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O que o biquíni esconde e o custo das novas refinarias…

Stonner 56 Comentários 17.04.13 9562 Vizualizações Imprimir Enviar

O que o biquíni tem a ver com o custo das novas refinarias?? Existe uma frase famosa, atribuída a Aaron Levenstein, professor norte-americano de Estatística: “A estatística é como um biquíni, o que mostra é sugestivo, mas esconde o essencial” (o original tem uma rima interna: “Statistics are like a bikini, what they reveal is suggestive, but what they conceal is vital”)  (http://dererummundi.blogspot.com.br/2009/07/citacao-sobre-biquini-e-estatistica.html).

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 O custo das novas refinarias:

Muito se tem falado e escrito sobre o custo das novas refinarias. Estudo realizado pelo analista Emerson Leite, do Credit Suisse, publicado no Estado de São Paulo (http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,refinarias-sao-as-mais-caras-do-mundo,631368,0.htm) menciona que as refinarias do Nordeste estão entre as mais caras do mundo.

É fato que o refino, ao contrário da produção, traz margens pequenas de ganho, enquanto exige um volume extraordinário de recursos, como já foi levantado aqui no Blogtek, em Cerveja e cigarros, Petróleo e derivados.

O estudo do analista Emerson Leite aponta que as refinarias Abreu e Lima, e as Refinarias Premium I e II, apresentam maior custo por barril, se comparadas a outras refinarias em construção no mundo no momento, especialmente na Índia e na China.

Enquanto a média de investimentos mundial gira em torno de US$18.000/barril de capacidade instalada, no Brasil a média é de US$ 40.000/barril de capacidade instalada. Ou seja, uma refinaria com capacidade de processar 300.000 barris por dia (por exemplo, a Premium II) deveria custar, de acordo com a média mundial,  US$18.000 x 300.000 = US$ 5.400.000.000.

É aí que entra a citação do professor Aaron, e o cuidado que devemos ter com as estatísticas.

Custos  da mão de obra na Índia e China

“A principal razão para o aumento dos custos, a nosso ver, é a falta de infraestrutura nos locais escolhidos pela Petrobrás para instalar suas refinarias, ou seja, os Estados de Pernambuco, Ceará e Maranhão. Os três localizados em uma área relativamente pouco desenvolvida, com um pequeno mercado de produtos petrolíferos em relação ao Sul e Sudeste, e praticamente sem produção de petróleo”, considera o analista em seu relatório. O analista está correto no que se refere à falta de infraestrutura, porém por outro lado há que se prover de derivados estas regiões, além de estarem mais próximas dos destinos de exportação. Ademais, a instalação destas refinarias catalisa outros empreendimentos, e alavanca o progresso na região.

Porém, há outro importante fator a ser considerado. Em obras tais como de construção de refinarias, nas quais podemos em seu pico ter 40 a 50 mil pessoas trabalhando, evidentemente o custo da mão de obra é preponderante.

Então, quando falamos de uma média mundial de US$ 18.000/barril de capacidade instalada, temos que nos lembrar que nesta média entram países como China e Índia, que vem construindo também refinarias, e portanto tem grande peso na formação desta média. E como é o custo da mão de obra nestes países (http://www.bls.gov/ilc/#compensation – excelente banco de dados sobre remuneração e produtividade mundiais)? Veja a seguir:

 

Salários por hora, em dólares
Salários por hora, em dólares, base 2011

Note que sequer aparecem os custos horários da China e da Índia. Por que? Porque ficaram fora de escala, então há um gráfico específico para estes dois países:

Salários por hora, em dólares, na Índia e na China

Salários por hora, em dólares, na Índia e na China

Então, se compararmos a remuneração do Homem-Hora em 2007 do Brasil (obtido por interpolação da tabela 1, a seguir), China e Índia, teremos US$ 10,34/h no Brasil, US$ 1,17/h na Índia, e US$ 1,06 na China. Isto é remuneração, fora encargos. Se considerarmos que o Brasil está em terceiro lugar no MUNDO com relação aos encargos sociais (tabela 2, a seguir), veremos que não há como comparar os custos de mão de obra!!! Evidentemente, China e Índia trazem esta média muito para baixo.

Salários por hora, em dólares, em 2007

Tabela 1: Salários por hora, em dólares, em 2007

Encargos sociais, no mundo (%)

Tabela 2: Encargos sociais, no mundo (%)

Em 2010, o então Diretor de Abastecimento da Petrobras, mencionava: “Temos avanços aqui dos quais não podemos abrir mão”, disse ele, referindo-se ao tratamento dispensado à mão de obra no Brasil e outros países, como China e Índia.

Na China, o trabalhador passa a ter direito a três semanas de férias após 20 anos de trabalho…

Portanto, vamos refletir um pouco quando dizemos que o custo de construção das novas refinarias é excessivo. Queremos viver como vivem os trabalhadores da Índia e da China? Isto seria bom para o País? E para sua população? É salutar buscar reduções em custo, otimizar, evitar desperdício… mas não vamos nos iludir, imaginando que conseguiremos construir refinarias ao custo da média mundial!

 Outras frases sobre Estatística:

“O indivíduo com a cabeça dentro do forno e os pés no freezer pode estar com uma excelente temperatura média.” Autor desconhecido

“Há três tipos de mentiras: mentiras, mentiras descabeladas, e estatísticas.” Benjamin Disraeli (primeiro-ministro britânico, falecido em 1881)

“Use a estatística como o bêbado utiliza o poste, mais pelo apoio do que pela luz.” Autor desconhecido

“Torture seus dados até que eles confessem o que você deseja comprovar” Autor desconhecido

 

 

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

DEIXE O SEU COMENTÁRIO

  • Leonardo Miano

    Stonner:
    Excelente artigo. Vale também avaliarmos que existe um aspecto poítico-social na escolha dos locais de instalação das mesmas. Decisões que envolvem o Sistema Petrobras, naturalmente, possuem também um viés político-social.
    Poderíamos ter escolhido em território nacional outros lugares mais preparados em termos de infraestrutura e disponibilidade de mão de obra, com custos possivelmente inferiores ao atual projetado; porém, não “alavancaríamos” o desenvolvimento nas regiões escolhidas para tal.
    Sei que alguns repudiam esse tipo de influência nas decisões da Petrobras, mas se analisarmos a médio e longo prazos, essas decisões estratégicas tendem a trazer grandes benefícios para o próprio Sistema Petrobras como conglomerado empresarial (uma refinaria puxa uma distribuidora, que disponibiliza mais produto e permite o aumento dos pontos de venda, que aumenta a disponibilidade de emprego, que aumenta a população ativa economicamente, que compra casa e carro, que consome combustível, etc…).

  • dilma

    Neste espaço sempre encontramos assuntos instigantes.
    Gostaria de apresentar uma reflexão/provocação: penso que seria interessante também compararmos produtividade…
    O custo maior de um profissional qualificado e motivado pode ter, pela sua produtividade, menor impacto no custo final.
    Está correto este pensamento ?
    Descartando-se os países em que as condições são atípicas, como citado, India e China, em que patamar estaria o Brasil ?
    Abraços e estímulo para a continuidade do blog

  • luiz estima

    Stonner. Muito bem explanado os custos de mão-de-obra tanto na China quanto na India.
    E ainda, há os elevados gastos com o que a Petrobras chama de QSMS (qualidade, saúde, meio-ambiente e segurança). Nesses citados países, China e India, se não são zero, são bem próximos disso.
    Mais uma vez, parece que a midia esquece esses detalhes de propósito.

    Só uma coisa…. era mesmo necessário falar mal do biquini??!?!?!?!?!
    Deveríamos era fazer uma estátua para o inventor dessa maravilha!!!! (Louis Réard, http://pt.wikipedia.org/wiki/Biqu%C3%ADni)
    Principalmente dos biquinis das brasileiras!!..hehehe

  • Angela Sampaio

    Um excelente texto, e que nos leva a pensar em outros pontos, um deles é o Controle e neste por mais qualificado e experiente que os profissionais possam ser, existem falhas sim! Não se pode atribuir aos custos com a mão de obra o vilão do orçamento, é um dos, mas não somente, é evidente que todo o processo foi rodeado por falhas. E este espaço é interessante por nos permitir esses questionamentos, agradeço ao Stonner novamente pelo blog.

  • Artur Lima

    Excelente artigo, bastante desmistificador. Fiquei curioso em saber como ficaria a média mundial sem a contabilização dos números da China e da Índia, ou seja, para quanto ela subiria.
    E nessa média “ajustada”, como ficaria o Brasil?

    Infelizmente, o que chega por meio da mídia (inclusive de setores ditos mais sérios e esclarecidos) são informações superficiais, de perspectiva centro-sulista, até mesmo tendenciosas.

  • Obrigado, Ângela, por compartilhar suas ideias. De fato, a preocupação com o controle de custos deve sempre permear nossas ações, e não é apenas a MDO.

  • De fato, não há dados (ou, pelo menos, não os encontrei) expurgando os valores da China e da Índia, mas pelo peso de algumas destas Obras (por exemplo, Jamnagar, a maior do mundo), é certo que haveria uma maior convergência.

  • ELTON SATURNINO CAMPOS DE MOURA

    Bastante claro e didático o Texto. Parabéns! Faço aqui um adendo ao comentário do Professor Estima. “há os elevados gastos com o que a Petrobras chama de QSMS (qualidade, saúde, meio-ambiente e segurança). Nesses citados países, China e India, se não são zero, são bem próximos disso.”

    Os gastos citados são em quase sua totalidade exigências legais e o restante são ações de responsabilidade social para garantir que as famílias não percam seus entes ou que estes tenham suas capacidades laborativas reduzidas temporariamente ou de modo permanente. Contudo o bom desempenho em SMS reduz impostos e apólice de seguro. Além de possibilitar menores taxas na tomadas de empréstimos. Infelizmente a gestão de SMS,ainda carece de estimativas de custos mais sérias e metodologias de apuração de resultados que computem o resultado econômico.

  • Muito interessante essa reflexão, verdade que MDO não seria o vilão, temos muitos outros para serem revelados/mostrados. Acredito que essas obras e outras não deveriam ser consideradas como erro, mas uma forma de aprender a melhor controlar e fiscalizar de verdade cada objetivo atingido.

  • Miguel Bichara

    Texto bacana, Stonner. Mas, no final das contas, concorrência é isso mesmo. Há anos que os países industrializados transferem suas indústrias de transformação para os países emergentes, Brasil inclusive, para aproveitar os custos menores. Só que agora China e Índia são muito mais atrativos que o Brasil, por uma série de motivos.
    Acho que nosso problema é de visão curta. Não é fazendo fábrica ou refinaria que a gente vai resolver nossos problemas. Vivemos numa zona de conforto. Temos clima, terra, recursos naturais (petróleo inclusive). O que nos falta, em termos de país, é qualidade e disposição nos recursos humanos. É daí que provém um monte de deficiências: falta de conhecimento gera falta de iniciativa, limita a criatividade, gera insegurança e dependência tecnológica, gera o efeito “Gérson”, em que os cidadãos deixam de se preocupar com a geração de riqueza para fixar-se nas trocas (de preferência se dando bem sem muito esforço). Imagine nosso país sem as riquezas que Deus nos deu e verá que quase tudo o que temos devemos a elas.

  • Miguel Bichara

    Mas, voltando às refinarias, qual a solução? Construí-las ou deixar de construí-las? No meu entender, projetos dessa envergadura deveriam ser viabilizados a nível nacional, e não a nível organizacional. Se é para a Petrobras ser administrada pela cartilha do livre mercado, visando retornar o maior lucro possível aos seus acionistas, acho válido ela optar por não construir refinaria nenhuma. Que não venham, entretanto, pressionar a empresa a fazer operações que não lhe sejam atrativas, como importar derivados e vender por preços que lhe trazem prejuízo.
    Se o país precisa das refinarias, então há que se criar mecanismos para que construí-las seja um negócio atrativo. Me parece claro que elas são necessárias para o país (pelo menos para suprir as nossas necessidades atuais e futuras), ainda que a um preço mais elevado. É só fazer uma CRT (current reality tree) e uma FRT (future reality tree) para perceber. Aliás, como seria bom se nossos políticos conhecessem a Teoria das Restrições e fizessem uso dela para estabelecer suas políticas de desenvolvimento.

  • Carlos

    Prezado, muito bom, gosto muito do seu blog, mas me permita dizer o seguinte: também é errado comparar salário “médio” com salário médio de engenheiros e técnicos de exploração de petróleo. O primeiro se refere a todas as atividades do país, o segundo se refere a atividades bem mais elaboradas (e portanto bem mais remuneradas).

    E em segundo lugar, o custo médio por barril de petróleo deve ser ponderado pelo quanto se produz petróleo em cada parte do mundo; em outras palavras, esse custo médio está construído levando muito mais em conta o custo nos países árabes(que são os que mais produzem petróleo e portanto participam mais do denominador “dólares/barril”) do que países que produzem pouco, que podem ter preços extremos, como eu suponho que seja a ìndia( no caso, um preço extremamente baixo). Explicando novamente, o cálculo “dólares/barril” médio mundial leva muito em conta o cálculo “dólares/barril” dos grandes produtores.

    Abraços!

  • Leonardo, obrigado pela contribuição. De fato, há que se buscar o equilíbrio entre as ações da Petrobras enquanto vetor de desenvolvimento e o retorno financeiro.

  • Dilma, mais uma vez obrigado pela contribuição. Encontrei em alguns papers um fator que é o valor-hora do salário dividido pela produtividade. Não usei este parâmetro porque não havia dados disponiveis em quantidade suficiente para poder comparar.

  • Grande Estima, você tem razao com relação aos aspectos de SMS na India e China, mas eu nao tinha referencias para poder menciona-las. Valeu pelo link do biquini…..

  • Obrigado, caro Elton, pelos esclarecimentos!!!!!

  • Caro Wagner, com certeza nao é um erro estimular o crescimento via expansão das atividades da Petrobras, onde for tecnica e economicamente viável. E a preocupação com a adequada gestão de custos deve permear sempre nossas atividades enquanto gestores.

  • Caro Bichara, fico muito feliz com sua participação, você que sempre teve a característica de compartilhar ideias e conhecimentos. Com relação à questao da formação, vejo muito a questão da evolução da Coréia (do Sul, claro), que se transformou no que é, gracas à educacao.

  • É para ser uma empresa privada, pela cartilha do mercado, ou um braço do Estado? Onde está o equilibrio? Há que se ter a definição, para ter clareza de propósito.

  • Obrigado, Carlos. Eu procuro sempre abordar os assuntos com fatos e dados, porém nem sempre encontramos todos os dados que nos permitiriam as comparações mais corretas. Porém, ainda que com certa imprecisão, acho que a discussão dos conceitos é oportuna.

  • André Euler

    Caro Stonner,

    Fiquei muito satisfeito com sua explicação comparando os custos, ditos altos, das nossas refinarias comparados com outras e se baseando nos custos da mão-de-obra na China e na Índia. Este é um argumento importantíssimo mas muito pouco falado. Gostaria de saber como entram nessa conta os custos da infra-esgtrutura que não foi fornecida pelo Estado (estradas, porto, energia elétrica). Esses custos entram na conta?

    Saudações,
    André Euler

  • Paulus Igor

    Como seu colega de Companhia, fico extremamente orgulhoso por vê-lo proporcionar pautas e discussões de cunho técnico com tamanha maestria. O mundo petroleiro e construtor, agradece!

  • Olá, André, obrigado pelo comentário! Neste artigo não entrei na questão da infraestrutura, pois não tinha dados disponíveis. Mas o peso da mão de obra em um evento deste porte é representativo, e já justifica a diferença de valores. Tentarei obter a composição de custos mais detalhada.

  • Muito obrigado, Paulus. Conto com suas visitas, comentários, sugestões, e divulgação!!!

  • Oswaldo Athayde

    Prezado Stonner,

    Você saberia ou teria como calcular (mesmo com precisão limitada), qual o percentual da MDO na composição do número US$ 40.000/barril de capacidade instalada?
    Penso que essa informação validaria definitivamente, ou colocaria em questão, todo o eixo central de raciocínio do seu instigante artigo.
    Parabéns, pela iniciativa de criar e manter esse blog ativo e bem informado.

  • Aldo Hqnrique Martins Rosenfeld

    Stonner, excelente exposição…
    Principalmente na parte em que você diz:
    “Queremos viver como vivem os trabalhadores da Índia e da China?”….
    Eles vivem em regime de semi-escravidão…
    Eu não quero…
    hehehe…
    Ahhh!!!
    Tem mais uma legal sobre estatística:
    “Não confie em nenhuma estatística que você não tenha fraudado pessoalmente…”
    HAHAHA……
    Abraços.
    Muito bons os seus posts…

  • Prezado Stonner, excelente documentário, só não concordo com o colega em dizer que QSMS onera os custos, então vamos eliminar estes requisitos e matar os trabalhadores

  • E antes que seja tarde, valeu pelo biquini, não sei quem inventou mais acho que até Deus abençou.
    Neivaldo Fontenele.
    ab

  • Loy

    Estranho mesmo que somente o Brasil paga-se encargo social no mundo, este custo seria 35% a mais que os outros paises, e como o salário do Brasil está abaixo da média não vejo como justificar mais que (18 x 1,35) 24.3000,00$/barril, no Nordeste a mão de obra tambem é mais barata e justificar por ser desqualificada ou dificuldade de recursos, estes problemas também existem na China, Índia, Africa….mesmo na Europa você não compra um reator ou torre de destilação de um dia para o outro ou ali na esquina (Na verdade os fabricantes são bem conhecidos em qualquer empresa de petróleo do mundo).
    Estes custos abusivos de nossas refinarias são motivo de vergonha sim devendo ser averiguadas falhas nestas contratações.
    Agora dou meu total apoio de nunca nos nivelarmos pela disponibilidade que os colaborados da India e China investem a seus superiores, de fato invejo o pesnsamento social dos chineses que não trabalham pelo valor monetário mas pelo retorno comunitário. acredito que um dia trabalharemos não abusivamente como os chineses mas mesclando os pensamentos por opção e prazer da obra, talvez quando todos abrirmos os olhos…os recursos também se estendão a todos (coisa inexistente no capitalismo atual).

  • Oswaldo, obrigado pelo comentário. Tentarei obter este percentual.

  • Caro Loy, realmente concordo que os desvios devem ser apurados. Mas há uma enorme diferença entre o custo de MDO entre Brasil e China/India, e esta diferença no custo da MDO é significativa na composição de custos, então, o artigo foi apenas para elucidar este aspecto, temos que considerar quais são as bases de cálculo. E, com efeito, ninguém quer nivelar por baixo e perder conquistas já históricas.

  • augusto mariani

    Bem lembrado pelo Luis Estima, os custos com segurança, meio ambiente e saúde também contribuem com esta divergência, sem falar nos dispêndios da burocracia, quesito também considerável em nosso país. Acredito ainda que a visão holística adotada pela Petrobras na definição dos seus projetos se tornará a principal característica do novo modelo econômico pelo qual urge nosso planeta.

  • Alexandre Andrade Ataide

    Caro Stonner, parabéns pelo excelente post. Parabéns também a todos os colegas que tem comentado. Este blog é realmente frenquentado por pessoas de elevado poder de análise crítica. Encontramos aqui um espaço que praticamente não existe hoje com a dominação da mídia modista e superficial. Minha opinião sobre esta questão dos custos das refinarias converge para o entendimento de que o custo da mão-de-obra é preponderante sim, mas certamente não se limita a isto. Aliado a estes custos não podemos deixar de citar a ineficiência da cadeia de suprimentos do nosso país que também eleva os custos não só das refinarias, mas de bens de consumo do nosso dia-a-dia. A questão do QSMS também pode fazer a diferença no custos das refinarias, em princípio, mas concordo o Elton e Neivaldo que, a longo prazo, um trabalhador mais conscientizado eleva sua percepção de riscos e minimiza a possibilidade de acidentes, gerando ganhos para o empregador, para o trabalhador e para o país. O INSS gasta anualmente verdadeiras fortunas com trabalhadores afastados. O tema “Custo dos Acidentes” é riquíssimo, merecendo inclusive um post sobre o tema.

  • Alexandre, obrigado pelo comentário. De fato, fico muito feliz em ver o nível dos comentários, aqui, enriquecendo muito o debate. Gostei da sugestão “Custo dos Acidentes”!

  • Kleber Castor

    Excelente artigo.
    Até que em fim alguém fala algo tão óbvio, que a imprensa do nosso pais insiste em não ver. Vê-se o que se quer ver, e o que é de interesse de uns poucos (10 famílias) que detém o poder das comunicações no nosso país.

  • Obrigado pelo incentivo, Kleber!

  • Sandoval Sobral

    Prezados

    Diante das diferenças regionais e culturais entre Brasil, China e ìndia, não é possível a comparação…
    Seria entao viável compararmos números entre países culturamente e regionalmente semelehantes? Apesar dos salários no Brasil ainda serem inferiores ao de países desenvolvidos.
    Como ficariam esses números?

  • Caro Sobral, os dados que encontrei foram de escala mundial, então não consegui estratificar até este ponto. Mas o que julgo importante é que o público veja que uma comparação direta entre custos do Brasil e os da Índia e China é irreal, e que é esta comparação que é usada para falar que nossos custos são demasiadamente altos…Obrigado pela visita, e pelos comentários!!

  • joelma mota

    Stonner, excelente artigo! Me lembrei daquelas reuniões infinitas de discussão de custo de parada e mão de obra local… KKK… Esse é um nó que jamais desataremos. Há um momento que a mâo forte do estado, da estatal, tem que fazer valer o fomento ao desenvolvimento. Quem se interessa por refino no nosso país? Não conheço se os interesses privados movimentaram-se nos últimos anos neste sentido, como no dos leilões do pre sal. Se o país não pensar em desenvolvimento de base hoje,não teremos matriz energética para suportar o futuro. Isso não se pode negar. Atuando na área de fertilizantes, vejo isso ainda mais expressivo. Hoje mesmo um artigo disse que se fosse simplesmente fazer EVTE a Petrobras não investiria em fertilizantes… Ora, o Brasil importa 2/3 do que precisa e ainda assim quer ser celeiro do mundo? Isso é papo para muito chop… Temos orgulho das decisões que tomamos em prol do desenvolvimento do país e do futuro dos nossos filhos e daqueles que nem sequer tem esse direito de escolha hoje. bjin, joelma

  • Joelma, eu também li este artigo…os fertilizantes sem dúvida são o motor de um país que quer e precisa aproveitar todo o seu potencial agrícola! É isto, e o nó da logística! Obrigado pelos comentários!!

  • Pedro de Toledo Carvalho

    Pertinente a colocação em que analisa o custo de uma refinaria e/ou processo refino… me lembrei de outro artigo do sr. de planejamento estratégico. Quem tem a visão “tática” ou operacional, realmente não vislumbra a estratégia da implantação desses sites. Olhando acima das nuvens o que se vê é um céu de brigadeiro, pois os obstáculos enfrentados não são mais que degraus para quem almeja e executa a quebra de paradigmas.
    Um abraço professor, continuo aprendendo muito. 😉

  • Valeu, Pedro!

  • Stonner, excelendo documentário. Li que o lucro da extração chega a ser 30% contra no máximo 7% da Refinaria. Como a massa caminha com a força política e não lógica, os investimentos seguem para as Refinarias. Vamos fingir que não existe um faturamento acima do esperado!!
    Quem dera que o custo alto fosse o QSMS, muito pretensão. Atribuo os maiores desperdícios aos maus planejamentos, Mão e obra INDIRETA, mais quantidade e pouca qualidade, e poucas políticas de motivação para a mão de obra DIRETA, visando reduzir o TURN OVER.
    Os maus Planejamentos, impactam diretamente o INSUCESSO do Projeto, Suprimentos, planos estratégicos, e claro que tudo afunila nos resultados da Produção.
    O que mata o sonho dos altos lucros, são MDO E QUIPAMENTOS.
    Uma vez que a nossa máquina administrativa não tem ações de puro desenvolvimento, ainda pensa sob efeito da herança da colônia de exploração, teremos obras grandes mas sem infraestrutura de apoio nas regiões a serem desenvolvidas, e obras feitas em cima da hora, sem um bom planejamento e logo com custos elevados.

  • Obrigado pela contribuição, Gilmar!!!

  • Luiz Carlos Ferreira Costa

    Prezado Stonner, foi um prazer conhece-lo e sua explanação foi maravilhosa. Gostei do seu blog e das matérias contidas.
    Os ataques constantes à Petrobras, necessitam de muitos esclarecimentos para mídia. Não podemos somente apanhar covardemente, temos que revidar. A respeito do QSMS por experiência vividas na área de petróleo e petroquímica, perde-se muito tempo para entregar uma permissão de trabalho aos executores dos serviços. Tempo é dinheiro e quanto mais demora, mais cara sai qualquer montagem.
    Abração e estarei sempre observando as noticias no seu Blog.

  • Obrigado, Luiz Carlos, valeu pelo estímulo. As notícias são propagadas pela Internet, e se espalham como verdades absolutas, inquestionáveis. Nosso papel é de formiguinha, mas ainda assim, não podemos desistir! Grande abraço!!!

  • Luiz Carlos Ramos Cruz

    Prezado Stonner,
    É claro que o artigo foi criado em abril de 2013.De lá para cá muita coisa aconteceu. Havia sim questionamentos sobre os altos custos, os aditivos, …Mas como foi denunciado pela oposição, o questionamento sobre os custos ficram de lado.O que não se contava é que por traz disso tudo, havia outros interesses, que hoje estão sendo denunciados na operação lava-lato da polícia federal. Projetos não podem e nem devem ser constituídos, se e somente se, pelo lado técnico.Há outros componentes que estavam escondidos no biquini, assim como , cuecas…Ah essas peças íntimas são reveladoras… ( risos )

  • De fato, Luiz Carlos, naquela época não imaginávamos que o biquini poderia esconder tanta coisa…rsrsrsrsrsrsr

  • Adriano

    Prezado, há algum dado sólido sobre a produtividade dos trabalhadores da Rnest? A quantidade de trabalhadores é compatível com o praticado em outras partes do mundo?

  • Adriano, não tenho dados sólidos sobre a produtividade dos trabalhadores da RNEST. No entanto, a produtividade neste tipo de obra é usualmente baixa, em todo mundo, devido às movimentações, aguardo de materiais e/ou ferramentas, interferências…publicarei breve algo a respeito em um artigo denominado Workface Planning. Acompanhe.

  • RICARDO J. XAVIER

    Visto que na época do artigo a operação lava jato ainda não estava no atual patamar que estamos hoje.
    Portanto, com as informações dos fatos que temos atualmente, o que entendo é que esses dados estão totalmente fora de uma realidade que se pssa tirar uma conclusão real desse comparativo, visto que os valores não correspondem a atual realidade de valoes embutidos nesses custos.

  • Pois é, Ricardo, de fato o conhecimento atual nos traz fatos novos, e sua quantificação é muito difícil, como se pode ver no esforço de publicação do balanço!

  • José O. Brun

    Enquanto no nosso país estiverem licitando obra sem um projeto executivo, jamais poderemos prever custos de obra nenhuma, principalmente de uma refinaria.

  • De fato, José Brun, quanto menor o detalhamento, maior a imprecisão no orçamento!!!!

  • Luciano Gouveia

    A questão do desequilibrio nos custos internacionais para implementação de um projeto em função do custo de mão de obra, deve ser abraçada como um desafio na busca pela condição ideal de realizar um trabalho, impondo ao mercado condições semelhantes ao tratamento dado a sua realização em qualquer lugar! Como? Adotando critérios de certificação e reconhecimento que não permitam uma concorrência desleal com aqueles que adotam uma condição de trabalho primitiva em suas ações, sustentada muitas das vezes por aspectos políticos, tal qual modelos de governo opressores que implementam planos de desenvolvimento econômicos às custas do sacrifício de uma população, formada por verdadeiros personages de uma caverna de Platão! As normas ISO na questão da Qualidade nos ofereceram um grande avanço num aspecto semelhante, no entanto nas áreas social, ambiental e governamental embora já estejamos dando os primeiros passos, é preciso avançarmos muito ainda, e sobretudo fazer valer na aprovação de contratos a existência do atendimento a qualquer medida que venha de encontro a este interesse, que reitero deva ser estabelecido internacionamente.

  • Desculpe a demora na resposta!! Obrigado pela visita ao Blogtek!

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