Gerenciamento de Projetos

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Customização de Normas e Especificações – VIP

Customização de Normas e Especificações – já abordamos aqui no Blogtek o que são as VIP’s (Value Improvement Practices – Práticas de Incremento de Valor), e já abordamos algumas VIP’s específicas: Construtibilidade e Parada de Manutenção. Hoje vamos falar sobre esta importante VIP, em um mundo globalizado. Breve, descreveremos outras VIP’s em detalhe.  Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui ao lado, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

Customização de Normas e Especificações – por quê?

Muitas organizações têm padrões, especificações e normas próprias, as quais muitas vezes se tornaram demasiadamente rígidas, e portanto, custosas, para algumas aplicações, sem necessariamente agregar valor. Muitas destas normas frequentemente excedem as especificações usuais ou internacionais da indústria, muitas vezes estão desatualizadas ou são utilizadas em certas circunstâncias em que normas menos restritivas poderiam ser utilizadas.

Algumas destas normas são tão detalhadas e adequadas às necessidades, ou principalmente, à cultura de certas empresas, que se tornam até difíceis de serem compreendidas por engenheiros e técnicos externos a estas empresas.

Pior, é quando não apenas excedem os requisitos da indústria mundial, mas também conflitam com algumas recomendações contidas em normas internacionais.

Ademais, mesmo quando uma indústria de grande porte elabora suas próprias normas baseadas em sua experiência com determinado tipo de material ou equipamento, há que se convir que o mercado fornecedor tem provavelmente um espaço amostral muito maior, de onde extrair informações e manter suas normas sempre atualizadas.

Customização de Normas e Especificações – o que é uma “jaboticaba”?

No meio técnico, alguns de nós se referem às normas e padrões tipicamente brasileiros, e distintos do mundo todo, como “jaboticabas”. Isto porque jaboticaba é uma fruta tipicamente brasileira, não sendo encontrada em outros países.

Padrão Brasileiro de tomada

Padrão Brasileiro de tomada

Um exemplo de “jaboticaba” remonta aos tempos da implantação da televisão em cores. Havia dois padrões disponíveis no mercado, o NSTC e o PAL. Foi adotado aqui para o Brasil, por volta da Copa de 70, quando o Brasil conquistou o tricampeonato mundial, um padrão misto, chamado PAL-M, o que encareceu em muito a fabricação dos primeiros modelos. Esta discrepância de padrões durou até a época das fitas vídeo-cassete.

Um exemplo mais recente é o novo padrão de tomadas elétricas. Certamente o padrão brasileiro é muito seguro: observe que pelo fato dos pinos serem metálicos apenas em sua extremidade, e o macho da tomada se encaixar em uma reentrância, faz com que seja virtualmente impossível uma criança levar um choque removendo a tomada. Portanto, não estou julgando o mérito, apenas destacando o fato de que é um sistema único no mundo, caracterizando-se portanto como uma “jaboticaba”.

Customização de Normas e Especificações – como aplicar?

Esta VIP deve ser aplicada quando as Normas da contratante não são mandatórias (por exemplo, em uma instalação fabril em outro país), e quando a aplicação das Normas da contratante pode levar a custos excessivos, sem agregar valor, sob o aspecto técnico, econômico ou de segurança. Recomenda-se que esta VIP seja aplicada na Fase FEL 2 ou FEL 3 (leia mais em Metodologia dos Portões).

Um exemplo que vivenciei, quando trabalhei um período nos Estados Unidos, foi o contraste entre o rigor das normas Petrobras para pintura, e as normas locais.

Por isto, esta VIP é considerada indispensável em projetos internacionais, para garantir que normas devem ser utilizadas, e verificar a compatibilidade entre normas de diferentes países. É também aplicada para assegurar que os custos das instalações não sejam aumentados, através da aplicação de normas e procedimentos que possam exceder as necessidades reais da planta. Diminui a quantidade de documentos, e lhes dá consistência.

O processo desta VIP é, como usualmente é feito para as demais VIP’s, através de um Grupo de Trabalho ou Força-Tarefa, constituído de 4 a 5 pessoas, incluindo o Gerente de Projeto, com poder de decisão em caso de indefinições, um Facilitador, com experiências em Normas Técnicas, e um representante do Suprimento.

Esta equipe, analisando as normas usualmente aplicadas, comparativamente às normas internacionais, às normas e especificações do fabricante, buscará identificar um conjunto de normas, especificações e procedimentos, buscando consistência, simplificação e uniformidade de uso.

Outras VIP’s serão abordadas em detalhes nos próximos artigos do Blogtek. Para manter-se informado sobre os próximos artigos, cadastre seu e-mail em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

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