Menu

Mitos sobre materiais perigosos – Trevor Kletz

Stonner 4 Comentários 29.06.15 2168 Vizualizações Imprimir Enviar

Mitos sobre materiais perigosos – Trevor Kletz: os livros de Trevor Kletz (1922 – 2013) são uma referência internacional absoluta sobre Segurança Industrial. Descrevendo estudos de casos, analisados minuciosamente, desde a causa aparente até a causa básica, deveriam ser livros de cabeceira de qualquer gerente industrial. Infelizmente, por vezes é difícil obter suas obras, principalmente em Português. Seu livro mais conhecido “O que houve de errado” é encontrado apenas por encomenda (acesse este link para saber mais). Por esta razão, faço aqui uma adaptação (em três artigos) de um artigo de Trevor Kletz de 1977, pouco divulgado. Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui ao lado, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

Clique aqui e cadastre-se para receber uma notificação por email sempre que um novo artigo for postado

Seu email não será utilizado por terceiros nem para envio de spam.

Mitos sobre materiais perigosos – introdução

Mitos acerca de segurança industrial podem ter dois vieses: 1) crer que algo é perigoso, quando não o é, o que nos levaria a sermos mais conservadores em termos de segurança, ou 2) crer que algo não é perigoso, que o risco está sob controle, quando na realidade não está, e isso pode nos levar a negligenciar alguns aspectos de segurança, e levar a eventos catastróficos.

Acreditar em mitos do primeiro tipo pode nos levar a dispêndios extras em Segurança industrial, desnecessários, mas os mitos do segundo tipo podem levar a fatalidades, por isto vamos focar aqui nos mitos do segundo tipo.

Mitos sobre materiais perigosos – mito #1

“Se forem feitos todos os esforços possíveis para remover fontes conhecidas de ignição, misturas inflamáveis são seguras e não irão “flashear” (pegar fogo) ou explodir.”

Este mito se baseia no “Triângulo do Fogo”: Combustível, ar, fonte de ignição. Ainda que o conceito esteja correto, a dificuldade está em eliminar TODAS  as possíveis fontes de ignição. A quantidade de energia requerida para ignizar uma mistura inflamável é mínima: 0,2 miliJoules, correspondente à energia de uma massa de 1 grama em uma queda de 20mm!!!!

E como estas fontes de ignição poderiam surgir? Vazamentos de gás contendo gotículas de fluido ou partículas de poeira podem gerar eletricidades estática que pode se acumular em condutores não aterrados. Traços de materiais pirofóricos podem levar a reações exotérmicas, quando reagindo com outros materiais. Atritos também podem gerar fonte de ignição.

Neste artigo, Trevor Kletz cita dois casos (esta é uma faceta interessante dos livros de Trevor Kletz, a abundância de exemplos concretos e estudos de casos) de explosões causadas por estas fontes de ignição habitualmente desconsideradas:

Em um tanque de teto fixo, um arame que suportava um braço móvel de um mecanismo, estava vibrando tensionado, devido ao rolamento de uma polia estar travado, e este atrito gerou particulados aquecidos os quais geraram a ignição.

No outro caso, um tanque vazio de alumínio, mas com ainda com resíduos (explosividade) teve um válvula de aço carbono acoplada em sua tubulação de entrada. Um vazamento neste flange estava sendo sanado com reaperto, e o atrito do aço com o alumínio gerou oxidação do alumínio, que é uma reação exotérmica.

Então, qual a sugestão? Kletz sugere que a remoção das possíveis fontes de ignição seja uma SEGUNDA linha de defesa. Como PRIMEIRA linha de defesa, sugere remover outra componente do Triângulo do Fogo: o ar. Evitar misturas inflamáveis utilizando inertização, evitar perdas de produtos por vazamentos.

Mitos sobre materiais perigosos – mito #2

“Ferramentas que não produzam faíscas devem ser utilizadas em plantas que processam líquidos ou gases inflamáveis.”

Kletz destaca que relatórios abrangentes evidenciam que o uso de ferramentas que não produzam faíscas agrega pouco valor à Segurança Industrial. Um relatório do API (American Petroleum Institute) constata que é muito baixa a probabilidade do impacto de aço sobre aço possa gerar ignição. Porém, é possível que outros particulados se depositem na superfície das ferramentas, e aí sim, possam gerar ignição.

Então, mais uma vez Kletz advoga a necessidade de evitar misturas inflamáveis, mais do que possivelmente remover fontes de ignição.

Estamos sempre publicando artigos sobre Liderança e Gestão, SMS, Gerenciamento de Projetos, Gestão da Manutenção. Breve publicaremos mais alguns mitos de Trevor Kletz. Para manter-se informado sobre os próximos artigos, cadastre seu e-mail em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

 

Incoming search terms:

  • analise swot da petrobas

Clique aqui e cadastre-se para receber uma notificação por email sempre que um novo artigo for postado

Seu email não será utilizado por terceiros nem para envio de spam.

Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

DEIXE O SEU COMENTÁRIO

  • Bayard

    De extrema importância a explanação apresentad.
    Realmente ele desce a detalhes que podemos considerar fantasmagóricas, pois são casos totalmente desconsiderados nas APRs. Ou digamos esquecidos. Na realidade a prevenção básica é não empurrar com a barriga I’m alerta de risco por menor que pareça e trata-lo com a mesma severidade de um fato grave, sempre.
    Tenho 62 anos e 42 de atividade profissional. Já trabalhei em locais de risco eminente continuo e não tenho um acidente em meu currículo.

  • Olá, Bayard, realmente, parabéns, grande feito 42 anos de carreira e nenhum acidente!!!!

  • WALACE

    Adorei a assunto,gostaria de receber mais informações sobre o assunto.

    att,

    WALACE

  • Certamente, Wallace, haverá mais artigos sobre Segurança Industrial, com Trevor Kletz.

Publicidade

Liderança e Gestão

Planejamento de cenários – estratégia na incerteza

Comente Stonner 13.11.17
Gerenciamento de Projetos

O projeto como parte do negócio – PMBOK Guide sexta edição

Comente Stonner 06.11.17
Gerenciamento de Projetos

Lei de Parkinson – expansibilidade do trabalho

Comente Stonner 30.10.17
Gerenciamento de Projetos

Joint Confidence Level (JCL) – análise simultânea de custo e prazo

2 Comentários Stonner 23.10.17
Gestão da Manutenção

7 desperdícios da produção (Lean Manufacturing)

Comente Stonner 16.10.17

Gerenciamento de Projetos

MS-Project – Dicas e Pegadinhas (Tips & Tricks)

83 Comentários Stonner 28.04.13
Liderança e Gestão

Seis regras testadas para vencer discussões (Les Giblin)

61 Comentários Stonner 01.12.14
Gestão da Manutenção

O Planejamento de uma Parada de Manutenção – Parte 1

61 Comentários Stonner 05.05.13
Atualidades

O que o biquíni esconde e o custo das novas refinarias…

56 Comentários Stonner 17.04.13
Gerenciamento de Projetos

Metodologia FEL – Método dos Portões

44 Comentários Stonner 17.02.13

Bem-vindo ao novo

Blogtek

Seja notificado sempre que um novo conteúdo estiver disponível.

Loading...Loading...
Não se preocupe, não temos prática de enviar spam.
© 2013 - 2017 Blogtek.