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40 Comentários 31.01.13 8393 Vizualizações Imprimir Enviar
Abaixo o preço da água mineral!!! Viva o preço da Gasolina!!!

Agora que o preço da gasolina subiu, posso me engajar em outra campanha… baixar o preço da água mineral! Claro, é uma brincadeira… evidentemente, aumento de preço não é um assunto atrativo para ninguém, mas o fato é que, além da necessidade da correção do preço da gasolina para poder fazer frente aos investimentos, como foi destacado no post anterior, O preço da Gasolina e Jeannie é um Gênio, o custo de produção da gasolina (ou qualquer outro derivado do petróleo) é altíssimo.

 Preço da Gasolina – Petróleo – a exploração:

Sem nos determos em tecnicismos e números em excesso, vamos reconstituir aqui, de forma acessível ao público em geral, os passos que os hidrocarbonetos percorrem, até chegar ao nosso tanque.

Em razão de sua formação geológica, há milhões de anos, o petróleo encontra-se em determinadas formações, que podem ser detectadas através de sísmica, ou seja, detonando cargas explosivas em determinados pontos, e coletando informações sobre o retorno destas ondas sísmicas, possibilitando mapear o subsolo da região prospectada. Já de imediato, pode se ter a ideia da dificuldade em fazê-lo no fundo do mar, com lâminas de água (profundidade) em torno de 2.000 m.

Cabe aqui lembrar que o slogan da Petrobras, O desafio é a nossa energia, reflete realmente o que ocorre. Em primeiro lugar, remete à questão da energia, caracterizando a Petrobras como uma empresa de energia, e não apenas uma petrolífera.

Ademais, nada foi fácil para a Petrobras e para o Brasil. Produzir em terra (onshore) é evidentemente mais fácil que produzir no mar (offshore). Pois bem, a maior parte de nossas reservas, em torno de 80% está no mar. Quanto maior a lâmina de água, quão mais profundo temos que iniciar a perfuração, mais difícil é a atividade de perfuração. E de nossas reservas no mar, a maioria está em águas ultraprofundas, em torno de 2.000 m de lâmina de água. Além disto, o petróleo encontrado nestas profundezas é um petróleo pesado, grosso, que exige mais esforços para a produção e o refino. Mas agora encontramos o petróleo do pré-sal, que é de boa qualidade, não? É verdade, mas para encontrá-lo, há que vencer quilômetros de camada de sal, um novo desafio tecnológico.

E é aí que mais uma vez o slogan O desafio é a nossa energia se encaixa perfeitamente… onde há dificuldades, a Petrobras as supera. E quando digo Petrobras, quero mencionar Brasil, pois os esforços da Petrobras são realizados pelo seu corpo de empregados, pelos contratados, pelos fornecedores, por todos ligados a esta imensa cadeia produtiva.

Mas, vamos prosseguir a saga dos hidrocarbonetos…

Suwatpo -  - Freedigitalphotos

Preço da Gasolina – Petróleo – a produção:

Como se faz a perfuração? Através de brocas, colocadas na ponta de tubos roscados uns aos outros que servirão também para o escoamento do óleo produzido. São tubos de 30 m de comprimento. Mas as brocas sofrem desgaste, não? Para trocá-las, o que fazer? Puxar para cima esta coluna de perfuração, desenroscando os tubos, para chegar na extremidade e fazer a troca da broca, buscando uma broca adequada à rocha que está sendo perfurada. Quando estamos perfurando a 3.000 m de profundidade, faça as contas, são 100 tubos que tem que ser desenroscados, armazenados, até chegar à extremidade, para depois fazer o processo inverso, e reiniciar a perfuração, muitas vezes por apenas mais alguns metros…

Chegamos à região que queremos explorar. Muitas vezes, a indicação obtida pela geologia não resulta em sucesso. Apesar das características do local, não há óleo… O índice de sucesso na perfuração (ou seja, furar e achar óleo) é de cerca de 30%, no mundo. Nosso índice ultrapassa 40%. Na região do pré-sal, é em torno de 100%, o que levou inclusive à mudança na regra de concessões: uma coisa é ceder áreas em que PODE haver petróleo, outra, muito diferente, é ceder áreas em que HÁ petróleo (mas isto fica para outro post)…

Uma vez encontrado petróleo, a quantidade pode não ser comercial. Sendo comercial, para iniciar a produção, temos que instalar um complexo equipamento de controle, cheio de válvulas, denominado “árvore de Natal”. A imagem do poço jorrando petróleo, sujando todo mundo de óleo, já não existe há muito tempo… Imagine colocar um equipamento como este, a 2.000 m de profundidade, onde a pressão é 200 vezes maior do que a pressão atmosférica em que vivemos!

Também as sondas marítimas de produção são equipamentos especiais, pois devem manter se paradas para o trabalho de perfuração. Para isto devem ser dotadas de posicionamento dinâmico: a sonda tem que ficar parada, mas com esta profundidade não há como ancorá-la, então a sonda é mantida na posição por uma série de motores… imaginemos o custo de tudo isto!

Uma vez produzido, este óleo tem que ser armazenado, escoado para a terra. Lembre-se que o litoral fica a mais de 200 km de onde os poços estão sendo perfurados. Para esta função, utilizamos enormes navios adaptados, denominados FPSO (Floating, Production, Storage, Off loading – Unidade flutuante de produção, armazenamento e escoamento), navios de custo altíssimo, de aquisição e operação.

Vichie81 - Freedigitalphotos.

Preço da Gasolina – Petróleo – o refino:

Depois de tudo isto, e mais um bom pedaço ao longo de dutos e navios petroleiros para chegar às refinarias, chega o início do refino. Para obter os derivados, são necessários: fornos, torres e vasos, permutadores, reatores, muita tubulação e instrumentação. Pense no preço de uma torneira, e extrapole para uma válvula industrial, de enormes dimensões, com características especiais… existem milhares destas válvulas em uma única refinaria.

Para alguns processos, como o hidrocraqueamento catalítico, são necessários reatores com espessura de parede da ordem de mais de 15 cm!!! Imagine o custo de um equipamento destes…

Preço da Gasolina – Petróleo – a distribuição de derivados:

Após a produção dos derivados (gás de cozinha, gasolina, querosene de aviação, óleo diesel, óleo combustível, óleo lubrificante, coque, asfalto, etc.) estes produtos tem que ser armazenados em tanques, distribuídos por oleodutos, depois por caminhões, até chegar a bomba de gasolina, a um custo (do qual apenas 36% é a remuneração da Petrobras) em torno de R$ 3,00 o litro, agora com o aumento!

Ufa, “falei” tanto, que me deu até sede. Vou beber uma água mineral… a propósito, alguém sabe o preço de uma garrafinha de 500 ml de água mineral? Sem comentários, não é???

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

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