Gerenciamento de Projetos

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Aversão à perda – como impacta a gestão?

Aversão à perda – nenhum de nós gosta de perder. Isso é normal! Porém, já foi quantificado o tamanho de nossa aversão à perda? Sim, temos ideia de quão grande é nossa aversão à perda, e agora veremos como isto afeta nossas decisões gerenciais. Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui ao lado, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

Aversão à perda – como medir?

Aversão à perda

Aversão à perda

Um dos autores que mais estudou este assunto foi Daniel Kanehman, psicólogo e cientista social radicado em Israel, que foi vencedor do Premio Nobel de Economia (a rigor, não existe este premio Nobel – existe o Prémio do Banco da Suécia em Ciências Econômicas em memória de Alfred Nobel), apesar de não ser economista. Um de seus livros mais conhecidos é “Rápido e devagar – duas formas de pensar”.

Kanehman realizou uma série de estudos. Em um dos estudos mais conhecidos, reuniu um grupo de estudantes, e fez a seguinte proposta:

– Vamos jogar cara e coroa com cada um de vocês. Se der cara, você ganha 100 dólares. Se der coroa, você perde 100 dólares. Quem se habilita?

Nestas condições, ninguém se habilita, apesar de ser uma aposta “justa”, um jogo de soma zero: 50% de chance de ganhar 100 dólares (esperança matemática de + 50 US$), 50% de chance de perder 100 dólares (esperança matemática de – 50 US$).

Mas, é compreensível que ninguém se habilite, a menos que tenha paixão (doentia) pelo jogo. Então, Kanehman começou a subir a oferta: se perdesse, perderia 100 dólares, se ganhasse, ganharia 120 dólares… depois aumentou para 150 dólares… porém, a maioria só se encorajou a aceitar a aposta quando lhes foi oferecido um ganho potencial de 200 dólares, contra uma expectativa de perda de 100 dólares.

Ou seja, é necessária a expectativa de ganhar 200 para arriscar a perder 100. Ou seja, o impacto (negativo) da perda é o dobro do impacto (positivo) do ganho.

Kahneman fez uma outra variante deste jogo. Deu a um grupo de pessoas 50 dólares a cada um, e dividiu o grupo em dois subgrupos.

Ao primeiro grupo, foram dadas as seguintes opções:

a) Ficar com 30 dólares

b) Apostar os 50 dólares em um jogo cara ou coroa

Observe que a esperança matemática em a) é +30 US$, e em b) é + 25 US$ (50% x 0 + 50%x50). Ou seja, mais vale a pena manter os 30 dólares. E, de fato, menos da metade arriscou a opção b).

Ao segundo grupo, foram dadas as seguintes opções:

a) Perder 20 dólares

b) Apostar os 50 dólares em um jogo cara ou coroa

Observe que as probabilidades são exatamente as mesmas do primeiro grupo (ficar com 30, ou perder 20 em 50…). Porém, neste caso, mais da metade resolveu arriscar no cara ou coroa.

Por quê? Devido a aversão à perda… a palavra perder pesou significativamente na decisão.

Esta é a razão porque tantas vezes nos agarramos com algum cupom de desconto: ganhe um desconto de 30 reais na compra desta garrafa de vinho… você pode nem gostar muito de vinho, ou daquele vinho em especial, mas você reluta em “perder” o desconto oferecido.

Aversão à perda e a gestão de projetos

Aversão à perda

Aversão à perda

E o que isto tem a ver com a gestão de projetos? Muito (aliás, para qualquer processo de gestão). Na realidade, o gerenciamento de perdas é mais presente nas análises de investimentos, mas temos que avaliar seus impactos em qualquer processo de gestão.

Um dos temas mais presentes na gestão é o Gerenciamento do Risco. No PMBoK Guide são descritos os processos Planejar os Riscos, Identificar de Riscos, Realizar Análise Qualitativa e Quantitativa dos Riscos, Planejar as Respostas aos Riscos, Implementar as Respostas aos Riscos, Monitorar os Riscos… mas o fato é que “Risco é um evento ou condição incerta que, se ocorrer, provocará um efeito positivo ou negativo em um ou mais objetivos do projeto”.

Ou seja, é uma condição INCERTA! E quando o risco (negativo, no caso) já se materializou? A mesma resistência que leva as pessoas a não saberem lidar com perdas, leva o gerente também a opções equivocadas.

Por exemplo, podemos ter um contrato que não está desempenhando satisfatoriamente, estamos tendo problemas de custo, qualidade e prazo, sabemos que rescindir este contrato implicará em uma perda, porém relutamos em rescindi-lo, pois estaremos realizando a perda, ainda que conscientemente (e mais, tecnicamente!) saibamos que não há recuperação possível… e assim vamos convivendo com esta opção, que se revelará cada vez mais desastrosa.

Então cabe ao gestor fazer uma análise criteriosa da situação, e tomar a decisão mais TÉCNICA e RACIONAL! Não permitir que o medo da perda nos paralise!

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

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