Liderança e Gestão

Comente 01.06.20 832 Visualizações Imprimir Enviar
Ciclo OODA – Observe, Oriente, Decida, Aja

Ciclo OODA – Observe, Oriente, Decida, Aja: ao ver este acrônimo, não há como não se lembrar de outro acrônimo, o PCDA. Porém, ainda que existam algumas semelhanças, como o fato de ambos serem usados em ambiente corporativo, há mais diferenças que semelhanças. Enquanto o PCDA nasceu em tempos de paz, o OODA nasceu em tempos de guerra. Enquanto o PDCA é um ciclo relativamente longo de melhoria contínua, o OODA é um apoio para decisões rápidas, imediatas. E finalmente, o acrônimo Plan-Do-Check-Act, se traduzido, perde a sequência de letras tão familiar, enquanto o acrônimo OODA, Observe-Orient-Decide-Act, ao ser traduzido, mantém a sequência literal original. Vamos conhecer um pouco mais sobre OODA? Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui abaixo, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

OODA – origens

O ciclo OODA foi criado por John Boyd, um coronel da USAF (Força Aérea Americana), visando treinar os pilotos na guerra da Coreia a abaterem os aviões inimigos. Boyd era um estrategista militar, avesso a escrever suas observações, as quais eram passadas na forma de briefing antes do combate. Por isso, muitas vezes o Ciclo OODA é mencionado sem referência a seu criador.

Ciclo OODA
Ciclo OODA

Além do ciclo OODA, Boyd também desenvolveu o conceito, muito mais técnico que gerencial, da Teoria da Energia-Manobrabilidade. Esta teoria, desenvolvida em conjunto com o matemático Thomas Christie, foi incorporada pela USAF, dando origem aos jatos de combate F-15 e F-16.

Um dos colegas de aviação de John Boyd, o projetista de aviões de guerra Harry Hillaker, assim descreveu a essência do ciclo OODA:

“A chave é ocultar nossas intenções e fazê-las imprevisíveis ao nosso oponente, ao mesmo tempo em que clarificamos as suas intenções. Ou seja, operar em ciclo de tempo mais ágil para gerar condições mutáveis muito velozmente, as quais inibirão o oponente de se adaptar ou reagir a estas mudanças, e que irão suprimir ou destruir sua percepção da situação. Portanto, uma mistura de confusão e desordem o farão reagir de forma excessiva ou insuficiente às condições ou atividades que lhe pareçam incertas, ambíguas ou incompreensíveis.”

OODA – aplicação no mundo corporativo

O texto de Hillaker é de antes de 1985, porém no ambiente altamente competitivo atual, é fácil extrair fragmentos que se aplicam ao mundo corporativo moderno, bem como referências ao mundo VUCA (Volatility, Uncertainty, Complexity, Ambiguity).

Entende-se o porquê de esta técnica estar sendo muito aplicada pelas startups e empresas do Vale do Silício.

Um exemplo clássico de utilização do ciclo OODA é o da Netflix.

A Blockbuster era uma gigante na área de aluguel de filmes em DVD’s. Foi fundada em 1985, e foi vendida dez anos depois por mais de 8 bilhões de dólares.

Em 1997 foi fundada a Netflix, que nasceu como uma empresa de aluguéis de filmes , porém sem lojas físicas, com um modelo totalmente diferente, uma empresa praticamente de logística.

A Blockbuster chegou a atuar desta forma, mas apenas para filmes “cult”, os quais eu alugava quando morei no Texas. Os filmes recentes, os lançamentos, os filmes que bombavam continuavam nas lojas físicas.

Em 2000 a Blockbuster não quis comprar a Netflix por US$ 50 milhões.

Dez anos após sua fundação, em 2007, quando a Internet ainda não tinha a velocidade e disseminação dos dias atuais, a Netflix aplicou o ciclo OODA mais uma vez, e deu-se conta de que os filmes em forma física breve estariam extintos, e aí contratou engenheiros e especialistas em informática, para criar a primeira plataforma streaming de vídeos do mundo. O sucesso foi retumbante, mas, com o passar do tempo surgiram outras plataformas similares, as próprias TV’s abertas vendo que seu mercado se fechava se lançaram no streaming (vide Globoplay e outras), e mais uma vez a Netflix aplicou o ciclo OODA e se transformou em empresa produtora de conteúdo. Atualmente, diversos artistas consagrados da TV aberta migraram para a plataforma Netflix, atuando em filmes e séries.

Portanto, é importante assimilar os conceitos do ciclo OODA, representados na figura abaixo.

OODA detalhado
OODA detalhado

Boyd destaca que o principal passo do ciclo OODA, frequentemente não considerado tão seriamente quanto deveria, é o ORIENTE. Boyd o chamava de schwerpunkt, termo que ele importou da blitzkrieg alemã, na segunda Guerra Mundial:

É no passo do ORIENTE que está o nosso modelo mental, e é nosso modelo mental que define como tudo se desenvolve no ciclo OODA. Nesta fase, estão contidas: Tradições culturais, Herança genética, Experiência prévia, Análise e Síntese, Novas informações.

Além de experiências militares do passado, Boyd se apoiava em três pilares da Ciência:

  • Teorema da Incompletude de Gödel: qualquer modelo lógico da realidade é incompleto (e provavelmente inconsistente) e deve ser continuamente refinado ante novas observações;
  • Princípio da Incerteza de Heisenberg: é impossível definir simultaneamente a velocidade e a posição de uma partícula; quanto mais conhecemos uma variável, menos sabemos sobre a outra;
  • Segunda lei da termodinâmica: um sistema fechado tenderá sempre a aumentar sua entropia, ou seu grau de desordem. Assim ocorrerá com uma pessoa ou organização fechada, isolada do mundo exterior e de novas informações.

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

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