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O Gerenciamento de Riscos – Conceitos

Stonner 17 Comentários 10.04.13 5849 Vizualizações Imprimir Enviar

Risco-intro 06 DadosTodo projeto contém uma série de riscos, que potencialmente afetam (positiva ou negativamente) os objetivos do Projeto, tais como Escopo, Prazo, Custo e Qualidade. Apesar de habitualmente eu ter muito cuidado com termos superlativos (maior, menor, melhor, sempre, nunca…), ouso afirmar que o Gerenciamento de Riscos é uma das principais vertentes do Gerenciamento de Projetos.

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A importância do Gerenciamento de Riscos

Segundo o PMI, as áreas de conhecimento do Gerenciamento de Projetos são dez: Integração, Escopo, Tempo (Prazo), Custo, Qualidade, Recursos Humanos, Comunicação, Risco, Aquisições (bens e serviços), Partes Interessadas (stakeholders). Identifico o Risco como uma das principais áreas devido à forte interface com todas as demais áreas de conhecimento e aos efeitos que os riscos podem ter sobre o resultado do projeto.

O próprio PMI reconhece esta importância, na medida em que, das certificações especificamente relacionadas com as áreas de conhecimento, só há duas: RMP (Risk Management Professional) e SP (Scheduling Professional), e a procura pelo credenciamento como RMP é significativamente maior do que para SP.

Os processos que compõem esta Área de Conhecimento são:

  • Planejar o Gerenciamento de Riscos
  • Identificar riscos
  • Realizar Análise Qualitativa dos Riscos
  • Realizar Análise Quantitativa dos Riscos
  • Planejar as Respostas aos Riscos
  • Controlar os Riscos

Evidentemente não iremos esgotar o assunto em apenas um artigo, porém iremos ao longo das próximas semanas abordar de forma mais abrangente todos estes processos. Para ser notificado das novas publicações, cadastre-se no Blogtek, aqui, no topo da página, à direita. Seu e-mail NÃO será utilizado por terceiros, e você passará a ser notificado a cada novo artigo.

Gerenciamento de Riscos: Planejar

Peculiaridades dos Riscos:

Risco-intro 01 RumsfeldHá que saber que existem riscos conhecidos, e desconhecidos, e acerca deste assunto podemos fazer uma referência a uma colocação do Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, durante o mandato do Presidente Gerald Ford, e depois no mandato do Presidente George Bush. Nestas duas ocasiões ele foi, respectivamente, o mais jovem e o mais velho Secretário de Defesa norte-americano.

There are known knowns; there are things we know that we know.

There are known unknowns; that is to say, there are things that we now know we don’t know.

But there are also unknown unknowns – there are things we do not know we don’t know.

Segue a tradução, onde mantenho no original apenas os termos destacados, por serem assim usualmente empregados em Gerenciamento de Riscos:

Há os known knowns; são as coisas que sabemos que sabemos.

Há os known unknowns; ou seja, são as coisas que agora sabemos que não sabemos.

Mas há também os unknown unknowns – são coisas que nós não sabemos que não sabemos.

Esta citação ficou tão intrinsecamente ligada a Rumsfeld que a sua autobiografia tem por título: “Known and Unknown: A Memoir” (Known e Unknown: Memórias).

Apesar de hoje consagrada e tratada com maior seriedade, na época esta citação recebeu o Prêmio Foot in Mouth (literalmente “Pé na Boca”) dado a citações desconcertantes de celebridades. Outros contemplados deste prêmio ao longo dos anos foram Naomi Campbell (Adoro a Inglaterra, principalmente a comida. Não há nada melhor que um belo prato de macarrão) e, claro, George Bush (Eu sei no que acredito. Vou continuar articulando aquilo em que acredito, e aquilo em que acredito – eu acredito que aquilo em que acredito é certo).

A citação  de Rumsfeld foi proferida após a guerra do Iraque, justificando não se haver encontrado as propaladas armas químicas que motivaram a guerra. Na ocasião, foi exemplificado:

Known knowns: que o Iraque apoiava ações terroristas (isto nós sabemos que sabemos).

Known unknowns: a extensão do envolvimento do Iraque (agora sabemos que o Iraque não teve envolvimento direto com o 11/setembro; naquela época não sabíamos)

Unknown unknowns: a forma de guerrear hoje, dentro da lógica terrorista, busca se valer daquilo que o inimigo desconhece desconhecer (ou seja, sequer imagina que possa existir)

A estas, foi acrescentada posteriormente, os Unknown Knowns: as coisas que nós não sabemos (ou agimos como) que  sabemos; por exemplo, a Alta Administração americana sabia que não havia armas químicas no Iraque.

Em um projeto na área de petróleo, por exemplo, temos como riscos:

Known knowns: sabemos que haverá mudanças no escopo, alterações de projeto, pleitos de contratadas. Não sabemos quando, em que magnitude, mas são riscos que sabemos que irão ocorrer, e por isso, devemos avaliar qualitativamente, e possivelmente quantitativamente.

Known unknowns: o EVTE (Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica) de um projeto considera uma projeção de preços de petróleo e derivados ao longo dos próximos 25 anos. Construímos diversos cenários, inclusive de Robustez (condições desfavoráveis), mas a nossa curva de projeção pode ser bruscamente alterada por uma guerra, por exemplo. Devemos aumentar a abrangência de análise, envolver outras áreas de expertise para tentar vislumbrar alguns destes riscos.

Unknown unknowns: imaginemos, hipoteticamente, que uma super-bactéria assimiladora de hidrocarbonetos encontre nos grandes reservatórios de petróleo do mundo ambiente propício para se desenvolver, e se multiplicar descontroladamente e destruir a possibilidade de uso de combustíveis fósseis. Evidentemente, este é um risco que não pode ser gerenciado, e portanto, não deve ser considerado em nossa Análise de Risco. Obviamente, este é um exemplo extremo, mas serve para ilustrar a necessidade de estabelecer um limite na identificação de riscos.

Gerenciamento de riscos: a subjetividade do risco

O tratamento de riscos tem em si uma boa dose de subjetividade, porque nem todas as pessoas e organizações reagem da mesma forma ao risco. Um conceito que já foi utilizado aqui, em Árvore de Decisão, é o conceito de Esperança Matemática. Dentro deste conceito, vamos analisar a seguinte situação:

Um investidor pode aplicar R$ 1.000,00 em uma aplicação segura, que irá lhe render certamente 7% em um determinado período de tempo (R$ 70,00);

Ou pode aplicar em um mercado volátil, como o de ações, onde tem 80% de probabilidade de renda de 15% no mesmo período de tempo, mas 20% de probabilidade de perder 10%, portanto a esperança matemática de ganho seria de 80% x R$150,00 – 20% x R$100 = R$120 –  R$20 = R$100.

Baseado unicamente na esperança matemática, a escolha óbvia seria a segunda, de aplicar no mercado de ações, porém se o investidor tiver profunda aversão ao risco, ele irá preferir a primeira opção.

Uma mesma pessoa pode ter comportamentos distintos frente ao risco, considerando os montantes envolvidos. Muito possivelmente, este investidor teria escolhas diferentes caso estivesse investindo apenas R$ 100,00, ou, R$ 1.000.000,00.

O conceito que melhor explica este comportamento, ao invés da Esperança Matemática, é o de Utilidade Esperada. Talvez muitos de nós, nas condições de classe média, fizéssemos a segunda escolha (mercado de ações) em um investimento da ordem de grandeza de R$1.000,00 (tipo, se eu perder, perco R$ 100,00, é só um jantar com a esposa), mas talvez não fizéssemos a mesma escolha em se tratando de um investimento de R$1.000.000,00 (tipo, se eu perder, perco R$ 100.000,00, uau, isto é um carro de luxo do ano!). Já para Eike Batista…

Pessoas e organizações são classificadas conforme avessas ao risco, indiferentes ao risco, e propensas ao risco.

Classificação da aversão ao risco:

Para esta classificação, levamos em conta não o valor monetário, mas a utilidade deste valor monetário para a pessoa ou organização (o que podemos fazer com este dinheiro, jantar com a esposa, ou um carro importado). Os gráficos abaixo tem no eixo-x o Risco, e no eixo-y a Utilidade.

Avesso ao risco:

O aumento do risco não tem um correspondente aumento da utilidade (ou seja, meu medo de perder é maior que o prazer de ganhar):

Avesso ao risco

Gerenciamento de Riscos: Avesso ao risco

Indiferente ao risco:

A utilidade do ganho é proporcional ao risco:

Indiferente ao risco

Grenciamento de Riscos: Indiferente ao risco

Propenso ao risco:

Vale a pena correr o risco, porque a utilidade do que vou ganhar vale a pena o risco (com o que vou ganhar, faço minha independência financeira, por exemplo):

Propenso ao Risco

Grenciamento de Riscos: Propenso ao Risco

Apresentadores de TV, tais como Sílvio Santos, Luciano Hulk, e outros, são exímios interpretadores da função Utilidade para os participantes de seus programas. Se você assistir de forma analítica estes programas, verá que para aqueles para os quais uma determinada quantia é a realização de seus sonhos, a superação das dificuldades, este se arriscam bem mais (tipicamente, se você sair agora, você já leva R$5.000. Se você tentar a próxima etapa, se vencer leva R$10.000,00, mas perder leva só R$1.000…)

Para iniciar o Gerenciamento de Riscos

Você consegue visualizar os known knowns, e consegue imaginar alguns known unknowns? Certamente, você não consegue ter toda a abrangência necessária, por isso, o Gerenciamento de Riscos certamente envolverá uma equipe multifuncional

Você conhece a sensibilidade ao risco de sua empresa, relativamente ao seu projeto?

Breve daremos continuidade. Não esqueça, cadastre-se no Blogtek!

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

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  • Rodrigo

    Gostaria de acompanhar os proximos capitulos. Obrigado!

  • Obrigado pelo retorno, Rodrigo. Colocando seu e-mail no topo do Blogtek, à direita, você será informado de novas novas publicações. Seu e-mail NÃO será usado por terceiros,e você pode se descadastrar a qualquer instante.

  • Artigo muito bom. Gostei

    a avaliação dos riscos é sempre uma grande dificuldade das equipes gerenciadoras de projetos. por serem os risco muitas vezes subgetivos.

  • Concordo. Os riscos muitas vezes são subjetivos, o que os torna difíceis de identificar e avaliar quantitativamente. Daí a grande importância da Análise de Riscos.

  • Adloncio

    Olá Sr. Stonner!!!
    Tenho vivência de campo nas implementações de construção e montagem e estou interando-me nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gerenciamento de Risco.
    Seu blog está de parabéns no conteúdo desenvolvido de forma clara, simples e prática.
    Vejo que não apenas no campo profissonal podemos adotar tais filosofias mas sim em nosso cotidiano.
    Estarei sempre agora acompanhando esse blog e quem sabe trazer um pouco das “lições aprendidas” aqui.
    Abraços

  • Obrigado, Adloncio! Blogtek espera sempre poder lhe ser útil!

  • Renso Pereira Rocha

    Excelente artigo,parabéns.Vou virar frequentador assíduo desse blog a partir de agora.

  • Obrigado, Renso!

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  • Allan

    Parabéns pelo artigo! Muito agradável de ler. Que tal das próximas vezes colocar mais exemplos?
    Grande Abraço e muitíssimo obrigado

  • Obrigado, Allan, concordo com sua sugestão, exemplos sempre ajudam no entendimento.

  • Tenho acompanhado teus artigos no blogtek e eles tem além de um manancial técnico ,uma dose enorme da tua vivência ,parabéns .estou estudando para a certificação RMP se tiveres dicas agradeço meu email grandi@engecampo.com.br

  • Obrigado, Roberto, estou para lançar mais alguns artigos sobre Gerenciamento de Riscos, e depois vou reunir todos os artigos e publicar em um e-book gratuito para os assinantes. Breve!!!

  • Pingback: Andragogia e Gamification - blogtek.com.br()

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