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Por que reduzir escopo na Parada de Manutenção?

Stonner 11 Comentários 19.06.13 9713 Vizualizações Imprimir Enviar

Supakitmod - Freedownloadphotos.netVimos há algum tempo como são diferentes as visões da Parada, pela Operação e pela Manutenção. Vamos aqui mostrar com mais detalhes porque é importante reduzir escopo em uma Parada de Manutenção, e como fazê-lo com Segurança.

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Razões para reduzir escopo na Parada de Manutenção:

Muito frequentemente, a Operação vê a Parada como uma oportunidade para introdução de melhorias nas Unidades. Com esta visão, o volume de serviços na Parada aumenta consideravelmente. Na realidade, este é um equívoco:

  • O custo de manutenção na Parada é maior que na Rotina (cerca de 2,5 vezes maior).
  • A mão de obra de Rotina, de caráter mais permanente, tem melhor qualificação do que a mão de obra de Parada.
  • Quanto menos serviços na Parada, menos gente, menor exposição ao risco.
  • Reduzir serviços de Parada permite um gerenciamento mais focado (menor dispersão), e otimização da supervisão da Contratante.

A dificuldade que habitualmente se tem para reduzir o escopo de uma Parada é definir o que pode ser postergado para a próxima parada ou para ser feito na Rotina, de forma segura.

Como definir quais equipamentos devem sofrer manutenção na Parada, quais serviços em determinado equipamento podem deixar de ser feitos (mitigação) e quando os demais serviços deverão ser executados.

Para fazê-lo com Segurança, é necessário usar técnicas de Gerenciamento de Riscos.

  • Não podemos fazer tudo.
  • Devemos decidir o que precisamos fazer.
  • Vamos gerenciar o risco dos trabalhos que não forem feitos.
  • Como tomar as decisões?
  • Como saber se as decisões são consistentes?
  • Como definir o que é “risco aceitável”?

Redução Escopo 01

  • 100% de disponibilidade só é possível com unidade reserva
  •  Não gastar conduz inexoravelmente à baixa disponibilidade
  •  É preciso encontrar o ponto ótimo para otimizar o retorno

Ações para reduzir o escopo na Parada de Manutenção

Minimizar as Consequências dos riscos:

Equipamentos de segurança para proteger pessoas e equipamentos.

 

  • Planos de contingência e simulados de emergência.
  • Adequado projeto e lay-out das plantas.
  • Tanques de carga e produtos acabados para o caso de paradas de emergência (ou estoques de produtos, no caso de outras indústrias).
  • Equipamentos reserva para serviços críticos.

 

Minimizar a Probabilidade de ocorrência dos riscos:

  • Programas de inspeção.
  • Manutenção preventiva e preditiva.
  • Operação nas condições de projeto.
  • Procedimentos de Manutenção e Operação.
  • Adequado sistema de monitoração do processo e alarmes.

Riscos específicos em Paradas

Pessoas:

  • Limitado número de detentores da “expertise”, em paradas, processo, conhecimento dos equipamentos, etc.
  • Limitado número de executantes certificados.
  • Excesso de horas extras.
  • Dificuldades na passagem de serviço.
  • Perda de tempo entre turnos de execução.

Espaço físico:

  • Congestionamento de áreas com pessoas, guindastes, compressores, etc.
  • Número limitado de pessoas, andaimes e ferramentas dentro dos equipamentos.
  • Toda interface pode potencialmente comprometer o prazo da parada.

Segurança:

  • Áreas de trabalho congestionadas podem acarretar acidentes (queda de ferramentas, tropeções, etc.).
  • Se há a ameaça de atraso e os serviços são acelerados…acidentes podem ocorrer.
  • Entrada de pessoas em equipamentos são sempre um risco potencial.
  • Movimentação de cargas e manuseio de ferramentas pesadas também são um risco potencial.

Outros riscos:

  • Se você trabalha em algo, pode quebrá-lo…
  • Remoção e recolocação de feixes tubulares de permutadores podem provocar falhas…
  • Revisão de equipamentos rotativos pode introduzir defeitos…
  • Todo flange que foi aberto pode ter um vazamento na partida.
  • Capacetes, luvas, parafusos, braçadeiras tem misteriosa atração pelos lugares mais estranhos…
  • Água e ar dentro de sistemas de hidrocarbonetos são causa frequente de problemas na partida.

Matriz de Risco

  • Considera Saúde, Segurança e Meio Ambiente, e consequências operacionais e financeiras.
  • “Taylor made” (feito sob medida)
  • Trabalho em equipe: conjuga a “expertise” da Operação, Manutenção, Engenharia e Inspeção.
  • Auxilia a identificar itens de alto risco.
  • Verifica se os trabalhos listados agregam valor e estão consistentes com os objetivos do negócio.
  • Redução em volume de serviços e custo

MAS

Requer apoio formal, visível e ostensivo da Administração, reduzindo o “risco individual” (não queremos que ninguém “banque” a redução, a redução tem que ser baseada em critérios técnicos, claramente definidos, com a aprovação da Administração).

Exemplo de Matriz de Risco, em Paradas

Exemplo de Matriz de Risco, em Paradas

Desenvolvimento da Matriz de Risco:

Descrição dos cenários de risco (disponibilidade, fatores SMS, etc.)

Atribuir “severidade” das consequências

Decisões financeiras

Confirmar o que é aceitável / inaceitável

Construir a matriz

A Matriz de Risco, e a descrição de suas variáveis

A Matriz de Risco, e a descrição de suas variáveis

Processo para reduzir escopo da Parada de Manutenção:

Questões a serem debatidas em um grupo multidisciplinar:

  • O que faz o equipamento?
  • Está operando atualmente?
  • A unidade opera sem o equipamento?
  • Pode ser isolado da Unidade?
  • Tem reserva?
  • Qual é o Nível requerido de inspeção?
  • Qual é o Histórico de reparos?
  • Como são as Condições de processo? O equipamento operou nas condições normais de processo?
  • Qual é a Categoria de risco?
  • Quais são as alternativas de execução?
Fluxograma decisório no processo de Reduzir Escopo na Parada de Manutenção

Fluxograma decisório no processo de Reduzir Escopo na Parada de Manutenção

Reduzir escopo em Parada de Manutenção – exemplo

O exemplo a seguir é baseado em caso real.

Em uma parada de manutenção, estava previsto para um vaso (instalado em 2004), nunca antes inspecionado internamente, as seguintes atividades: Raquetear, abrir, limpar e inspecionar.

Análise:

Probabilidade:

Em 2008, ultrassom externo não evidenciou corrosão significativa.

Pelas características do fluido, do processo e do material do vaso, o mecanismo de corrosão seria alveolar.

Os alvéolos provavelmente não se tornariam passantes antes de 2014 (próxima parada).

Probabilidade = extremamente improvável

Consequências:

Consequência seria parada de diversas unidades para sanar vazamento.

Fogo é improvável, pois o vazamento seria pequeno e começaria gotejando, pois o vaso não trabalha em alta pressão, e o fluido sairia abaixo da temperatura de ignição.

Consequência = Muito séria (Acidente com afastamento / Parada de diversas unidades / Ocorrência ambiental com impacto externo)

Categoria de Risco: B5

Sem esta análise, possivelmente se consideraria como categoria de risco B3. Após esta avaliação, decidiu-se não realizar a intervenção neste vaso nesta Parada.

Reduzir escopo na Parada de Manutenção – efeitos no custo

Ao reduzir o escopo em uma parada de manutenção, aumenta-se o volume de serviços de manutenção de rotina. No entanto, como o custo da mão de obra de rotina é menor do que o custo da mão de obra de parada, temos o seguinte gráfico, que evidencia que como um todo temos uma redução de custos, redução que historicamente fica entre 10% e 30%.

Redução de custo, após reduzir escopo na Parada de Manutenção

Redução de custo, após reduzir escopo na Parada de Manutenção

Cabe lembrar, como já destacado em artigo anterior, que a chave para a redução de escopo, é transformar o círculo vicioso abaixo,

Círculo vicioso

Círculo vicioso

em círculo virtuoso, através da confiança da Operação na Manutenção de Rotina!!!

 

Círculo virtuoso

Círculo virtuoso

 

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

DEIXE O SEU COMENTÁRIO

  • joelma mota

    Grande artigo Stonner! Ainda temos muitas barreiras a quebrar, mas vc fechou com chave de ouro: o segredo de uma parada com escopo reduzido é uma rotina de manutenção capacitada (que consiga levantar dados, interpretá-los e usá-los na proposição de cenários) e capaz de atender a operação(orçamento adequado para os compromissos do ano).

    Grande abraço, joelma

  • Olá, Joelma, obrigado!! Sabemos bem dos problemas da Parada, não é?

  • Odair

    Excelente artigo, realmente evita atropelos em Paradas longas, minimizando os riscos e cumprimento de prazos.

  • Amancio

    Excelente artigo Stonner, vai ser muito bom para o meu trabalho, obrigado.

  • valeu, Amâncio, conto com suas visitas, sugestões e comentários!

  • Sant´Ana

    Stonner, bons artigos, principalmente o de redução de parada, vou usar nas minhas paradas preventivas da unidade que trabalho

  • Caro Sant’Ana, obrigado pelo feedback. Sucesso em suas paradas!!!

  • Ricardo Dettogni Carrareto

    Excelente artigo Stoner, é sempre um desafio avaliar de forma criteriosa os impactos de não realizar ou realizar intervenções em determinados equipamentos.
    Já passei por esta situação diversas vezes.

    Com relação a matriz de riscos você poderia disponibilizar um template do (arquivo, planilha,etc) da forma sistemática que utiliza para avaliar os riscos conforme apresentado em seu artigo? Caso possa segue meu e-mail:
    ricardo.dettogni@gmail.com

  • Caro Ricardo, obrigado pelo feedback! No artigo publicado anteriormente, http://blogtek.com.br/analise-qualitativa-de-riscos/, há um Plano de Resposta aos Riscos, com uma matriz de riscos customizável conforme a aversão ao risco. Veja se atende!

  • Charles

    Um gerente de Parada com experiência em manutenção é de grande importância na hora da consolidação do escopo da Parada, nem sempre os supervisores (manutenção/operação/inspeção) pensam em custos quando solicitam os serviços.

  • Cláudio Hercílio

    Stonner, leio seus artigos e aprendo com eles. Já trabalhei em manutenção e hoje sou da operação. Realmente a operação vê a parada como oportunidade de inserir melhorias; Melhorias estas que as vezes são cruciais e simples de implementar, mas que por vezes são desconsideradas durante a parada, que visa apenas cumprir determinações de uma norma (NR-13 por exemplo). Vale salientar que muitas vezes a parada é a única oportunidade que temos para implementar a melhoria que em muitos casos chega a ser a correção daquilo que vem funcionando mal desde o início, que foi mal projetado ou executado e que cria problemas no dia a dia. Muita coisa fica de fora não só por inserir os citados riscos mas porque ninguém quer gastar um pouquinho mais de tempo para planejar aquilo que não considera crucial mas que pode ser feito com facilidade durante a parada, se bem planejado.

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