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Obras de Grande Porte: Lidando com os problemas da dinâmica diferenciada de contratação – 2ª Parte

Luiz Cláudio Estima 5 Comentários 26.01.14 4323 Vizualizações Imprimir Enviar

Obras de Grande Porte: vimos recentemente excelente artigo do colega, engenheiro e economista Luiz Estima, abordando a dinâmica diferenciada de contratação nestas obras (primeira parte). Naquele artigo, o engenheiro Estima abordava como dificuldades neste tipo de obras os seguintes problemas:

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a)     Poucas empresas;

b)     Alto custos de equipamentos especiais;

c)     Alta qualidade requerida;

d)     Mão-de-obra em quantidade e qualidade;

O item (a): Poucas Empresas, foi abordado no artigo anterior, e hoje serão abordados os demais. Para se manter informado sobre novos artigos do Blogtek, cadastre seu e-mail aqui ao lado, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

b.     Obras de Grande Porte: Alto custos de equipamentos especiais;

Equipamentos como as turbinas e geradores da usina hidrelétrica de Três Gargantas, os reatores, geradores, fornos, motores, tanques, torres, trocadores de calor e outros de unidades de processo de uma complexa obra industrial são equipamentos únicos e especiais. Melhor dizendo, eles não são encontrados disponíveis em estoque nas empresas.

É preciso projetá-los e fabricá-los de acordo com a necessidade do empreendimento.

Além disso, muitas vezes para a construção dessas obras de grande porte é necessário fabricar equipamento especial para executar a obra e depois inutilizá-lo, pois ele é especifico para àquela única obra.

Obras de Grande Porte: um bom exemplo foram as máquinas perfuratrizes (uma inglesa e outra francesa) utilizadas para escavar o Eurotúnel no Canal da Mancha, entre Inglaterra e França. Elas foram especificamente fabricadas para executar as obras e depois foram inutilizadas:

Obras de Grande Porte: um bom exemplo foram as máquinas perfuratrizes (uma inglesa e outra francesa) utilizadas para escavar o Eurotúnel no Canal da Mancha, entre Inglaterra e França. Elas foram especificamente fabricadas para executar as obras e depois foram inutilizadas:

Supondo que você e sua equipe de engenharia tenham superado os desafios técnicos de projetar seus equipamentos necessários, ainda faltará estimar um valor para esses equipamentos.Para isso, contribuição valiosa do livro “A Engenharia de Custos na Viabilidade Econômica de Empreendimentos Industriais”, Sérgio Conforto e Mônica Spranger, pode ajudar. Segundo esse livro existem alguns métodos simplificados para a elaboração de estimativas de custos em estudo, quais sejam:

  • Estimativa de Custo de Equipamento com Ajuste de Capacidade;
  • Estimativa de Custo de Planta Industrial Completa, baseadas nos seguintes métodos:
  • Método de Baumann;
  • Método de Lang;
  • Método de Hand;
  • Método de Wroth;
  • Método de Happel.

Não é escopo desse artigo tratar desses métodos. Para nosso ponto, basta sabermos que eles existem e podem auxiliar.

Em breve resumo os métodos se baseiam em cotações a possíveis fornecedores realizadas pelo engenheiro de custo e bancos de dados existentes de equipamentos com seus preços. Com isso pode-se ajustar suas capacidades por fatores calculados segundo suas hipóteses e equações para estimar os valores dos equipamentos necessários ou mesmo da planta completa.

Evidentemente, como já mencionado anteriormente, os fornecedores desses equipamentos, são poucos e as condições de mercado quando da real aquisição dos mesmo é que serão determinantes para o preço final desses equipamentos.

No entanto, com a aplicação desses métodos algumas idéias de preços já começam a se tornar mais claras.

 c.     Obras de Grande Porte: Alta qualidade requerida;

Existem, no mundo acadêmico, algumas definições de qualidade. Para simplificar, adotar-se-á a definição de Juran (1992) que define qualidade como ‘adequação ao uso e ausência de falhas’.

A busca pela qualidade no mundo atual não é exclusivo das construções de grande porte. Aliás, sequer é exclusivo das industrias de construções. A diferença aqui reside nas conseqüências de ocorrer qualquer falha nessas obras de grande porte.

Então, é preciso que se leve em conta que será necessário implantar um controle de qualidade rigoroso para execução dessas obras.

Em uma obra, a implantação desses sistemas, que por si só têm seu custo calculado em separado, podem impactar a produtividade final dos trabalhos, uma vez que essas medidas usualmente são caracterizadas por inspeções rigorosas nos serviços realizados, detectando qualquer menor falha, que caso fosse em obras convencionais poderiam ser toleradas, para consertá-la.

Como visto em tópico anterior, a qualidade de obras habitacionais convencionais financiadas pela Caixa Econômica Federal vem sendo discutida em âmbito judicial, com a estatal sendo responsabilizada pela baixa qualidade do produto final entregue. A diferença, é que as conseqüências nesses casos, são apenas prejuízo financeiro para alguma das partes. Não se pode caracterizar defeitos em pinturas, janelas, portas, pisos e outras partes menores como desastres ambientais.

Nas obras de grande porte, a menor falha não pode ser tolerada, porque ela pode vir a ter como conseqüência desastres catastróficos para toda a sociedade. Então, mesmo um janela de uma usina nuclear, ou uma pequena válvula de uma refinaria, ou a pista de trafego no topo de uma barragem, por exemplo, não podem conter qualquer não conformidade com a qualidade requerida em seu projeto.  Muitas vezes retificar essas falhas quer dizer refazer o mesmo serviço, e assim consumisse mais tempo de obra, prolongando seu prazo e aumentando seus custos.

Obras de Grande Porte: acidente de Fukushima em 2011

Obras de Grande Porte: acidente de Fukushima em 2011

Na prática, pode-se dizer então que a produtividade dos serviços deve ser calculada levando-se em conta o rigor de qualidade exigido nesse tipo de obra.

Assim, imaginando-se uma hipotética situação de execução de um serviço de pintura de parede. Em uma obra convencional padrão, para o cálculo do custo unitário (R$/m2) desse serviço, ter-se-ia um pintor consumindo algumas unidades de HH para a execução desse serviço, somando-se a aplicação do material (tinta) e equipamentos (rolo, pincel). Se nessa obra convencional a pintura dessa parede necessitasse de “duas mãos” (“demãos”) (Encontra-se uma explicação detalhada do cálculo de quantitativo de tinta a ser aplicado em uma pintura de parede com duas demãos na página: http://beaba.imovelclass.com.br/2012/05/o-passo-a-passo-de-pintar-paredes/) de tinta, o calculo do custo unitário desse serviço seria o total de HH desse pintor para a realização dessas duas mãos de tintas, somada aos materiais gastos.

Já numa obra que exija uma qualidade maior, sendo necessárias três demãos de tinta, para pintar o mesmo m2 de parede, se gastaria mais HH do pintor e mais tinta. Esse acréscimo deve ser considerado no custo unitário desse serviço de pintura. É evidente que o mesmo serviço de pintura de parede (R$/m2), é mais caro em uma obra que exige maior qualidade com três demãos de tinta do que na obra convencional com apenas duas demãos de tinta, pois, foi reduzida significativamente a produtividade do serviço.

Esse foi só um exemplo hipotético e simples, mas que serve para ilustrar como uma qualidade requerida maior, vai influir nos custos dos serviços.

Em uma obra de grande porte, para cada serviço a ser executado esse tipo de influência na produtividade tem que ser levado em consideração.

d.     Obras de Grande Porte: Mão-de-obra em quantidade e qualidade;

O setor de construção é intensivo no emprego de mão-de-obra não qualificada. Obras de grande porte empregam milhares de trabalhadores diretos durante sua construção. Grande parte desses trabalhadores são trabalhadores não qualificados.

No entanto, é crescente a exigência para que todos os trabalhadores se qualifiquem. E de uma maneira geral, os trabalhadores buscam se qualificarem não só para manterem seus empregos, como para receberem remuneração maiores.

A implantação de uma obra de grande porte, que necessita de milhares de trabalhadores, especializados e não especializados, pode causar um choque de demanda por mão-de-obra na região que a mesma será implantada.

Além disso, a construção desses mega empreendimentos costumam exigir os melhores trabalhadores em cada função necessária, desde os menos qualificados aos mais qualificados. Afinal, as próprias soluções inovadoras exigidas para construção dos mesmos, somados aos riscos elevados que os seus trabalhadores estão expostos e a alta qualidade requerida dos serviços, implicam em uma demanda para a contratação dos melhores funcionários disponíveis.

Nessa linha, uma reportagem da Revista Época, de 10/06/2013, ilustra essa questão (Especial Pós-Graduação, página 72) :

Indústria Criativa           

Por que está em alta?Profissionais criativos e inovadores são necessários em vários setores econômicos. (…) Em todas as áreas, conhecimento técnico é fundamental. Profissionais treinados para usar esse conhecimento de maneiras inovadoras são mais valorizados.”

Portanto, para a atração da quantidade de trabalhadores necessários a construção dessas obras de grande porte, aliada a alta qualidade esperada dos mesmo, é necessário salários atrativos. Muitas vezes, não bastará pagar a média de mercado da região. Serão necessários atrativos superiores para a contratação desses trabalhadores.

Obras de Grande Porte - custo e riscos

Obras de Grande Porte – custo e riscos

Saber o quanto é necessário para atrair esses trabalhadores também é uma tarefa difícil para o estimador de custo. As condições do mercado de trabalho da região é que ditarão as regras salariais a serem adotadas durante a construção.

No entanto, ao menos é sabido que as condições médias de mercado de trabalho provavelmente serão insuficientes para atração de funcionários.

Para o estimador resolver esse problema, ele pode pesquisar em empreendimentos de grande porte anteriores na mesma região, ou em regiões próximas, o nível salarial requerido nessas obras e compará-los com o nível médio existente à época e utilizar relação parecida para seu empreendimento. Porém, será só uma ideia. Somente as condições de mercado durante a construção vão poder responder com precisão o real nível salarial requerido.

Obras de Grande Porte: Conclusões

Após essas ideias sobre esses quatro pontos estudados acima, volta-se à situação hipotética imaginada de estudo de viabilidade da execução de uma obra de grande porte que você estaria encarregado.

Foi visto que você estará em um mercado de poucas empresas ofertantes. Talvez empresas internacionais possam ajudá-lo. Você vai pesquisar pelo mundo afora as melhores empresas que seriam capazes de executar seu empreendimento para averiguar a viabilidade do mesmo.

Estima segunda parte 04

Os outros três aspectos estudados (equipamentos, qualidade e mão-de-obra) se relacionam com métodos executivos e preços.

Será preciso que você detalhe e estude cada passo de sua obra, quantificando e valorando o mesmo para se chegar à conclusão que você busca.

Uma boa referência a ser adotada é a metodologia de formação de preço da PINI Serviços de Engenharia (O livro da Editora Pini, “Elementos de Engenharia de Custo, desatando o nó para os agentes de obras públicas na formação do preço para a construção civil”, Luiz Raymundo Freire de Carvalho e Mario Sergio Pini 1ª Edição, Dezembro de 2012, detalha essa metodologia). A metodologia consiste em uma modelagem da obra, através do projeto do sistema produtivo; do processo executivo; planejamento do plano de ataque; programação; alocação e permanência.

É fundamental para essa modelagem um estudo detalhado da estrutura de custos de sua obra. Segundo a mesma referência (PINI), uma estrutura de custo é composta por recursos técnicos, encargos sociais e BDI (Benefícios e Despesas Indiretas) e é materializada na obra pela mobilização de recursos logísticos (administração local e canteiro) e recursos financeiros.

Ainda de acordo com essa referência existem diferentes modelos que representam a modelagem de sua obra. Transcreve-se abaixo parte da página 18 do mesmo livro referenciado na nota anterior:

“A depender das características tipológicas e das condicionantes de execução de uma obra, somadas à experiência de cada construtor, uma modelagem poderá ser representada por “n” modelos de simulações. (…) Da comparação entre modelos, resultam diferenças básicas que são os recursos técnicos mobilizáveis, implicando produtividades, produção, consumos e, portanto, uma matriz de custos distinta.”

Como se vê, é necessário um estudo detalhado das variáveis que influem em todos os recursos necessários à execução da obra, levando-se em conta ainda, toda a dinâmica e ideias vistas acima das contratações de obras de grande porte, não sendo possível a aplicação imediata e simplificada de tabelas referenciais padrões para valorar seu empreendimento.

 

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Luiz Cláudio Estima

Luiz Estima, Engenheiro Civil Estrutural pela UFRJ, Economista pela UERJ, Economista e Engenheiro Civil da Petrobras, MBA em Economia e Gestão em Energia na COPPEAD. Também é diretor da científica Revista Amélia. É apaixonado por ciência.

DEIXE O SEU COMENTÁRIO

  • Josinaldo Lima

    Parabéns pelo artigo…
    É o enfoque conciso para conformação de valor, exclusivamente empreendimentos internacionais, economias e sociedades equilibradas.
    No Brasil, os gargalos, fatores de risco, ruídos de processo, desalinhamentos ou como queira nomear; residem tão somente na ambivalência “ÉTICA ou FALTA DELA”.

    Algum dia, os esforços se foltarão para resolução.
    Sds.

  • Gostaria de uma oportunidade de emprego trabalho de supervisor de tubulacao ou caldeiraria tenho tecnico de mecanica industrial.

  • Caro Márcio, desejo-lhe sucesso, porém não tenho como encaminhar recomendações pelo Blogtek, pois foge do objetivo do Blogtek!

  • Marco Ribeiro

    Thank you for sharing another article very interesting. I’m always following this blogtek.

  • Thanks, Marco!!!

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