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Prazo, Custo e Qualidade – o “case” da Ópera House de Sydney

Stonner 17 Comentários 23.03.14 7026 Vizualizações Imprimir Enviar

Prazo, Custo e Qualidade: há uma anedota corrente no ambiente de Gerenciamento de Projetos a qual menciona um pedido feito pelo cliente ao Gerente do Projeto: “Quero isto bem feito, rápido e barato.”, ao que o Gerente de Projeto retruca: “Escolha dois destes objetivos.”. De fato, o triângulo Prazo-Custo-Escopo, ou ainda, Prazo-Custo-Qualidade, a chamada “tripla restrição”, é uma das principais preocupações do Gerente de Projeto. Para ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui em “Assine o Blogtek”. SEU E-MAIL NÃO será usado por terceiros.

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Prazo, Custo e Qualidade – a pressão pelos resultados

Prazo, custo e qualidade - a tripla restrição

Prazo, custo e qualidade – a tripla restrição

Atualmente, o Brasil, em função da Copa do Mundo de 2014, e o Rio de Janeiro em particular, pois a este evento se acrescenta as Olimpíadas de 2016, vem sofrendo pressão do público, da mídia e dos organizadores dos eventos pela conclusão das Obras requeridas, dentro da Tripla Restrição.

De fato, há uma enorme preocupação com o prazo, uma vez que os eventos não são adiáveis. Possivelmente, neste cenário, este seja o fator preponderante.

Porém, além da questão do prazo, grandes questionamentos são feitos sobre o custo destas Obras, principalmente comparados à questão de escolas, saúde, transporte e segurança pública.

O escopo também foi modificado. Em algumas capitais, os estádios estarão prontos, porém as obras de mobilidade urbana, não.

Prazo, Custo e Qualidade – a Ópera de Sydney

Prazo, custo e qualidade - Opera House de Sydney

Prazo, custo e qualidade – Opera House de Sydney

Pelo acima exposto, podemos imaginar os projetos relacionados à Copa de 2014 e às Olímpiadas de 2016 como potenciais fracassos devastadores. No entanto, há alguns projetos que hoje são marcantes, os quais durante sua construção também incidiram nos mesmos problemas.

Um exemplo clássico é a Opera House de Sydney (Austrália). Tudo neste espaço é superlativo: são cinco teatros, cinco estúdios, dois auditórios (um dos quais, denominado Concert Hall, comporta cerca de 2.700 espectadores), quatro restaurantes e seis bares. Seu visual é lindo, sob todos os ângulos, e a vista para o exterior também.

Em 1950, o estado de Nova Gales, na Austrália, se dispôs a patrocinar a construção de um grande teatro. Em 1957, o arquiteto dinamarquês Jorn Utzon venceu um concurso promovido para escolher o melhor projeto. A área prevista foi demolida em 1958, e a construção estava prevista concluir em 1963, ao custo de US$ 7 milhões. A construção se iniciou sem que ainda tivesse sido definido o método construtivo par a Obra (toda esta estrutura não tem pilares de sustentação).

Na realidade, a obra foi concluída e o teatro inaugurado em 1973, a um custo de US$ 102 milhões, aumento de prazo e custo decorrentes de dificuldades de encontrar materiais com adequada resistência mecânica e que resistisse às diferenças de temperatura da região, dificuldades no dimensionamento (cálculo estrutural), pressões políticas e dificuldades técnicas na execução.

As dificuldades encontradas levaram  mudanças de escopo, e todas estas dificuldades (prazo, custo e escopo) levaram Jorn Utzon a abandonar o projeto em 1965. Um fato digno de nota é que o arquiteto, antes desta obra, tinha sido vencedor de 7 dentre 18 concursos dos quais participou, mas ainda não tinha visto nenhuma de suas obras concluídas (as obras de um grande arquiteto brasileiro, Oscar Niemeyer, não chegaram a tal nível de dificuldade, mas eram também enormes desafios pra os engenheiros calculistas).

Em 2007, a Opera House de Sydney foi tombada pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade.

Breve, publicaremos mais artigos sobre outros mega projetos, os quais também extrapolaram os limites da tripla restrição, alguns dos quais foram fracassos retumbantes, e outros que sobreviveram e se tornaram marcos da Engenharia. Pra ser notificado dos novos artigos, cadastre seu e-mail em “Assine o Blogtek”. SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

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  • Pingback: Prazo, Custo e Qualidade – o “case” da Ópera House de Sydney | Gerente de Projetos()

  • Luiz Estima

    Stonner.
    Não conhecia esse caso. Achei sensacional. Caracteriza perfeitamente as dificuldades de obras grandes e complexas, mais ainda inserida dentro de cenários políticos!
    “Escolha dois desses três” é perfeito e ilustra um conceito econômico que está em tudo na vida : custo de oportunidade. Suas escolhas, implicam em renuncia de alguma coisa.

    Grande abraço!

  • joelma damasceno mota

    Ótimo exemplo de um marco da engenharia que trilhou os rumos difíceis da ansiedade em se implantar um projeto inovador. O paralelo com as obras da Copa é perfeito: a mistura de vontade política, pressão por prazo e falta de maturidade de um projeto só pode resultar em custos elevados e outras perdas mais significativas, como acidentes. Obrigada Stonner, por mais um artigo perfeito para ilustrar teses. Grande abraço!

  • josé henrique de araújo silva

    Além da complexidade desse tipo de empreendimento, temos que levar em conta a formação da mão de obra, em todos os seus níveis. Um escopo bem definido, nem sempre evita prazos e custos de acordo com o previsto inicialmente, principalmente quando novas tecnologias precisam são incorporadas durante o processo construtivo e não idealizadas na fase do projeto executivo. Nossos projetos, feitos a toque de caixa para atender as demandas políticas, não incorporam as tecnologias necessárias nesta fase, pois os estudos de construtibilidade, são definidos no momento errado do empreendimento.
    Não é todo dia que temos obras que vão fazer alguns empreendimentos se tornarem um dia “patrimônio da humanidade”, como no caso do exemplo em questão.
    Temos errado naquilo que é mais danoso para uma sociedade pois, quase sempre, é premeditado, atendendo interesses escusos, hoje em dia claros aos olhos de qualquer leigo no assunto.

  • Odair

    Obrigado por compartilhar sua experiências.

  • Eu também achei muito interessante. O Farhad Abdollahyan comentou, no debate do Linkedin, e acrescentou um link interessante: http://calleam.com/WTPF/?p=3501

  • Obrigado, Joelma! Veja também este link: http://calleam.com/WTPF/?p=3501

  • Olá, José Henrique! Realmente, nem todo empreendimento “errado” se transforma em patrimônio da humanidade…mas vamos esperar que os nossos pelo menos deixem suas marcas para a posteridade!

  • Caro Odair, é sempre um prazer “garimpar” estas curiosidades do mundo dos projetos!

  • Ronildo Oliveira

    Parabéns pela postagem Rodolfo!
    Sem dúvidas este assunto nos ensina muito a respeito das obras de engenharia, cito dois trechos da postagem que me chama atenção e gostaria por isto deixar aqui minha opinião a respeito, são eles:

    “A área prevista foi demolida em 1958, e a construção estava prevista concluir em 1963, ao custo de US$ 7 milhões. A construção se iniciou sem que ainda tivesse sido definido o método construtivo para Obra (toda esta estrutura não tem pilares de sustentação). Na realidade, a obra foi concluída e o teatro inaugurado em 1973, a um custo de US$ 102 milhões, aumento de prazo e custo decorrentes de dificuldades de encontrar materiais com adequada resistência mecânica e que resistisse às diferenças de temperatura da região, dificuldades no dimensionamento (cálculo estrutural), pressões políticas e dificuldades técnicas na execução”.

    “As dificuldades encontradas levaram mudanças de escopo, e todas estas dificuldades (prazo, custo e escopo) levaram Jorn Utzon a abandonar o projeto em 1965. Um fato digno de nota é que o arquiteto, antes desta obra, tinha sido vencedor de 7 dentre 18 concursos dos quais participou, mas ainda não tinha visto nenhuma de suas obras concluídas (as obras de um grande arquiteto brasileiro, Oscar Niemeyer, não chegaram a tal nível de dificuldade, mas eram também enormes desafios pra os engenheiros calculistas)”.

    – Nesta parte do texto já é claro, (pelo menos em minha interpretação), que este investimento não seria bem sucedido, tendo em vista que a parte de concepção (uma das, senão a mais importante etapa do projeto), foi bruscamente atropelada, onde as informações de custo e prazo, por exemplo, não tiveram em nenhum momento estudos comprobatórios para sustentá-las. O escopo no meu entendimento é uma das primeiras e talvez uma das mais importantes informações que o coordenador do investimento deve ter para iniciar um projeto, porém este deve ser bem detalhado e rico em informações, já que será através dele que todo o estudo (concepção, consolidação, implantação e encerramento) será realizado. Não vi esta clareza de informação no projeto acima citado e acredito que ele não foi e não será o único. Um problema que nós coordenadores de investimentos temos que solucionar antes de estudar, informar valores e prazos aos stakeholders.
    – No segundo trecho, é possível fazer referencia aos “sonhos” dos nossos clientes, quando acionam a engenharia para construir algo inovador, isto é extremamente válido e muito importante, pois são através destes “sonhos” que conseguimos evoluir a humanidade, mas é preciso saber detalhadamente o que se quer (escopo), para que este seja bem estudado e planejado, fundamental para implantar dentro das metas propostas.

    Abraços.

  • Carlos Alberto Serafim

    Stonner, gosto muito de ler suas publicações mas diante desse último assunto vejo que as grandes obras no Brasil ficam sempre num custo muito acima do planejado. Como exemplo posso citar o elefante branco construído na Barra pelo Pref. César Maia que não deu em nada até hoje a reforma do Maracanã. Vc pode ver também que os governos quando estão no cargo planejam construir grandes obras para a população que não saem do papel ou então desfaz o planejamento do seu antecessor. Com isso gastamos muito e jogamos dinheiro pelo ralo.
    Após a copa do mundo teremos grandes estádios de futebol, que foram construídos com o sacrifício do povo, para mostrar para o mundo que também sabemos construir estádios.
    Estádios esses cercados de favelas com ruas mal sinalizadas e trânsito caótico.
    Eu iniciei minha profissão no auge da indústria metalúrgica e construção naval. Se nós olharmos pra traz veremos o quanto a indústria nacional encolheu. Vou parar por aqui.
    Concordo com tudo que vc diz, admiro muito a pessoa e profissional que vc é. Recentemente fiz um curso de Gerenciamento de Projeto – PMI e vi o quanto é importante ter o Planejamento nas mãos para o sucesso do Projeto. Um grande abraço.

  • Olá, Carlos Alberto, não estou tomando partido ou defendendo atrasos. Foi apenas uma forma de demonstrar que falhas em projetos existem, e não são exclusividade nossa. E é sempre bom visitar estes casos, pois muita coisa se aprende dos erros!

  • Carlos Honório Lemos

    Muito importante este tipo de divulgação, justamente para sabermos que no primeiro mundo também existem atrasos, aumento de custo e deficiência no planejamento.

  • De fato, Carlos Honório, são dificuldades vivenciadas pelos GP em todo o mundo.

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