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Rock, chocolate e contratos – o que tem a ver?

Stonner Comente 20.10.16 426 Vizualizações Imprimir Enviar

Rock, chocolate e contratos – aparentemente não tem nada a ver um com o outro. Mas então por que a banda de Rock Van Halen exigia nos contratos de seus megashows que houvesse sempre em seus camarins uma jarra repleta dos confeitos de chocolate M&M, mas não poderia haver NENHUM marrom?

Rock, chocolate e contratos – não era apenas “frescura” de artista!!!

Durante muito tempo imaginou-se que esta exigência de não haver M&M marrons fosse apenas uma vertente de estrelismo e bizarrice da banda, estilo que depois viria a ser seguido por muitos outros músicos.

Na verdade, a exigência foi introduzida por David Lee Roth, vocalista da Banda, e elemento de grande influência. Foi vocalista da banda Von Halen de 1974 a 1985, voltou por breve período em 1996, e está de novo com a banda desde 2006, e apenas no ano passado revelou o motivo de tão extravagante exigência. A exigência surgiu em 1982, quando foram dar um show no estádio Spectrum, na Filadélfia, e colocaram no contrato os seguintes termos, para os camarins:

Potato chips with assorted dips

Nuts

Pretzels

M&M’s (WARNING: ABSOLUTELY NO BROWN ONES)

Twelve (12) Reese’s Peanut Butter Cups

Twelve (12) assorted Dannon yogurt (on ice)

Van Halen foi das primeiras bandas a realizar grandes concertos. Hoje, empresas especializadas estão habituadas com estes megaeventos, mas, àquela época, havia muita improvisação na movimentação dos equipamentos e montagem do palco e som.

Mas os concertos são eventos de curta duração, e as exigências eram tantas que havia sempre a preocupação se todas exigências contratuais haviam sido cumpridas, e certamente não havia tempo para conferência de todos os itens (será que em nossos contratos, de manutenção, montagem, construção, realmente conseguimos checar todos os itens?).Além da questão da qualidade do som, havia a questão do risco. Diversas vezes membros da equipe técnica da banda sofreram choques elétricos, os quais poderiam ser graves e até fatais. Então, a banda começou a incluir uma série de exigências, cada vez mais detalhadas (lhe soa familiar?), com o intuito de garantir a qualidade do som e a integridade e segurança da equipe técnica.

Então Roth teve a ideia de colocar esta exigência dos M&Ms, e a necessária exclusão dos M&Ms marrons. O conceito era de que, se o contratante do espetáculo chegava a verificar este detalhe tão insignificante, teríamos uma boa dose de confiança de que os demais, e efetivamente relevantes, tivessem sido atendido.

Rock, chocolate e contratos – as nossas exigências contratuais

Van Halen 03

Os famosos M&Ms

Ao elaborarmos o Memorial Descritivo objetivando uma Contratação, temos a preocupação de não deixar nada a descoberto. Então, colocamos no Memorial uma quantidade inimaginável de Normas, referências, anexos, etc., com a cândida suposição de, por lá estarem, serão cumpridos e garantirão a performance requerida. Ledo engano!!

O que ocorre é que a Fiscalização não tem tempo para checar todas as exigências incluídas, e na maioria das vezes há coisas bem mais prioritárias a serem cobradas e checadas. Resulta portanto em mero desperdício de tempo, papel e paciência a inclusão de tantas normas e anexos. Há casos de contratos em que a quantidade de páginas de toda a documentação excede 7.000 páginas!!!

Então, ao prepararmos um Memorial Descritivo com vistas a uma Contratação, devemos ter em mente alguns cuidados com as exigências que iremos colocar:

  • Este item agrega valor?
  • Ou, apenas agrega custo?
  • Não há normas correntes que já contemplem estes requisitos, por exemplo, NRs?
  • O que estamos exigindo está coerente com as demais normas existentes?
  • Teremos condição de verificar se estes requisitos efetivamente estão sendo cumpridos?

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  • análise de preliminar de perigo

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

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