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O desabamento da ciclovia no Rio e o gerenciamento de riscos

Stonner 9 Comentários 25.04.16 1572 Vizualizações Imprimir Enviar

O desabamento da ciclovia no Rio e o gerenciamento de riscos: evidentemente este artigo não é, nem poderia ser, uma conclusão sobre os acontecimentos recentes. Mas vale um alerta sobre a importância do Gerenciamento de Riscos. Estamos frequentemente postando artigos sobre gerenciamento de riscos. Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui ao lado, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

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O desabamento da ciclovia: o contexto

Por ocasião da Olimpíada Rio-2016, há uma série de obras portentosas sendo realizadas, muitas para atender especificamente os jogos olímpicos, e outras são o que se denomina legado dos Jogos, que são melhorias que atenderão os Jogos, mas permanecerão para a posteridade.

E a construção desta ciclovia se insere no legado dos Jogos. Além de estar correlacionado ao aspecto de bem estar, saúde, prática desportiva, a ciclovia tem outro viés, turístico, por ser uma ciclovia que descortina uma belíssima paisagem.

O desabamento da ciclovia repercute muito mal externamente (como se já não bastassem os problemas de violência urbana), pois coloca em dúvida os padrões de engenharia utilizados nestas obras, sabidamente realizadas em horizonte de prazo muito curto.

O desabamento da ciclovia: a descrição

Desabamento da Ciclovia

Imagens do desabamento da ciclovia Tim Maia

Inaugurada há três meses, a ciclovia vinha sendo bastante utilizada, para a prática de exercícios ou puro lazer. Em uma manhã ensolarada, porém com mar bastante agitado, um trecho da ciclovia foi derrubado por uma onda que atingiu a pista da avenida Niemeyer, avenida litorânea que vai do Leblon a São Conrado, levando dois ciclistas (havia a possibilidade de mais vítimas, porém o Corpo de Bombeiros suspendeu as buscas sem localizar mais vítimas) a caírem de grande altura e morrerem, seja pela queda, seja por afogamento.

O vídeo está bastante disseminado pela Internet, mas ainda não o tiver visto, acesse: Vídeo do desabamento

O desabamento da ciclovia: a análise

Reitero que as observações aqui não são concludentes, porque não temos relatórios de perícia técnica, porém são alguns aspectos pertinentes e relevantes.

A análise dos vídeos sobre o desabamento da ciclovia mostra que aparentemente os trechos da ciclovia estão apenas apoiados, ou pelo menos sem ligação resistente aos pilares de sustentação. Parece que foi considerado apenas o esforço vertical de cima para baixo (peso), sem levar em conta um eventual esforço de baixo para cima.

Para a construção de uma obra no mar, ou com interface com o mar, há um dado de engenharia denominado Onda Centenária: é uma onda cuja altura é estatisticamente alcançada ou superada pelo menos uma vez a cada século. Aparentemente isto não foi considerado no projeto. Apesar de ser prática corrente de engenharia, para obras offshore, este cuidado não foi tomado.

Se fossem seguidas as recomendações do PMBoK Guide concernentes ao processo Gerenciamento de Riscos, teria sido executado o processo: Identificar Riscos, onde provavelmente este risco seria apontado, e ações preventivas ou mitigadoras teriam sido tomadas.

Vivenciei em uma Parada de manutenção na REDUC uma situação similar. Por ocasião das paradas, as chaminés são cobertas com um dispositivo que chamamos de “chapéu chinês”, que se encaixa e apoia sobre o topo da chaminé, permitindo circulação de ar mas impedindo a entrada de água que traria danos ao revestimento refratário. Como se trata de uma peça de mais de 200 kg, sempre imaginávamos que seu peso próprio seria suficiente, mas houve, nos idos de 1994 um vendaval durante a parada, que criou uma corrente ascendente que fez o “chapéu chinês” voar cerca de 50 m, pousando entre dois fornos, felizmente sem danos a ninguém.

Assim como aparentemente o peso do “chapéu chinês” ser capaz de resistir a uma corrente de ar, e também o peso de um trecho de ciclovia ser também capaz de resistir a uma onda, é necessário lembrar que a força gerada será igual à pressão vezes a área, e sendo extensa a área, a força pode ser suficiente para causar danos.

Uma das técnicas utilizadas para Identificar os Riscos é o Brainstorm, e é importante que nenhuma ideia seja censurada na fase de geração de ideias e sugestões.

Continuaremos a abordar em detalhes o Gerenciamento de Riscos nos próximos artigos do Blogtek. Para manter-se informado sobre os próximos artigos, cadastre seu e-mail em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

 

 

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

DEIXE O SEU COMENTÁRIO

  • Caro Mestre.

    Esta nossa cultura de ganância que leva a negligência e a falta de amor pela profissão de fazer o melhor é que nos leva também a estes cenários tristes que passamos e vemos todos os dias. Nosso orgulho de ser Engº nestas horas nos faz lamentar.

    Tudo de bom e um forte abraço.
    Roberto

  • thomas ferreira

    Muito bem colocado. O gerenciamento de riscos parece que ou foi inexistente ou foi muito pouco explorado no caso da ciclovia.

    Não podemos esquecer que para ajudar a identificar os riscos podemos acessar uma EAR ( estrutura analítica de Riscos) e isso possibilitará olhar com mais cautela as naturezas dos riscos e pensar nos riscos.

  • Fernando Sobrino

    O que diz o código de projeto aplicável?

    Pelo código, deveria ter sido levada em consideração a questão da “onda centenária”?

  • Grato pela contribuição, Roberto!!!

  • De fato, Thomas, não há evidências de gerenciamento de riscos neste projeto!!

  • Estas questões certamente serão respondidas pelas comissões de apuração. Não obstante, a análise de risco, quando aplicada, nos permite identificar riscos e situações muitas vezes não aparentes.

  • Marcelo

    Desde sua inauguração, usuários reclamavam de placas do piso soltas ao longo da ciclovia.
    Uma falha tremenda de projeto não prever essa ressaca, visto que a própria Av. Niemeyer é fechada por causa de ondas fortes.

  • Muitos problemas, Marcelo!!!

  • Ana Alice Sampaio

    Mto bom o comentario! Que triste o acontecido.

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