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Performance nos contratos de obras onshore versus offshore

Stonner 13 Comentários 14.02.13 3443 Vizualizações Imprimir Enviar

Obras onshore e offshore: Ao se compararem os indicadores de realização de projetos (custo, prazo, etc.) entre obras offshore (tipicamente plataformas e instalações de produção) e obras onshore (tipicamente refinarias), observa-se claramente a melhor performance dos projetos offshore. Esta constatação, que é feita em nível mundial, se destaca particularmente no Brasil. Maiores detalhes podem ser obtidos no livro Industrial Megaprojects, de Edward W. Merrow, fundador do IPA (Independent Project Analysis, Inc.).

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Ainda que no cenário brasileiro atual exista uma explícita priorização das atividades de produção, principalmente em função da descoberta do pré-sal e do declínio da produção dos campos marítimos maduros, existem certamente outras variáveis no processo.

Obras onshore e offshore:

As obras de plataformas ou FPSO (navios adaptados para Floating, Production, Storage and Offloading – unidade Flutuante de Produção, Armazenamento e Transferência) são executadas em estaleiros e complementadas no mar. Os estaleiros são instalações onde habitualmente existem atividades industriais, e as comunidades que se formam no entorno são criadas em função destes.

Em contrapartida, quando da construção de novas refinarias, estas são instaladas em novos locais, onde não frequentemente não havia atividade industrial deste tipo (por exemplo, Bacabeira, no Maranhão), ou, há atividade industrial em escala menor e de outra especificidade (por exemplo, Itaboraí – Comperj, ou Recife  e adjacências – RNEST). A instalação destas novas unidades causam impacto similar a de outras grandes obras terrestres de infraestrutura, tais como Belo Monte e Jirau: aumento do custo de vida, migração de trabalhadores, especulação imobiliária, disparada no preço dos aluguéis, aumento da criminalidade e da prostituição.

Estes impactos no entorno da região afetada despertam a atuação, muitas vezes até bem intencionada, dos políticos locais: prefeitos e vereadores começam a visitar a Obra, questionam alguns aspectos dos contratos, são muito sensíveis às ocorrências na Obra.

Uma clara demonstração disto ocorreu na Obra de Terraplenagem da Refinaria Premium I, no Maranhão, no município de Bacabeira, em 2012. Em 2011, houve um pico de 3500 trabalhadores nesta fase da Obra, os quais foram em sua maioria desmobilizados no primeiro semestre de 2012, como previsto no Contrato. Os seis primeiros meses do ano no Maranhão são extremamente chuvosos, impossibilitando as atividades de terraplenagem. No entanto, no quadro político tradicional do Maranhão, a implantação da Refinaria Premium estava, aos olhos da população, intrinsecamente ligado a motivos eleitoreiros. O burburinho motivou intensa movimentação política, a ponto da presidente da Petrobras, Graça Foster, ter ido em Julho/2012 ao Maranhão, onde almoçou com a governadora Roseana Sarney, e reafirmou publicamente o firme propósito da instalação da refinaria.

A questão de acessos ao site da construção também é um diferencial de performance entre projetos offshore e onshore. Enquanto para obras offshore a questão de acessos não é tão crucial,  para obras onshore esta é uma questão delicada. O Comperj sofre até hoje transtornos devido à questão de acessos, seja de pessoas (já mitigado), como também de equipamentos (ainda um ponto crítico).

Modularização:

A modularização consiste na fabricação de grandes módulos (por vezes unidades inteiras) em sites em que  mão de obra seja mais abundante e barata, onde haja melhor estrutura para fabricação, menores encargos, e posterior transporte para o local de instalação. É uma solução simples para obras offshore, porém requer maiores estudos para implementação em obras onshore, devido às questões de acesso terrestre.

A modularização frequentemente diminui custo e prazo em um empreendimento, porém é uma alternativa mais facilmente adotada em obras offshore do que onshore, posto que as obras são no mar, por onde é feita a maior parte do transporte de módulos.

Todos estes fatores são preponderantes na obtenção de melhores indicadores de performance offshore do que onshore.

Exposição à mídia:

Toda grande obra está sujeita a movimentos trabalhistas. Sem entrar no mérito destas questões, é inegável que as obras onshore são muito mais suscetíveis a este tipo de interferência. Primeiro, pela facilidade de acesso dos trabalhadores, bem como da imprensa, possibilitando maior repercussão. Segundo, pela maior dificuldade de controle dos eventos que possam ser deflagrados. Quando se fala de incidentes em obras, logo nos vem à mente Jirau, Belo Monte, e outros, todos coincidentemente em terra.

Esta susceptibilidade de obras onshore a movimentações trabalhistas, impactos sociais, atos de vandalismo, deve ser necessariamente incluída na Análise de Risco do empreendimento.

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

DEIXE O SEU COMENTÁRIO

  • Marcelino Torres

    Obras onshore e offshore:
    Caro Stonner
    Concordo com vários pontos muito bem colocados, no entanto, gostaria de acrescentar outros nesta sua analise:
    1) Seleção dos gestores:
    Deveriam ser consideradas pessoas com mais “obras trabalhadas”, (em muitos casos, foi trocado pelo quesito “mais novo” a desculpa de não haver profissionais não qualificado foi a mais usada, porem, conhecemos vários profissionais que poderiam estar atuando nestas obras, mas por algum motivo não justificado, não foram convidados);
    2) Falta de planejamento para Mitigar Risco e Criar Valor para todos:
    Todos sabem que a etapa de implementação de um empreendimento é decisiva para o resultado final, mas o que mais acontece são prazos curtos, falta de planejamento (com grande influência no custo final e no VPL), falta de modelos confrontacionais que por vez, levam a uma destruição de valor para os envolvidos no empreendimento, Cliente e Parceiros.

  • Alexandre Andrade Ataide

    Mandou bem, Stonner! Os empreendimentos da Petrobras são grandiosos e o tamanho dos problemas são diretamente proporcionais ao volume de investimento. Esta tese é ratificada quando observamos uma performance similar em empreendimentos mais complexos na iniciativa privada.

  • Evandro

    O ideal seria do poço ao posto com menos gargalos de infra-estrutura, burocracia e impostos, ao meu ver teríamos um maior equilíbrio entre as obras offshore e onshore.

    *A modularização frequentemente diminui custo e prazo em um empreendimento, porém é uma alternativa mais facilmente adotada em obras offshore do que offshore […]” não seria offshore do que onshore?

  • Hugo Karam de Lima

    Stonner,

    Na minha avaliação a melhor perfomance dos projetos offshore com relação aos projetos onshore se devem a melhor qualidade e maiores exigências dos projetos: conceitual e básico, bem como, as especificações técnicas, folha de dados e padrões aplicados para plataformas e instalações de produção com envolvimento e maior comprometimento de todas engenharias da PETROBRAS: Desenvolvimento Tecnológico ( Equipamentos e Materiais), Obras e Manutenção, Planejamento, e principal apoio da engenharia do CENPES.
    Um bom exemplo é a especificação técnica e a instalação elétrica / instrumentação do conjunto moto-bomba acionado por paineis de conversores de frequencia para plataformas.
    Outro fato muito mais relevante que impactam em custos e prazos de projetos são os tipos de contratos e de gestão de empreendimentos na modalidade de EPC e CONSÓRCIO, onde o negócio é a “demanda financeira” em detrimento do bom projeto e da boa prática de engenharia, vide o caso do consórcios Itaboraí-URE e Itaboraí-HDT, compostos pelas empresas Delta, TKK Engenharia Ltda e a Projectus Consultoria Ltda, segundo a PB a decisão foi motivada por baixo desempenho.

    Hugo Karam

  • Obrigado, Marcelino, pelo feedback e comentários. Concordo com os cuidados a serem tomados na Seleção dos Gestores, e na Falta de Planejamento para mitigar risco e agregar valor. Conhecemos bem as ferramentas de Análise de Risco, porém não utilizamos adequadamente os outputs desta análise.

  • Valeu, Alexandre. Bem sabemos o tamanho dos problemas, com relação ao porte dos investimentos!

  • Concordo com você, Evandro, temos que diminuir muitos grgalos em nosso dia-a-dia. Obrigado também pela correção, a qual já foi providenciada!

  • Olá, Karam, é um prazer receber comentários deste batalhador pela Engenharia Brasileira. Realmente, há uma série de fatores que levam à melhor performance dos projetos, mas o post é resumido. Na verdade, a intenção dos posts é provocar a reflexão e o debate, e fico feliz em receber tantos comentários agregando conteúdo e informações. Espero poder sempre contar com suas visitas e comentários!

  • Airton Oliveira

    Parabenz Stonner.

    Excelente os temas abordado.
    Com certeza serei um novo leitor do seu BLOG TEK.

    Att.
    Oliveiraairton

  • Muito obrigado, meu caro Airton. Estaremos em contato!!!!

  • Sérgio Rachid

    Caro Stoner;
    Pela minha visão não existe como comparar a performance de obras off shore com obras on shore.
    Os FPSO ou qualquer outro tipo de plataforma são obras concentradas em um estaleiro, que tem uma EPCista formada por 2 ou 3 empresas de grande porte para executar o Projeto que é totalmente modularizado, tanto o casco quanto as facilidades de produção (módulos de compressão, geração, acomodação e etc.). Estes módulos são comprados em fabricantes selecionados em um “vendor-list” e depois montados no top side do navio e interligados. Ao passo que a obra de implementação de uma refinaria, por exemplo, é uma obra de uma complexidade muito grande sob o aspecto de gerenciamento e execução. Além de serem obras bem espraiadas com uma grande quantidade de unidades de processo e off sites bastante complexos de serem implementados. Os licenciamentos , bem como as desapropriações de áreas constituem um risco muito grande para a conclusão do empreendimento difíceis de serm mitigados. A própria infra estrutura para este tipo de empreendimento é bem complexa, tendo-se às vezes de se construir estradas, pieres e outras coisas mais para viabilizar a implantação da obra.
    Por estes fatores, entre oputros mais, é que não concordo na comparação destes dois tipos de obras , on e off shore.

  • Caro Sérgio: quando faço esta comparação, é justamente para evidenciar quão diferentes são os ambientes em que se desenvolvem os projetos onshore e offshore, para que possamos estar cientes destes riscos e inclui-los em nossa análise. Muito pertinente seu comentário, espero sempre contar com suas visitas, comentários e divulgação!!

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