Menu

Viés do sobrevivente

Stonner Comente 27.11.17 456 Vizualizações Imprimir Enviar

Viés do sobrevivente: em nossa permanente busca do êxito, seja pessoal, profissional, empresarial, somos sempre compelidos a ler e conhecer biografias famosas, histórias que deram certo, estratégias de quem venceu. No entanto, este pode não ser o caminha mais adequado, devido ao viés do sobrevivente. Conheça mais sobre o tema! Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui abaixo, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

Clique aqui e cadastre-se para receber uma notificação por email sempre que um novo artigo for postado

Seu email não será utilizado por terceiros nem para envio de spam.

Viés do sobrevivente – como surgiu o conceito

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Força Aérea Americana tinha muitos aviões perdidos, vítimas da artilharia antiaérea. Foi formado um grupo de estudos, para avaliar as possíveis melhorias na blindagem dos aviões. A blindagem é necessária, porém tem que ser feita com critério, para não tornar o avião pesado demais, aumentando o consumo de combustível, e reduzindo sua autonomia, mas principalmente por diminuir sua agilidade em manobras eventualmente necessárias, no ataque ou na defesa.

Avaliando os aviões que retornavam, identificaram muitas marcas de tiro nas asas, e decidiram reforçar a blindagem nestes pontos. Felizmente para os Aliados, havia no grupo um matemático húngaro judeu, Abraham Wald, que se refugiara nos Estados Unidos devido à perseguição contra os judeus.

Wald se opôs à ideia generalizada de reforçar as asas, e argumentou porquê. Se há marcas de tiros nas asas e estes aviões conseguiram voltar, é porque estes tiros não foram suficientes para derrubá-los. Ou seja, os aviões estavam bem protegidos nas asas. Por motivos óbvios, unicamente os aviões sobreviventes eram analisados. Este é o viés do sobrevivente.

Na impossibilidade de analisar os aviões que haviam sido abatidos, optou-se por reforçar a blindagem em outros pontos que não as asas. Estes seriam provavelmente os pontos que levaram os aviões a cair.

Em resumo, você não precisa consertar o sobrevivente (porque ele NÃO morreu), porém o sobrevivente também tem pouca coisa a acrescentar em sua estratégia de aprimoramento.

Viés do sobrevivente – o exemplo dos grandes líderes

Viés do Sobrevivente

Viés do Sobrevivente

O mesmo se dá quando buscamos exemplos e histórias de grandes líderes. Isso é natural, porque só vão ao Programa do Jô (ou do Bial, do Porchat, etc…) aqueles que são vencedores. Não faz sentido entrevistar os perdedores, até porque estes desaparecem na multidão.

Então, a pergunta correta não é “Como o Sílvio Santos conseguiu evoluir de camelô para um mega empresário? ”, e sim (se pudesse ser feita): “O que os demais camelôs fizeram de errado para não terem tido o sucesso do Sílvio Santos?”.

Isto reforça o conceito de Lições Aprendidas. Apesar de haver Lições Aprendidas positivas (as quais, se consistentes, se transformam em Boas Práticas), são as lições aprendidas negativas que mais tem a nos aportar. Ou seja, é importante aprender com os erros. Se pudermos aprender com os erros alheios, melhor ainda.

Viés do sobrevivente – análise de uma frase habitual

Usamos com certa frequência a frase “Já não se fabricam mais coisas como antigamente! ”. Será verdade, ou estaremos influenciados por aqueles artefatos que efetivamente, demoraram mais a se tornarem obsoletos, a quebrarem, serem descartados? Para cada artefato antigo que temos como referência, quantos não terão falhado, malogrado, se tornaram prematuramente obsoletos? Este é mais um aspecto do viés do sobrevivente.

Viés do sobrevivente – Empresas feitas para vencer

O economista Gary Smith, em um artigo para a revista Scientific American, faz uma análise do famoso livro “Empresas feitas para vencer”, de Jim Collins. Para escrever o livro, Collins analisou em um período de 40 anos as empresas listadas entre as 500 maiores da Fortune, e selecionou 11 que tiveram consistentemente desempenho superior à média das demais na Bolsa de Valores.

Smith argumenta que Collins deveria ao PRINCÍPIO do período elencado alguns critérios plausíveis de seleção, para poder avaliar se aqueles critérios eram efetivos APÓS a análise do período. Da forma que foi feito, Collins se deixou levar pelo viés do sobrevivente.

E, de fato, o livro foi escrito em 2001, e no período de 2001 a 2012, seis das onze empresas (mais da metade!) elencadas por Collins tiveram um desempenho inferior às demais na Bolsa de Valores.

Estaremos sempre abordando em detalhes aspectos de Liderança e Gestão, Gerenciamento de Projetos, Gestão da Manutenção nos próximos artigos do Blogtek. Para manter-se informado sobre os próximos artigos, cadastre seu e-mail em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

Clique aqui e cadastre-se para receber uma notificação por email sempre que um novo artigo for postado

Seu email não será utilizado por terceiros nem para envio de spam.

Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru.
Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

DEIXE O SEU COMENTÁRIO

Publicidade

Liderança e Gestão

Teoria tricondicional do comportamento seguro

Comente Stonner 04.12.17
Liderança e Gestão

Viés do sobrevivente

Comente Stonner 27.11.17
Gerenciamento de Projetos

Síndrome do estudante – procrastinação

Comente Stonner 20.11.17
Liderança e Gestão

Planejamento de cenários – estratégia na incerteza

Comente Stonner 13.11.17
Gerenciamento de Projetos

O projeto como parte do negócio – PMBOK Guide sexta edição

Comente Stonner 06.11.17

Gerenciamento de Projetos

MS-Project – Dicas e Pegadinhas (Tips & Tricks)

83 Comentários Stonner 28.04.13
Liderança e Gestão

Seis regras testadas para vencer discussões (Les Giblin)

61 Comentários Stonner 01.12.14
Gestão da Manutenção

O Planejamento de uma Parada de Manutenção – Parte 1

61 Comentários Stonner 05.05.13
Atualidades

O que o biquíni esconde e o custo das novas refinarias…

56 Comentários Stonner 17.04.13
Gerenciamento de Projetos

Metodologia FEL – Método dos Portões

44 Comentários Stonner 17.02.13

Bem-vindo ao novo

Blogtek

Seja notificado sempre que um novo conteúdo estiver disponível.

Loading...Loading...
Não se preocupe, não temos prática de enviar spam.
© 2013 - 2017 Blogtek.