Liderança e Gestão

Comente 16.11.20 305 Visualizações Imprimir Enviar
Criatividade e Execução – uma conciliação difícil

Criatividade e Execução – uma conciliação difícil. Atualmente, estou lendo o livro “10 rules for Strategic Innovators”, subtítulo “From Idea to Execution”, de Vijay Govindarajan e Chris Trimble, E logo no primeiro capítulo encontrei uma referência que me fez lembrar de um artigo já publicado aqui no Blogtek, intitulado “Por que boas estratégias falham?”.

No referido artigo, comento sobre uma pesquisa feita pelo PMI com executivos C-level, os quais destacam que o principal motivo de boas estratégias falharem, é devido a falhas na implementação, ou seja na execução.   

E no livro o autor retrata o mesmo problema: o executivo estimula criatividade e a inovação, porém falha na implementação, ou seja, na transição da criatividade para a eficiência.

Isto porque os códigos formais, ou informais, da eficiência (garantidora da execução) e da criatividade (garantidora da inovação) são muito distintos como se pode observar na tabela abaixo:

Criatividade e Execução

É necessária uma transição suave da Criatividade, que deve ser alta no início do processo de inovação, à Eficiência, que deve ser alta ao fim do processo. Afinal, não basta apenas criar, é necessário produzir, gerar renda.

O processo da Ideia ao Lucro pode ser representado pela figura abaixo:

Criatividade e execução

O ponto crucial está no meio do processo, na transição da Criatividade para a Eficiência.

Os autores do livro recomendam, para cruzar este vácuo na transição, utilizar os desafios do Esquecer, Pedir Emprestado, Aprender.

Criatividade e Execução – Esquecer

Existe a tendência natural de se repetir processos que foram bem-sucedidos. Porém se estamos buscando inovar, é necessário esquecer algumas coisas. A própria definição do negócio: Quem são nossos clientes? Que valores entregamos aos nossos clientes? Como entregamos estes valores?

Como vimos no artigo aqui publicado “Inovação e Melhorias Incrementais”, o que difere a Inovação das Melhorias Incrementais é que a Inovação cria novos mercados.

O exemplo dado no artigo mencionado é da evolução do Toca-discos, às fitas cassete, ao CD, ao DVD…tudo isso foi furo de melhorias incrementais, porque foi sempre uma mesma abordagem de mercado: oferecer um produto físico a ser comprado, para ouvir música, sem possibilidade de personalizar o produto. Assim, o cliente compra um CD com doze músicas, das quais gosta apenas de quatro ou cinco.

Já o modelo de streaming é de fato uma inovação, pois muda totalmente a abordagem: o cliente paga uma assinatura, para ter acesso a quaisquer músicas (ou filmes) que queira.

Portanto, para gerar uma inovação, devemos ESQUECER os modelos anteriores, e reconhecer que uma inovação irá requerer habilidades e competências distintas.

Neste aspecto, as start-ups têm inequívoca vantagem, pois justamente por serem start-ups, não têm modelos tradicionais de negócios pré-existentes.

Criatividade e Execução – Pedir emprestado (borrow)

Os intraprenneurs (empreendedores internos) podem usar certos ativos organizacionais para facilitar o desenvolvimento do processo. Ou seja, há coisas que podem ser utilizadas, sem criar barreiras à criatividade e inovação: canais de distribuição, clientes existentes, rede de fornecedores, capacidade fabril, credibilidade, marca… claramente, neste quesito empresas já constituídas têm vantagens sobre start-ups.

Criatividade e Execução – Aprender

O aprendizado a que os autores se referem diz respeito principalmente às previsões de lucro. Afinal, toda inovação cria um novo mercado, e neste novo mercado busca-se o lucro.

Como o modelo vigente foi “esquecido”, é necessária uma nova curva de aprendizado para, em termos de rentabilidade dos novos produtos ou serviços, evoluir do “chute”, para “estimativas razoáveis”, e finalmente para “previsões confiáveis”.

Criatividade e Execução – Soma ou Produto

Ao olharmos para o processo da Ideia ao Lucro, vemos que Criatividade e Execução são ambos necessários, ainda que com pesos diferentes ao longo do processo.

Os autores usam uma metáfora atemática para evidenciar a importância de ambos, caracterizando esta necessidade como um PRODUTO, e não como uma SOMA. A ideia a ser transmitida é que se um dos fatores, Criatividade ou Execução, for igual a ZERO, o produto também será ZERO.

Criatividade e Execução – preocupação do líder

Há algum tempo, publicamos aqui no Blogtek o artigo “Conciliar talentos e habilidades – a difícil arte de liderar”, em que abordamos os chamados Papéis de Belbin. Belbin propõe a existência de nove tipos de comportamento, divididos em três grupos: Líderes, Construtores e Criadores. Posteriormente, para evitar alguma leitura equivocada e pejorativa, passou a chamar os três grupos de Orientados para Pessoas, Orientado para Ação, Orientados para Pensamentos.

Não é uma condição necessária, porém obviamente muitos executivos C-level pertencem ao grupo de Líderes, ou, Orientados para Pessoas. E é uma característica deste grupo não ter muita consistência na execução, ao contrário dos Construtores (Orientados para Ação).

Portanto, muitos executivos C-level desenvolvem as estratégias, porém não acompanham adequadamente as ações para a implementação destas estratégias, dando origem às falhas de implantação de boas estratégias.

A cada semana, publicamos novos artigos aqui no Blogtek, sobre Gerenciamento de Projetos, Gestão da Manutenção, e tópicos sobre Liderança e Gestão. Também semanalmente publicamos um vídeo, os quais podem ser acessados em youtube.com/c/Blogtek.  Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui ao lado, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

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