Liderança e Gestão

1 Comentário 19.03.19 1427 Vizualizações Imprimir Enviar
A falência da Kodak e o dilema da inovação

A falência da Kodak, o dilema da inovação e o Planejamento Estratégico. Todos nós ainda nos lembramos da marca Kodak. Esta marca era tão dominante no mundo da fotografia que havia em Inglês a expressão “Kodak Moment”, que era uma referência a um momento especial que merecia ser fotografado: um casamento, uma viagem, uma formatura… No entanto, em cerca de dez anos a Kodak decaiu de uma posição de ícone do mercado para uma falência. Como isto ocorreu? Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui ao lado, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

Falência da Kodak – o que era a Kodak?

Criada em 1888 por George Eastman, a Kodak se tornou uma referência no mercado mundial de fotos por vender câmeras baratas (e, portanto, desenvolvendo o gosto pela fotografia), e obter seus lucros pela venda de filmes e papel para a revelação de fotos.

Falência da Kodak

Falência da Kodak – antigo aparelho de barbear

É basicamente a mesma estratégia da Gillette: ela vendia os aparelhos em que substituíam as lâminas, aqui ao lado ilustrado (para aqueles mais jovens que não chegaram a conhecê-lo), e seus lucros vinham da venda de lâminas. A única diferença da Gillette para a Kodak é que a Gillette acompanhou a evolução e transformou o futuro (lembram-se do Planejamento estratégico? Leia!). Investiu em aparelhos descartáveis, e uma gama de produtos que acompanham o ato de barbear (espumas, loções, etc.).

 

 

Estratégia totalmente oposta a da Kodak: a Kodak em 1975 desenvolveu a primeira câmera digital (ainda grande, pesada, lenta e cara), mas não deu continuidade ao desenvolvimento deste produto com receio de que viesse a eclipsar os resultados de suas vendas de filmes fotográficos e papel fotográfico.

 

Falência da Kodak

Falência da Kodak – câmera Instamatic

A Kodak tentou evoluir: uma das dificuldades para os fotógrafos amadores era o processo de colocação e retirada do filme fotográfico. Principalmente a retirada: se o filme não fosse total ou adequadamente rebobinado, as imagens seriam veladas ao retirar-se o filme, e as fotos seriam perdidas. Lançou então a câmera Instamatic, também ilustrada aqui ao lado, para conhecimento dos mais jovens. O filme vinha em um cartucho, de fácil colocação e retirada, e depois das fotos enviava-se o cartucho todo para revelação.

Mesmo quando se curvou às câmeras digitais (com isso perdia o mercado de filmes fotográficos), agarrou-se à esperança de sobreviver com o papel fotográfico, para impressão de fotos. Em 2001, comprou um site de compartilhamento de fotos, Ofoto, mas com ênfase na impressão de fotos. A Internet crescia, e a própria câmera digital declinava rumo ao uso dos smartphones, e a impressão de fotos foi quase totalmente substituída pelo compartilhamento de fotos via Facebook, Instagram e outros.

Falência da Kodak – o dilema da inovação

Em 1989, o CEO da Kodak, Colby Chandler, se aposentou. Para sua substituição, havia dois nomes: Kay Whitmore, que representava o negócio tradicional, filmes, produtos químicos e papel para impressão, enquanto Phil Samper tinha forte inclinação pela tecnologia digital. O Conselho escolheu Whitmore, que declarou que iria garantir que a Kodak permanecesse fiel ao seu “core business”, na área de filmes, papéis e produtos químicos para fotografia. Samper saiu da Kodak, e foi para a Sun Microsystems como Presidente, e Whitmore foi demitido da Kodak três anos depois.

Em 2012, Kodak declarou sua falência. Atualmente, uma parte muito pequena sobrevive, sem o esplendor de antigamente, e com foco totalmente distinto do negócio original.

A Kodak sucumbiu ao que Clayton Christensen chama de “Dilema da Inovação”:

Se uma empresa se confronta com uma “disruption” (tradução aproximada: interrupção, perturbação), o Dilema da Inovação consiste em

  • Abraçar de imediato a “disruption” e sacrificar a existência do modelo atual, que pode representar todo seu negócio (como no caso da Kodak), em prol de uma perspectiva emergente, porém ainda incerta, ou
  • Ignorar a “disruption” ou assumi-la tardiamente, quando diminuírem os riscos, podendo levar ao desaparecimento da empresa. Ou seja, evitar o desenvolvimento de um novo mercado, o qual prejudicará seu mercado atual, protegendo o mercado existente, evitando a inovação.

Nos dias atuais, a prudência excessiva tem levado muitas vezes ao desaparecimento de grandes empresas de outrora.

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

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