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Projetos fracassados: a nau sueca e a caravela dos 500 anos

Stonner 6 Comentários 08.12.14 4881 Vizualizações Imprimir Enviar

Projetos fracassados: a nau sueca e a caravela dos 500 anos – continuando a elucidativa série de artigos sobre projetos fracassados (leia mais em: Opera de Sydney, 10 razões para o fracasso de megaprojetos, Boston Big Dig, Avião comercial inglês – Brabazon), iremos hoje enveredar pelo passado, aprendendo um pouco sobre fracassos em projetos navais. Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui ao lado, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

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A nau sueca e caravela dos 500 anos – o caso sueco

Nau Sueca e a Caravela dos 500 anos - a nau Vasa

Nau Sueca e a Caravela dos 500 anos – a nau Vasa

Em 1623, a Marinha Sueca vivia período de glória, e para simbolizar esta fase, foi construída uma poderosa nau armada, denominada Vasa. A primeira embarcação construída com dois níveis de canhões, além de inúmeros enfeites e esculturas a homenagear o reino sueco.

Estas pesadas esculturas, e principalmente os canhões dos quais a nau Vasa era dotada, estavam alocados acima da linha d’água, comprometendo a estabilidade da embarcação. No entanto, ninguém da equipe de projeto e construção teve coragem de advertir o Rei. A instabilidade era tal que a tripulação tinha que ficar concentrada em um lado do navio, correndo para o outro lado quando invertia o sentido da instabilidade…

Em sua viagem inaugural, a nau Vasa naufragou após ter percorrido menos de uma milha…

A nau sueca e caravela dos 500 anos – as falhas do caso sueco

Sob a ótica técnica e gerencial, identificamos alguns problemas recorrentes em projetos fracassados:

– Falta de conhecimento técnico (o domínio da tecnologia era empírico, e não havia sido construído ainda nenhum navio com dois níveis de canhões)

– Pressão por parte da Alta Administração (pressão do Rei, em ver o projeto concluído)

– Falha de comunicação (ninguém para avisar o rei do iminente fracasso, e possíveis medidas corretivas)

– Mudança de escopo (há indícios que alguns requisitos de projeto foram introduzidos ao longo da construção, sem a necessária análise, aumentando mais ainda a instabilidade da nau)

A nau sueca e caravela dos 500 anos – o caso brasileiro

Nau Sueca e a Caravela dos 500 anos - a nau Capitânia

Nau Sueca e a Caravela dos 500 anos – a nau Capitânia

Enquanto no caso sueco havia a desculpa do incipiente conhecimento técnico à época, na caravela construída para comemorar os 500 anos do descobrimento do Brasil isto não se aplicava: afinal, o mundo já há muito construía navios de grande porte, porta-aviões, submarinos, aviões supersônicos, o homem já havia chegado à Lua…não deveria haver dificuldade neste projeto.

A nau Capitânia, construída na base naval de Aratu, deverá navegar até Porto Seguro, local do descobrimento do Brasil, um percurso de cerca de 30 quilômetros. Problemas de instabilidade (falta de lastro), mau dimensionamento do mastro e falhas do motor impediram o percurso.

Para piorar nossa autoestima, uma caravela similar, denominada Boa Esperança, foi construída à mesma época em Portugal, e trouxe 18 marinheiros portugueses a salvo em Porto Seguro, desde Portugal…

Curiosamente, ambas eram oriundas de um mesmo projeto, elaborado pelo Almirante português Rogério de Oliveira, porém os construtores brasileiros não seguiram corretamente o projeto…

A nau sueca e caravela dos 500 anos – as falhas do caso brasileiro

Conforme foi descrito anteriormente, o projeto não foi seguido à risca:

– Não atendimento às especificações do projeto

– Não realização de testes (apesar de estarem previstos no cronograma)

– Baixo nível de controle de escopo, prazo e custo (a nau lusitana custou o equivalente a R$ 2 milhões, a nau brasileira o equivalente a R$ 3,8 milhões)

– Diluição de responsabilidade técnicas (há evidências de que o engenheiro responsável não acompanhou a Obra)

Continuaremos a abordar em detalhes questões pertinentes a grandes projetos que foram um fracasso, e as lições aprendidas decorrentes, nos próximos artigos do Blogtek. Para manter-se informado sobre os próximos artigos, cadastre seu e-mail em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

 

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

DEIXE O SEU COMENTÁRIO

  • Larson Bittencourt

    Desde 1600, essas ocorrências e interferências na obra/construção, não mudaram. São constantes, não técnicas e invariavelmente onerosas. Você transmitiu o que tenho passado nesses 40 anos de trabalho na Engenharia.

  • Luiz Carlos Ferreira costa

    Rodolfo adoro seus ed-mail’s.
    grato e abração
    Luiz Carlos
    aposentado Petrobras

  • José Ítalo Cavalcante Montenegro

    Prezado Rodolfo,

    Será um prazer desfrutar de mais leituras do gênero.

    Um abraço,

    José Ítalo

  • Obrigado, José Ítalo, seja bem vindo ao Blogtek!

  • Que bom, Luiz Carlos!! Grande abraço!

  • É verdade, Larson, o tempo passa, mas alguns vícios e falhas perduram!!!

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