o nosso auto-conhecimento, e o conhecimento que os demais tem sobre nós.

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A Janela de Johari – Conceito

A Janela de Johari é uma ferramenta conceitual, gráfica, que nos permite entender os aspectos da comunicação interpessoal e os relacionamentos com o grupo. É um conceito aplicável em várias situações, entre indivíduos, grupos e organizações. Foi desenvolvida em 1955 por Joseph Luft e Harrington Ingham, e seu nome deriva da união de partes dos nomes de ambos criadores: Jo(seph) + Hari(ngton).

A representação da janela de Johari

A Janela de Johari é composta a partir de dois eixos: um eixo (habitualmente o eixo horizontal) representa o nosso Auto-conhecimento, e é dividido em duas regiões, o que é conhecido para si (o indivíduo), e o que é desconhecido para si. O outro eixo, usualmente vertical, representa o conhecimento que os demais tem sobre nós, e também é dividido em duas regiões: o que é conhecido sobre o indivíduo, pelo grupo, e o que é desconhecido para o grupo. Estas divisões dos eixos formam quatro quadrantes, assim denominados:

Conceito da janela de Johari

Conceito da janela de Johari

O Quadrante Público consiste naquilo é de nosso conhecimento e dos demais; o Quadrante Cego consiste naquilo que os demais percebem em nossa personalidade, e não nos damos conta; o Quadrante Secreto consiste naquilo que sabemos que somos, porém é desconhecido dos demais; o Quadrante Desconhecido é formado pelo que tanto nós como os demais desconhecem sobre nossa pessoa. Estes quadrantes não são fixo, eles se movem sob a ação de duas forças: o Feedback e a Autoexposição.

Feedback é o que os demais membros do grupo, organização, time,  se dispõem, se sentem à vontade para lhe dizer sobre você. É a medida de quão sinceros e francos os demais podem ser relativamente a suas ideias, comportamentos e atitudes. O Feedback movimenta o eixo horizontal, ou seja, aumenta seu autoconhecimento.

Autoexposição é o que você se sente à vontade para compartilhar, transmitir sobre você e sua personalidade. A Autoexposição movimenta o eixo vertical, ou seja, aumenta (ou diminui) o conhecimento que os demais tem sobre você.

Evolução da Janela de Johari, entre indivíduos, ou indivíduos e grupos:

Dois indivíduos que não se conhecem, foram recém-apresentados, tal como um novo gerente e sua equipe, um professor e sua nova turma, ou dois indivíduos quaisquer, evidentemente tem pouco conhecimento entre si, portanto ao desenhar a Janela de Johari para um dos indivíduos, ela teria a seguinte representação:

Janela de Johari, sem feedback nem autoexposição

Janela de Johari, sem feedback nem autoexposição

Evidentemente, esta é uma situação normal, em um primeiro momento, onde o Eu Desconhecido é muito grande. Se na relação Líder-Equipe este quadro se mantiver, teremos caracterizado um potencial inexplorado, criatividade reprimida, relacionamento tenso, podendo gerar hostilidade e insatisfação. Este quadro é muito comum em organizações burocráticas, em que as relações interpessoais ficam muito tolhidas pela rigidez hierárquica.

Quando a equipe lhe dá feedback, o seu autoconhecimento aumenta, ainda que o conhecimento dos demais sobre você se mantenha inalterado:
Janela de Johari, com feedback, sem autoexposição

Janela de Johari, com feedback, sem autoexposição

Isto ocorre quando o líder tem uma tendência marcante de perguntar sobre si mesmo, mas não retribui com a exposição. Aumenta a área do Eu Secreto. O líder é visto pela equipe como distante, manipulador, e até inseguro, gerando tensões e sentimentos negativos na equipe.
Janela de Johari, com autoexposição, sem feedback

Janela de Johari, com autoexposição, sem feedback

Quando o líder se expõe, porém sem a contrapartida de solicitar feedback, a área do Eu Cego aumenta. Neste caso, o líder pode suscitar a ideia de exagerada auto-confiança, egocentrismo, extremo autoritarismo e insensibilidade.
Quando conseguimos solicitar e obter feedback, e em paralelo nos expomos de maneira franca e acessível, aumentamos em muito a Eu Público:
Janela de Johari, com feedback e autoexposição

Janela de Johari, com feedback e autoexposição

Neste quadro, as ideias fluem melhor, a comunicação é livre, e tudo favorece um crescimento da equipe e melhor obtenção de resultados.

Relações Interpessoais e a Gestão:

  • Os gestores de hoje despendem cerca de 20% do seu tempo tentando resolver conflitos internos.
  • O Princípio 90/10 de Stephen Covey:
    • 10% da vida estão relacionados com o que se passa com você.
    • 90% da vida estão relacionados com a forma como você reage ao que se passa com você.

 

 

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

DEIXE O SEU COMENTÁRIO

  • Caro Stonner,

    Passei a ser um leitor assiduo de seus artigos que sao simples, claros, e aborda os diferentes aspectos relacionados a gerenciamento e comportamento de uma forma bastante interessante.

    Muito Obrigado.

    Marcos Ishii

  • Prezado Marcos, agradeço o estímulo, e buscarei sempre corresponder às expectativas!

  • izandra

    Excelente texto. Muito bem abordado e nos acrescenta informações relevante sobre os relacionamentos . Estou trabalhando este conteúdo com alunos do curso técnico de Segurança do Trabalho.

  • Fico feliz em poder contribuir com seu trabalho, Izandra!

  • Cláudio Hercílio

    Gostei do texto. Também trabalho na Petrobrás. Aqui vejo pouca disposição das pessoas para fazer o que o texto propõe. Me perece que as pessoas não acreditam na sinceridade e portanto não conseguem ser sinceras também. A teoria da conspiração parece imperar.

  • Valeu, Cláudio! A empresa é muito grande, felizmente há lugares onde existe sinergia.

  • José Carlos Mendes

    Caro Stonner.

    Concordo com suas ideias e admiro seus textos, também trabalho na PETROBRAS, e , apesar do discurso da empresa acho que isto não é praticado da maneira que deveria.
    O próprio sistema de avaliação e a “Percepção de Equipe” contribuem para criar um clima desfavorável de sinceridade dentro da empresa.
    Não acho confortável avaliar um colega de trabalho, estando concorrendo com o mesmo a um nível.
    Desculpe se fugi do tema, mas é apenas para abrir um leque de discussão

    Sds

    Mendes.

  • Olá, José Carlos, acho que a “Percepção da Equipe” é um instrumento importante, mas é necessário treinar a equipe sobre os conceitos, para que possa ser um instrumento efetivo de melhora das pessoas, e das relações. Obrigado pela contribuição.

  • Karla Nicolini

    Stonner,

    Impecáveis seus textos! Não perco nenhum… Sempre que posso utilizo-os como referência, em meu trabalho. Parabéns!
    Grande abraço.

    Karla

  • Muito grato pelo feedback, Karla, espero sempre poder contribuir!

  • Roberto Brito

    Salve grande Stonner, ou, melhor ainda, como se pronuncia : Ixxxxxxxxtonnérrrrrrrrrrrrr !

    Tive a sorte e a felicidade de ser seu aluno em dois cursos rápidos sobre gerenciamento de tempo e de projetos e trago sempre comigo o aprendizado que adquiri com você!

    Seu livro sobre gerenciamento de projetos é um grande manual que sigo e dissemino entre os colegas que se embrenham neste tipo de caminhada, principalmente em paradas de manutenção.

    Show de bola o artigo sobre os MMs do Van Halen!

    Outros temas que gostaria de ver suas considerações aqui no seu blog , e observo como um Calcanhares de Aquiles são:
    – Definição efetiva do escopo de um projeto no tempo certo e a importância de se “estancar” o escopo.

    – Orçamentação “TOP DOWN” (goela abaixo, como se diz nos pampas) versus “BOTTOM UP” .

    – Importância do planejamento microdetalhado

    – O corporativismo versus a competência técnica no diligenciamento de projetos

  • Roberto Brito

    Stonner!

    Postei o comentário esquecendo de enviar-te um grande abraço!

    Desejo-lhe ainda mais sucesso e felicidade!

  • Caro Roberto, obrigado pelo feedback e pelas sugestões!! O Top Down versus Bottom Up já está sendo contemplado em próximos artigos!

  • Um grande abraço para você também, meu caro!

  • Muito bom o texto.Bem explanado,oferece informações excelente sobre relacionamentos

  • Obrigado, Israel, pelo feedback!

  • Professor boa noite.
    Excelente texto a visão e interpretação das relações interpessoais, no caso a Janela de Johari seriam perfeitas que fossem aplicadas na prática, infelizmente, vivemos numa verdadeira inversão das características dos eixos horizontais e verticais, num mercado altemente competitivo, junte-se a isso a falta de investimentos do setor com o desaquecimento da economia, a nuvem negra do desemprego e instabilidade faz com que o Feedback se transforme naquela gaveta velha que a gente não mexe faz tempo buscando aquele e-mail que trocamos há séculos atrás sem pretensão nenhuma, mas que pode fazer a diferença num QI próximo quem sabe, já a Autoexposição se traduz nos milhares de curriculos que vejo todo o dia buscando em desesepero uma recolocação ou algo qualquer é triste e preocupante ao mesmo tempo, pois o “Eu desconhecido” fica mais desconhecido a cada dia que passa e milhares e milhares de curriculos novos são despejados na rede, a janela fica ofuscada e perde seu brilho, consequentemente inutilizando sua real função…

  • Olá, Alexandre, grato pelo comentário e pela reflexão. De fato, concordo que em um ambiente como o descrito, e que realmente corresponde ao atual, as dimensões de Johari ficam mais restritas na utilização. Vejo a aplicação da janela em uma equipe já definida, em que tem que ser construída a relação de confiança e comunicação. Conto com seus comentários!

  • Bruno

    Quem busca acha. “excelente” texto.

  • Obrigado, Bruno! Bem vindo ao Blogtek!

  • Leonardo Lins

    Professor,
    Muito interessante pois me fez refletir sobre a maxima:
    É DANDO (EXPOSIÇÃO) QUE SE RECEBE(FEEDBACK).
    Preciso praticar.
    Vai me ajudar muito.
    Obrigado

  • Obrigado, Leonardo!

  • Adelina pareira

    Este tema, interessante para mim e para os demais,o meu agradecimento e eterno

  • ELIZEU FARIAS

    Espetacular para compreendermos a nós mesmos e aos outros.

  • Desculpe a demora na resposta!! Obrigado pela visita ao Blogtek!

  • Desculpe a demora na resposta!! Obrigado pela visita ao Blogtek!

  • Alexandre Oliveira Florao

    Buscar o feedback para conhecer os vários pontos desconhecidos é fantástico. É uma experiência que demanda preparo e abertura. E ao escutar, alcançamos um autoconhecimento profundo que pode gerar resultados imensos. #borapraaction

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