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Planejar não é “pilotar” o Project…

Stonner 29 Comentários 22.09.13 13517 Vizualizações Imprimir Enviar

Planejar não é pilotar o Project (ou qualquer outro software de planejamento)… atualmente há diversos softwares de planejamento, com diferentes níveis de detalhes e possibilidades. Aprender a utilizar estes softwares não é tão difícil (pelo menos o básico), porém é preciso entender que estes softwares são uma ferramenta de planejamento, não são O Planejamento. Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui ao lado, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

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Planejar não é uma atividade para “Geeks”

Modern Infographics Business Technology Communication by KROMKRATHOG“Geek” é uma palavra em Inglês cujo sentido evoluiu com o tempo, de forma similar à palavra “nerd”. Atualmente, seu sentido mais comum é de um indivíduo fissurado por tecnologia, games, computadores, tablets, conhecedor de todos os lançamentos e detalhes dos produtos. A equipe de Assistência Técnica da Best Buy, rede de lojas de Eletro-Eletrônicos dos Estados Unidos, meca de consumo para os turistas brasileiros, é denominada “Geek Squad”.

 

Então, o geek é a pessoa a quem você deve recorrer quando esgotar seu arsenal de tentativas para solucionar um problema de informática.

Talvez um geek conheça os mais profundos recursos do Project, do Primavera, ou de outro software de planejamento, mas o fato de saber operar um software de planejamento não o torna um planejador.

Esta é inclusive uma das grandes dificuldades que temos ao escolher cursos de Project, Primavera, etc. É que muitos destes cursos são ministrados por quem entende de informática, entende do programa, não tem a menor ideia sobre planejamento, projetos, etc.

Há muito tempo, nos primórdios da minha carreira, quando ainda desenhávamos as redes de precedência no papel (leia o artigo do Paulo Cid, http://pmkb.com.br/papel-de-parede-ou-planejamento-do-projeto/), fui fazer um destes cursos. Acho que era do SuperProject, ainda em ambiente DOS…quanto tempo!!!!

O instrutor estava ensinando como cadastrar atividades – descrição, prazos, recursos – e, em dado momento, comentei que a maneira que ele estava utilizando era viável para algumas dezenas de atividades, mas não para milhares de atividades!!! Ele me olhou com uma cara estranha, como quem jamais havia imaginado tal número de atividades…e nós, que atuamos na área, sabemos que isto é rotineiro. Também não tinha ideia do conceito de nivelamento, etc.

Planejador tem que entender de projeto, de obra…

Young Man Standing On Rock And Looking To Building Construction by khunaspixPlanejar significa executar mentalmente o projeto, a obra, uma sequência de atividades, buscando antever as possíveis dificuldades, os recursos necessários, os prazos e custos estimados, sequenciar atividades, tudo aquilo que o PMBoK Guide (em qualquer edição) nos ensina a respeito de Gerenciamento de Prazo e planejamento.

Depois desta intensa atividade mental, é que iremos começar a colocar o planejamento no software, para podermos melhor ver as interações entre atividades, os comportamentos dos prazos, recursos e custos, identificar alternativas, refinar o planejamento…

Portanto, o software não é uma caixa preta onde se coloca um monte de informações avulsas, e sai um conjunto de informações organizadas e otimizadas…vale aqui o preceito do que o americano chama de “Shit in, shit out”.

….e gerente tem entender de planejamento

Computer Tablet Showing A Spreadsheet by cooldesignDe forma análoga, o gerente, os engenheiros também tem que ter noção do planejamento e da ferramenta utilizada.

Não precisa saber detalhes de como se faz o nivelamento de recursos, como é gerada a curva de avanço, mas tem que ser capaz de percorrer as principais telas do programa, e, mesmo sem alterar nada (o que aliás muitas vezes é recomendável…), ser capaz de avaliar o que está sendo proposto e sugerir alternativas: “Não seria possível estender este horário para diminuir o prazo desta atividade?”, “Não há uma tecnologia diferente que possa ser utilizada para executar isto?”, “Estas duas atividades não podem ser executadas em paralelo?”, etc.

Neste sentido, o Project é uma excelente ferramenta, pois com um pouco de treino, às vezes até como autodidata, é possível se familiarizar com as principais telas, comandos e ações, e entender melhor o que está ocorrendo.

Já o Primavera, ainda que reconheça sua importância e capabilidades, intimida mais o usuário inexperiente e desconhecedor do software. Seja pelo preço, por ser um software geralmente corporativo, raramente alguém o tem em seu computador pessoal, e poucos sabem portanto utilizá-lo.

Quando estive trabalhando nos Estados Unidos, na Refinaria de Pasadena, havia um funcionário que era “o cara” do Primavera. Sabia tudo, todos o consultavam a respeito de qualquer dúvida, mas, se ele fosse à área industrial (nunca o vi lá…) seria incapaz de distinguir entre um forno e uma caldeira…

Então, evidentemente esta interface Software de Planejamento – Operador do Programa – Planejador é um obstáculo ao atingimento dos níveis desejados de resultados do planejamento…

Planejar também é ouvir…

Ainda que o planejador, ou seja, aquele que entende de obra, projeto, atividades industriais, atividades de campo, conheça e saiba operar bem o programa (Project, Primavera, ou tantos outros…), certamente não conhece todas as especialidades envolvidas em um grande projeto industrial ou similar (processo, materiais, movimentação de carga, caldeiraria, isolamento térmico, refratários, mecânica, elétrica, instrumentação, geotecnia, civil, andaimes, limpeza industrial, solda…). Então é necessário conversar com as equipes especializadas, com quem vai executar, para poder adequadamente estimar prazos, alocar recursos, equipamentos, estabelecer a sequência correta de atividades.

E, ainda nas áreas em que detém conhecimento, os prazos tem que ser definidos e acordados com aqueles que executam, para criar o comprometimento…quando o prazo é arbitrado sem que o executante seja envolvido, este certamente não se preocupará em cumpri-lo.

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

DEIXE O SEU COMENTÁRIO

  • Laertes

    Bom dia,
    Diariamente leio diversos artigos etc sobre planejamento mas ” Planejar não e Pilotar o Project ” é o verdadeiro resumo da ópera, parabéns.

  • Heider Freire

    Infelizmente, a massificaçao de operadores de programas tem contribuído para que algumas empresas não enxerguem o valor do planejamento com análise crítica.

  • Valeu, Laertes!

  • Pois é, Heider, e creio que você também já se apercebeu de quantos operadores de programas infelizmente não entendem nada de Obra! A maioria!

  • Bayard C Gutterres

    Stonner
    O problema são os teóricos de plantão, sempre tentando criar expressões novas, uma linguagem diferenciada, para as mesmas coisas.
    O planejamento não mudou, mas as ferramentas se superam dia a dia, na tentativa de suprir as deficiências das competências.
    Partindo deste princípio, havemos de concordar que a expressão do óbvio vem sendo manipulada para aparecer genialidade, quando já é por si só. Já foi inventado, é óbvio.
    Também já fiz muita rede à mão. O forno de recozimento da NUCLEP, em Itaguaí, foi todo planejado, em segunda estância, por mim e por uma equipe de competência, que utilizando um sistema de atividades arcaico, chamado KARDEX, os ordenou através da rede PERT.
    É uma cachaça. Ainda hoje, em algumas obras, me pego fazendo uma rede aqui e outra acolá, de pequenos projetos, acessórios aos empreendimentos em que me envolvo.
    Prazer estar aqui. Abraço.

  • Prazer em ter visitantes que representam nossa “velha guarda”, caro Bayard!

  • Bayard C Gutterres

    Este é um dos poucos, bem poucos blogs não evasivos do Linkedin.
    Grande abraço.

  • Obrigado, Bayard!

  • Eugênio Lima

    Muito bom artigo teacher. Encaminhei para alguns colegas, que acredito necessitar de mais esclarecimentos sobre o assunto.

  • Jorge Andre

    Parabéns!
    Muito boa a afirmação, pois hoje em dia, se o project travar, acabou a obra. . . Ou melhor, vai atrasar.
    Abraços!

  • Obrigado pela divulgação, Eugênio!!!

  • É verdade, Jorge André, rsrsrsrsrsrs…

  • Bayard C Gutterres

    Amigos, o Project se transformou numa ferramenta de demonstrar atraso. Não importando o nome, sem o controle acompanhado, in locco, sem o conhecimento da rede, não serve para nada. Antigamente tínhamos uma rede exposta numa lousa ocupando uma grande extensão da parede. Além do acompanhamento das atividades planejadas através das programações de produção, retornávamos à rede e calculávamos até esteticamente, pois mitas vezes uma alteração no design da rede, quando muito brusca, nos alertava. Além do efeito matemático no prazo.
    A rede nos diz onde mexer para que não comprometamos de forma contundente nosso prazo e ao mesmo tempo nos demonstra qualquer variação do caminho crítico, que sabemos, é variável, de acordo com a prioridade, ou seja, o caminho crítico é eventual.
    Abraço

  • Flavio Cunha

    É o que acontece põe os “especialistas”, e os da moda agora são os de Primavera passa dois ou três meses e a coisa não anda e só se vê o que todos sabem vai atrasar ai querem botar mais “especialistas”. Quando percebem já era.
    Estive num empreendimento em que não se olhava os detalhes do projeto só se cadastrava pelo nome do documento não se analisava as interfaces entre eles e se eram exequíveis.

  • Milton Machado

    Obrigado por ste artigo! A leitura foi um desabafo.

  • Valeu, Milton, rsrsrsrsrsrs…

  • Manoel Sierra

    Quando estamos falando de um bom planejamento, entendemos que tudo que foi detalhado foi negociado com todas as disciplinas envolvidas, acredito que o mais importante ao por em pratica o cronograma e também os envolvidos estejam ciente daquilo que esta delineado acreditando nisso, para que prazos e custo não tenha desvios todo equipe deve ter a exata noção daquilo que foi planejado.

  • Pois é, Manoel, exato. Se os executantes não estiverem a par do que foi planejado, se não forem envolvidos, não terão nenhum comprometimento com prazos e custos.

  • Thales

    Bom dia

    Excelente artigo simples ,fácil de entender e direto no ponto

  • Obrigado, Thales! Conto com seus comentários e sugestões.

  • Pingback: blogtek.com.br10 razões para fracassos de Megaprojetos - blogtek.com.br()

  • Juliana

    Gostei muito de ler este artigo, sou instrutora de informática e leciono cursos sobre MSP e logo de início quando conheci o programa percebi que ele não era tão simples quanto parecia. Conheci pessoas como citou, que lecionavam puramente a ferramenta sem conceitos.

    Estudei gestão de projetos, li diversos livros, participei de composição de projetos e planejamentos para ter a experiência necessária para falar com firmeza sobre a ferramenta nos cursos que ministro.

    Este artigo me fez ter orgulho do que faço, pois retrata exatamente o que falo nas turmas: “MS Project é só uma ferramenta! Aceita o que você incluir nos campos…. mas o Campo de trabalho e execução real do projeto é responsabilidade da equipe!”

  • Obrigado, Juliana, fico feliz em saber que você é uma instrutora que não apenas apresenta a feramenta, mas também sabe PARA QUE serve a ferramenta. Parabéns, e seja bem vinda ao Blogtek!

  • Ferson Antonio de Souza

    Caríssimo Stoner, tive o prazer de trabalhar sob sua batuta em alguns projetos na REDUC, já a algum tempo, inclusive você estava indo para para EUA e infelizmente fez muita falta.
    Fiz alguns progressos depois do curso do Project.
    Fiz com a Bessa o Primavera mas a questão relutante fica em ministra-lo, acredito muita na ferramenta MS Project. Ainda em várias pautas
    Estas suas publicações são magníficas, tenho acompanhado juntamentos com o Engº Karam (Ex Cegelec), aliás ele me mandou estas.
    Tenho meu primeiro livro de curso ministrato por você e nele autografado.
    Desejo-lhe muita Saúde e felicidades.
    No Momento estou em Minas – Próximo BH.MG.
    Estes tempos de aguardo esta meio complicado, portanto aguardo momentos melhores.
    Grande abraço.
    Gerson
    Lembranças à família.

  • Caro Gerson, fico feliz por você ter me reencontrado, ainda que virtualmente, e esteja apreciando o Blogtek! O Karam é um assíduo leitor, que muito me honra! Grande abraço!

  • Feliph Medeiros Pinheiro

    Gostei muito dosse artigo.
    Comecei a pouco tempo no planejamento e, já aprendi bastante.
    Esse artigo veio me dar uma luz um pouco melhor dessa área!!!
    Minha maior preocupação sempre foram os softwars, mais percebi que não é tão complicado, basta você ter foco e saber avaliar a capacidade tecnica de sua equipe, ah! comunicação com as equipes é para mim o pincipal ponto para se ter sucesso nessa área !

  • Feliph, que bom que os artigos do Blogtek estão ajudando!!! A melhor maneira de dominar um software é utilizando-o! Siga em frente!!!

  • Jorge Antônio da Silva

    Belíssimas considerações . Parabéns

  • Obrigado pela visita ao Blogtek!

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