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10 Comentários 03.11.13 6653 Vizualizações Imprimir Enviar
A Doença Holandesa

A Doença Holandesa: o nome deste fenômeno econômico vem dos anos 60, em que grandes depósitos de gás natural foram descobertos no Mar do Norte, pela Holanda. Por um lado, o grande ingresso de divisas decorrentes aumentaram a renda do país, porém a valorização do florim (moeda holandesa da época) tornou a exportação menos competitiva e prejudicou a indústria local. Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui ao lado, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

Doença Holandesa – o conceito de commodity

Fuel Tanks by John KasawaA palavra é usualmente empregada no plural: commodities, o que significa em sua acepção mais ampla mercadorias em Inglês, e, em seu sentido mais específico e mais utilizado na Economia, mercadorias produzidas em grande escala e comercializadas em nível mundial, com preços definidos pelo mercado internacional.

Commodities são normalmente produzidos por diferentes produtores, são facilmente estocáveis sem perda de qualidade, e não passaram por nenhum processo industrial, sendo portanto matérias primas.

O Brasil é um grande produtor e exportador de commodities, tais como petróleo, suco de laranja, café, ferro e soja. O lado ruim desta história é a vulnerabilidade aos preços internacionais, e, principalmente, o risco da “doença holandesa” ou a “maldição dos recursos naturais”.

 

 

Doença holandesa – definição

Four Oil Wells Silhouetted Against Sunset by Victor HabbickNo início da década de 60, a descoberta e consequente exploração e exportação de gás natural no Mar do Norte, pela Holanda, ocasionou a maciça entrada de divisas na economia holandesa, valorizando a moeda (florim). O que de início foi saudado positivamente, mostrou-se ser extremamente negativo para a economia do país.

A valorização da moeda torna as exportações menos competitivas, e as facilidades do mercado de gás, diminuíram a competitividade da indústria. Na década de 60 a média anual de crescimento do PIB foi 5,4% e na década de 70, quando a existência destas abundantes reservas de gás natural poderiam ter ajudado a Holanda nas crises do petróleo de 73 e 79, surpreendentemente o crescimento médio do PIB holandês foi de 3,3%. Na década de 80 o crescimento médio do PIB caiu para 2,2%.

O gráfico a seguir ilustra o decréscimo da contribuição da indústria ao PIB holandês ao longo destes anos.

Doença Holandesa - declínio da participação da indústria no PIB holandês

Doença Holandesa – declínio da participação da indústria no PIB holandês

A característica da “Doença Holandesa” é a commoditização da pauta de exportações, a valorização da moeda local, decréscimo da participação da indústria de bens, e o aumento dos salários no setor do “boom”.

Doença Holandesa – riscos

Sunset And Building Horizontal by criminalattComo os preços das commodities são mais voláteis, as economias que dependem fortemente destes insumos são mais instáveis, criando incerteza para os investidores em todos os setores, desestimulando o investimento.

A exploração de recursos naturais não favorece o aprendizado da força de trabalho, o desenvolvimento da vocação industrial do país, e as exportações de bens manufaturados ficam prejudicados pela valorização do câmbio. A expansão dos setores intensivos em recursos naturais acarreta o decréscimo dos investimentos em capital humano e educação, comprometendo o desenvolvimento a longo prazo. Quanto menor o grau de industrialização, mais danosos os efeitos da doença holandesa.

Um exemplo claro desta contradição entre abundância de recursos naturais e desenvolvimento do país pode ser visto acompanhando a evolução do PIB de países ricos em recursos naturais, tais como Venezuela, México e Nigéria, em oposição a países pobres em recursos naturais, tais como Japão, Coreia, Suíça e Hong Kong.

Doença Holandesa – os remédios

Assim como na Medicina, os remédios devem ser muito bem dosados, pois podem também causar mal.

O ponto chave do tratamento é evitar a valorização do câmbio, o que vem sendo feito pelas autoridades econômicas. Porém, isto pode acarretar o aumento da inflação, tensões com parceiros comerciais e aumento dos riscos financeiros, portanto a política econômica deve ser muito cuidadosa.

Outro ponto importante é o incentivo à indústria local, que foi o antídoto empregado pela Noruega. Com características muito similares às da Holanda, a Noruega reverteu sua dependência do petróleo do Mar do Norte utilizando a tecnologia empregada na exploração do petróleo nas águas do Mar do Norte para incrementar sua indústria de prestação de serviços, atualmente referência na indústria petrolífera.

Em próximos artigos veremos as soluções propostas para que o Brasil não contraia a “doença holandesa”. Alguns autores defendem que o Brasil já padece desta enfermidade. Para saber mais, acompanhe os próximos artigos do Blogtek. Cadastre seu e-mail no topo da página. SEU E-MAIL NÃO SERÁ UTILIZADO POR TERCEIROS.

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

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