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Olimpíada, Poluição e Cauda Longa

Stonner 10 Comentários 21.05.14 3132 Vizualizações Imprimir Enviar

Olimpíada, Poluição e Cauda Longa – Recentemente publicamos aqui no Blogtek um artigo sobre o conceito oposto ao conceito de Pareto – o conceito da Cauda Longa. Mas, o que Olimpíadas e poluição tem a ver com o gráfico da Cauda Longa? É o que veremos neste artigo.  Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui ao lado, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

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Olimpíada, Poluição e Cauda Longa – o conceito de Cauda Longa

ID-100157012O princípio de Pareto, aplicado a vendas, por exemplo, estabelece que 80% do faturamento das vendas de uma empresa é oriundo de apenas 20% dos itens, os itens mais populares, sugerindo, portanto, com lógica, que a prioridade seja dada a estes 20% de itens, como ilustra o gráfico a seguir:

 

 

A Cauda Longa

A Cauda Longa

Então, se você é proprietário de um negócio, buscar ter sempre disponível em seu estoque os itens mais procurados. Custa muito caro ter TODOS os itens, e demanda MUITO espaço de armazenamento.

Porém, não há como negar que o somatório (ou ainda, a integral, a área sob a curva) da porção final da curva (a cauda longa) representa uma área considerável. Empresas como a Amazon, Netflix, iTunes e outras aproveitam o novo modelo de negócios viabilizado através da Internet pata poder nos dar acesso à cauda longa. Quem de nós nunca garimpou via Internet uma preciosidade rara?

Olimpíada, Poluição e Cauda Longa – a poluição da Baía da Guanabara

Poluição BGuanabara2Há anos ouço falar da despoluição da Baía da Guanabara. Pelo menos, desde 1992, quando ouve a Rio-92, encontro mundial de líderes preocupados com a questão ambiental.

À época, foi lançado o Programa de Despoluição da Baía da Guanabara, ainda tendo Leonel Brizola como governador.

Como Gerente de projetos, como engenheiro, portanto, racional, numérico, factual, imagino que se tenha buscado priorizar via Pareto ou uma curva ABC os aspectos mais importantes, ou seja, os maiores poluidores da Baía da Guanabara, os quais, certamente em termos de volume, são as indústrias situadas no entorno da Baía.

Porém, o controle exercido nestas indústrias é mais fácil e concentrado. Creio que tenha sido feito nas maiores indústrias, e posso testemunhar com relação à REDUC, por exemplo.

No entanto, é evidente para todos nós que convivemos próximo à Baía da Guanabara que esta continua poluída…e tenho ouvido notícias na mídia sobre preocupações do Comitê Olímpico com relação a esportes que venham a ser desenvolvidos na Baía da Guanabara.

E é aí que me vem à mente o conceito da Cauda Longa.

Olimpíada, Poluição e Cauda Longa – números da poluição da Baía da Guanabara

Poluição BGuanabara3Só na favela da Maré, muito sob o foco da mídia atualmente, há cerca de 38 mil domicílios (http://redesdamare.org.br/?cat=28).

Estima-se a população residente em favelas no Rio de Janeiro em cerca de 1.400.000 pessoas (http://oglobo.globo.com/pais/rio-a-cidade-com-maior-populacao-em-favelas-do-brasil-3489272). Estes números não incluem comunidades do outro lado da Baía, no entorno de Niterói e São Gonçalo, bem como Caxias. É razoável supor que 60% deste total vivam às margens da Baía da Guanabara, e é razoável supor também que cerca de 60% dos esgotos sejam descarregados sem tratamento na Baía da Guanabara, seja diretamente, ou através dos cursos d’água que desembocam na Baía.

Então, vamos às contas, admitindo que uma ida ao vaso normalmente representa uma excreção de cerca de 400g (nunca pesei…é apenas uma estimativa…rsrsrsrs):

60% x 60% x 1.400.000 x 0,4 kg = 201,6 toneladas de m(*) lançadas todos os dias na Baía da Guanabara!!!! Este é o peso da cauda longa do gráfico da poluição da Baía da Guanabara!!!

Em 2001, por ocasião do vazamento de óleo na Baía da Guanabara, trabalhei na mitigação dos efeitos do vazamento. Lembro-me da IMENSA quantidade de garrafas PET, pneus, sofás, carcaças de eletrodomésticos, que retiramos da Baía da Guanabara.

À época, além de trabalhar na REDUC, dava aulas à noite no pré-vestibular…sabedores de que eu trabalhava na Petrobras, com a irreverência característica dos adolescentes, os meus alunos me provocavam, ao que respondia bem humoradamente que seriam necessários mais alguns vazamentos de óleo para despoluir a Baía, pois, se sujávamos “x”, limpávamos “10x”…

 Olimpíada, Poluição e Cauda Longa –  e agora?

Poluição BGuanabaraA identificação do peso desta cauda longa leva necessariamente a deslocar o foco… mas reconheço que este é um problema muito mais complexo do que simplesmente controlar as emissões poluentes da indústria.

Porém, é absolutamente necessário focar este problema, e entendo que a efetividade dos resultados dependerá não de ação apenas governamental, mas de conscientização e certamente a criação de mecanismos que:

1-     Disponibilizem soluções para descarte dos efluentes domésticos, e

2-     Conscientizem e Incentivem a população para o correto descarte destes efluentes.

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

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  • Roberto Taveiros Darski

    Caro.
    Como carioca lamento isto, tendo trabalhado cinco anos em São Paulo até 2013 e agora colaborando em Salvador já fazendo um pouco mais de um ano vejo que esta cauda está ficando cada vez mais longa e se multiplicando no país. Lembro que na época do primeiro governo Brizola (83-87) houve recurso proveniente do Banco Mundial em torno de U$800 milhões para iniciar o programa de despoluição da Baía de Guanabara. Com a Eco-92 foi anunciado o PDBG (Plano de Despoluição da Baía de Guanabara) com recursos do governo japonês e BID que é colocado que já consumiu mais de U$1 bilhão e as estações de tratamento construídas através do projeto não funcionam plenamente. Com a nossa cultura de falta de organização e planejamento gerando esta má gestão supondo que os recursos estão sendo utilizados sem levarmos em conta a variável de subtração dos recursos temos este cenário faltando dois anos para o evento das Olimpíadas. Voltando a Cauda Longa à política populista demagógica de diversos desgovernos favelizou o país que foram chamadas de comunidade e implantou-se o orgulho de viver na favela. Hora se damos orgulho de alguém comer o que fica no vaso, o que ele vai reclamar? Não houve crescimento interno das pessoas e não houve evolução social e sim uma regressão. Se observarmos as favelas vemos que as pessoas pela economia informal e esforço, conseguem construir suas casas, mas sem informação, orientação, plano de habitação e urbanização vão construindo um verdadeiro caos urbano, social, onde os “esgotos” são construídos de qualquer forma, tomam qualquer rumo e vão parar nos rios e na Baía. Concordo que a conscientização, fazendo um esforço Hercúleo e ações de grande boa vontade poderia minimizar o problema, mas não temos uma cultura como outras sociedades de fazer planos de ação rápida. Perdeu-se tempo como sempre. Como brasileiro e carioca eu desejo que as coisas saiam da melhor forma possível, conforme agora na Copa do Mundo.
    Um forte abraço.
    Roberto

  • CORSON(1993) cita que:
    “a cada ano, entre 3 e 6 milhões de toneladas métricas de petróleo são lançadas nos oceanos, tanto de fontes baseadas no mar como no continente”;
    “a Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento estima que a poluição marinha com óleo nos oceanos é quase igualmente dividida entre bases continentais e marítimas”;
    sobre a poluição marinha, “muitos especialistas asseguram que mais de 90% do óleo poluente originam-se de bases no continente”;
    “a fonte principal da poluição com óleo em bases marítimas é a indústria de navegação, responsável pelo lançamento de aproximadamente 1,5 milhão de toneladas métricas de óleo nos oceanos a cada ano. Cerca de uma tonelada é lançada a cada mil toneladas transportadas”;
    “embora os vazamentos de óleo com os acidentes em navios-tanques ganhem novas diretrizes, eles ainda respondem por menos de um terço de todo o óleo derramado. O volume maior da poluição com o óleo gerada nos mares resulta da lavagem dos tanques com a água dos mares e da abertura do lastro, contendo óleo”;
    “grande parte da poluição dos mares com óleo, oriunda de bases dos continentes, vem de restos municipais e industriais, e do escoamento rural”.

  • Através da colaboração acima, o Pareto sobre a dimensão poluição inserida na cauda longa, sinaliza que é preciso trabalhar a poluição que procede do continente (efluentes sanitários, poluição por descarte de lubrificantes, por exemplo), decorrentes da miséria (ausência de educação, ausência de serviços básico de saneamento e limpeza pública, enfim) no entorno da Baía da Guanabara.
    A poluição acima é crônica, desde a tenra e incompetente gestão pública dos anos 60, acentuada pelo fatores acima mencionados.

  • De fato, Roberto, há quanto tempo se ouve falar desta despoluição!!!!!!!!

  • Muito bem colocado, Paulo Mendes! De fato, as grandes empresas de petróleo, seja por consciência seja por receio de prejuízos à marca ou pesadas multas, buscam evitar a poluição marítima. Já o transporte marítimo avulso, lá no alto mar….

  • Pleno acordo, Paulo!

  • Pleno acordo, Paulo Mendes!

  • Hugo Karam

    Vale um destaque que os investimentos devem ser priorizados em saneamento e não em despoluição pois têm um efeito direto na redução dos gastos públicos com serviços de saúde, segundo FUNASA. Para cada R$ 1,00 (um real) investido no setor de saneamento economiza-se R$ 4,00 (quatro reais) na área de medicina curativa.
    O que falta para corte da CAUDA LONGA é um projeto de nação e não de governo para saneamento, já incluído a despoluição, onde a Engenharia de Planejamento e Projeto devem ser as premissas de investimento e não de modelos, atuais, de contratação de serviços que impactam em paralisação, atrasos ou ainda no início da obra.
    Segue o site da situação da Baía de Guanabara :
    http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2014-05-28/baia-de-guanabara-tera-aguas-limpas-ate-as-olimpiadas-diz-presidente-da-cedae.html

  • Valeu, obrigado pela contribuição, Karam!!!

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