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Workface Planning – um novo conceito

Stonner 17 Comentários 23.02.15 3314 Vizualizações Imprimir Enviar

Workface Planning – em tradução livre, “planejamento na cara do trabalho”. E o que seria isto? Recentemente publicamos aqui no Blogtek um artigo intitulado “Planejamento super detalhado – mais é melhor????“. Corroborando nosso posicionamento, vamos hoje falar sobre Workface Planning, conceito introduzido pela COAA – Construction Owners Association of Alberta, a associação de construtores da região de Alberta, Canadá, riquíssima em areias betuminosas, e grande referencial da indústria de construção e montagem. Para ser sempre informado dos novos artigos do Blogtek, cadastre seu e-mail em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

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Workface Planning – contextualização

No início dos anos 2000, a indústria da construção e montagem em Alberta vivia perspectivas sombrias. Havia necessidade de grandes Obras, para o aproveitamento das areias betuminosas, mas a produtividade era muito baixa, como podemos ver no gráfico de pizza abaixo (disponível no site). Não se assuste!!!

Produtividade antes da implementação do Workface Planning

Em 2001, a associação criou um comitê, e a partir de 2006 as disposições deste comitê foram incluídas nos documentos contratuais, gerando a partir daí grandes ganhos de produtividade.

Workface Planning – princípios básicos

A ideia subjacente ao Workface Planning é de que o planejamento, via cronograma, via software (Primavera, Project, etc), deve ir até determinado nível, conforme já visto no artigo acima referenciado “Planejamento super detalhado – mais é melhor???”. Outro artigo do Blogtek que trata do assunto é o “Cronograma de Marcos“, bem como o “Planejamento em Ondas“. A partir de um certo nível de detalhamento, estes detalhes não devem constar do cronograma, não devem ser tratados pelo planejador, mas sim pelo supervisor da frente de serviços.

Os princípios básicos do Workface Planning são:

  • FIWP (Field Installation Work Packages) – Pacotes de Trabalho de Instalação (Montagem) no Campo: consiste de pequenos planos altamente detalhados
  • Workface Planners – Supervisores (MOD) atuando como planejadores
  • Remoção de restrições – garantir que o trabalho possa ser executado quando liberado

 Workface Planning – como funciona

Workface Planing é a criação de pequenos e bem definidos FIWP (Field Installation Work Packages) para a força de trabalho. Habitualmente estes pacotes cobrem de cinco a dez dias de trabalho, para uma disciplina, tipicamente com uma equipe de 50 pessoas. Ou seja, este pacote contempla cerca de 2.500 a 5.000 Homens-Hora.

Os Workface Planners (supervisores atuando como planejadores), por serem oriundos da mão de obra direta, executantes, conhecem bem as peculiaridades dos serviços, e irão atuar eliminando as restrições, garantindo, antes que os serviços se iniciem, que estejam disponíveis:

  • Materiais
  • Equipamentos
  • Acessos (andaimes, guindastes)
  • Documentação técnica e instruções
  • Permissão de Trabalho

 Workface Planning – ganhos

Os estudos da Associação evidenciaram que o acréscimo de um Workface Planner para cada grupo de 50 executantes aumenta o custo de mão de obra em cerca de 2%, porém o ponto de equilíbrio é atingido com um ganho de produtividade de apenas 6 minutos diários.

A estimativa é de que os ganhos de produtividade com a implantação do Workface Planning sejam da ordem de 10% a 25%, resultando em um ganho no custo de instalação (TIC – Total Installation Cost) da ordem de 4% a 10%.

O gráfico da produtividade melhorou substancialmente, como podemos ver a seguir:

Produtividade depois da implementação do Workface Planning

Os resultados foram tão estimulantes, que o CII (Construction Industry Institute) aderiu ao processo, inserindo esta técnica em um processo mais amplo, denominado AWP – Advanced Work Packaging, divulgando-o em seu site.

Daremos continuidade ao assunto, mostrando o passo-a-passo para a implantação do Workface Planning. Para ser sempre informado dos novos artigos do Blogtek, cadastre seu e-mail em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

 

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

DEIXE O SEU COMENTÁRIO

  • Eduardo

    estarei atento aos próximos conteúdos, pois o assunto é de grande relevância.

  • dilma

    Olá professor
    Agradeço muito dividir conosco estas informações.
    O site http://www.coaa.ab.ca apresenta grande variedade e enriquece a pesquisa na área de construção e montagem industrial.
    Parâmetros, ferramentas, arquivos para “download” e material de leitura que estimulam nosso aperfeiçoamento.
    Grande dica mestre!!!

  • Moschin

    Caro Stonner, amigos/as

    Muito interessante o tema trazido para discussão. É muito semelhante ao SCRUM (Método Ágil).

    Temos algumas observações

    Pontos fortes
    Ouvir no planejamento, a equipe de campo, o especialista na execução.
    Pacotes menores de Planejamento – FIWP.
    As restrições e interferências ficam mais visíveis.

    Pontos Fracos
    Perda da visão holística, do todo, do projeto
    Pode ocorrer o famoso FAZEJAMENTO, ou seja, executar e fazer ao mesmo tempo.
    Aquisições – pode ser levantada necessidade de materiais e não haver tempo hábil para suprimento.

    Resumo – Não podemos confundir a ojeriza que o brasileiro tem de planejar e assim, fazer pelo campo, com um método estruturado como este.

    abs

  • Com certeza, Moschin, não podemos usar o conceito para relegar a segundo plano o planejamento!

  • Obrigado, Dilma, sempre aprecio muito seus comentários!!!

  • Diogo

    Parece ser uma tendência, ágil, last planner e metodologias mistas… todas rumo a uma redução cada vez maior dos ciclos de PDCA, eliminação de trabalho desnecessário e foco no produto.

  • Santana, José Ademir

    Trabalhei em uma grande parada de manutenção dando justamente esse suporte junto ao planejamento, e la pude realmente evidenciar esse ganho.

  • Rivânio Severo de Medeiros

    Prezados,

    Temas relevantes que preservam as boas práticas de gestão e contribuem com melhores resultados.

    Sds

    Rivânio Medeiros

  • Washington

    O método e realmente interessante, você pode detalha em um determinado nível e pontuar suas metas, montando uma macro do seu cronograma,
    mesmo sem ter lido o artigo já praticamos desta forma, e acredito que estes números reais e consistente

  • Homell Lima

    Voce pode me informar aonde encontro curso online sobre o assunto?

  • Osvaldo

    Acredito que o Workface Planning seja aplicado em obras de construção e montagem, onde o conceito é conhecido intuitivamente. Muitas vezes na ronda diária que fiz em minhas obras, na discussão diária com encarregados, supervisores e engenheiros de campo, mudamos o rumo das decisões do planejamento, pois ali na frente de trabalho visualizamos uma maneira mais produtiva de realizar a atividade. Gera-se então um feedback positivo para que o planejamento seja aprimorado.

  • Grato, Rivânio!

  • Olá, santana, bom poder este testemunho de quem já pôde vivenciar esta prática.

  • Olá, Washington, que bom! Já é o segundo comentário testemunhando o êxito desta prática.

  • Exato, Osvaldo, este contato evita a famosa postura de negar o planejamento, achar que papel aceita qualquer coisa…faz o planejamento muito mais consistente.

  • ejedelmal

    Isso já existe: chama-se Last Planner, e foi desenvolvido por Henry Koskela.

  • Desculpe a demora na resposta!! Obrigado pela visita ao Blogtek!

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