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Método de Broadbent para projetos

Stonner 12 Comentários 11.05.15 5286 Vizualizações Imprimir Enviar

Método de Broadbent para projetos – eu pretendia escrever um artigo sobre Design Thinking, que é um campo fascinante para um engenheiro mecânico como eu, que procura exercitar e desenvolver o uso do lado direito do cérebro, mais ligado à criatividade. Contudo, percebi que o campo é muito vasto, exigindo uma abordagem por etapas. Então, vamos conhecer primeiro o método de Broadbent para projetos. Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui ao lado, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

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Método de Broadbent para projetos – contextualização

A palavra Projeto tem uma utilização complicada na Língua Portuguesa. Em Inglês, ao nos referirmos a “Project”, estamos nos referindo a “Empreendimento”, no sentido mais tangível do termo, muito ligado à Obra.

O Projeto, há muito tempo desenvolvido nas pranchetas, e hoje totalmente migrado para ferramentas CAD, corresponde ao termo em Inglês “Design”, como podemos ver pelo acrônimo CAD – Computer Aided Design.

E aqui efetivamente nos referimos ao Projeto como o Design.

Após a Segunda Guerra Mundial, com o advento da Guerra Fria e a acirrada competição industrial, científica e tecnológica entre os EUA e a URSS, foi despertado o interesse nas pesquisas voltadas para a necessidade do homem, abrindo uma revolução no processo de projeto de bens manufaturados e obras, principalmente obras civis.

Este movimento levou à Conferência em Métodos Sistemáticos e Intuitivos na Engenharia, Desenho Industrial, Arquitetura e Comunicações, realizada em Londres, em 1962, onde pela primeira vez são pesquisados métodos de projeto, buscando conciliar métodos sistemáticos e intuitivos, desmitificando a questão da criatividade, assunto que foi tratado como transformar a “caixa-preta” (black box) em “caixa de vidro” (glass box).

Quando eu fazia engenharia na UFRJ, na Ilha do Fundão, muitos de nós ao passarmos pela Av. Brasil comentávamos jocosamente sobre as passarelas de pedestres: “Esta foi projetada por um engenheiro”, dizíamos, ao passarmos sob uma robusta passarela de aço, durável e de fácil construção, “Esta foi projetada por um arquiteto”, ao passarmos sob uma passarela de concreto, de formas belas e suaves.

No entanto, esta dicotomia não precisa necessariamente existir.

Método de Broadbent para projetos – os 4 métodos

O método de Broadbent (Geoffrey Broadbent) se baseia em quatro modos distintos de gerar projetos (especificamente em Arquitetura):

Método pragmático: consiste no uso de métodos e propostas de construção com materiais disponíveis (materiais no sentido amplo, materiais de construção e material intelectual – soluções disponíveis, sendo adaptadas). É uma maneira tradicional, conservadora, de baixo custo, de pequeno risco. No entanto, são resultados previsíveis e monótonos. Casas populares ou não, replicadas com pequenas diferenças ao longo de grandes espaços, modernas caixas de vidro (modernos edifícios).

Método icônico: a definição de ícone remete a uma imagem sempre reproduzida, hoje muito utilizada em informática, mas com origem nas figuras religiosas. Independente do software que você utilize, os ícones que representam “Copiar”, “Colar”, “Recortar”, “Salvar”, “Imprimir” são sempre muito semelhantes. Neste sentido, o método icônico é ainda mais conservador do que o método pragmático: pressupõe a cópia de modelos existentes. É também uma solução de baixo custo e risco, porém permite que erros conceituais sejam perpetuados. Também não considera eventuais especifidades locais, tais como clima, localização, etc.

Método canônico: se baseia em regras de planejamento e proporções. A famosa figura do Homem Vitruviano, desenho de Leonardo da Vinci, datado de 1490, representando um homem em pé, com distintas posições das pernas e braços, representando as proporções do ser humano, é uma clássica figura deste método (podemos dizer, um “cânone”: regra geral de onde se inferem regras específicas).

Método de Broadbent para projetos - o Homem Vitruviano

Método de Broadbent para projetos – o Homem Vitruviano

Esta figura de Leonardo da Vinci, assim como inúmeras obras de arte (Vênus de Boticelli, A última ceia de Salvador Dali, Monalisa de Leonardo da Vinci) usam proporções baseadas na proporção áurea, em que a soma de dois segmentos está para o maior, assim como o maior está para o menor ( (a+b)/a=a/b), na razão “phi”, número irracional que vale aproximadamente 1,618…

Por quê isto? Aparentemente formam uma proporção suave, que é muito encontrada em formas da Natureza….mistérios!!!!

Método Analógico: é o método onde se exacerba a capacidade criativa do projetista, o qual utiliza analogias com outros campos e contextos para criar novas maneiras de abordagem e solução de problemas.

Método de Broadbent para projetos – John Johansen

John Johansen foi um arquiteto norte-americano, expoente do Método Analógico na arquitetura, como podem atestar as figuras que se seguem:

Método de Broadbent para projetos - edifício molecular de John Johansen

Método de Broadbent para projetos – edifício molecular de John Johansen

Método de Broadbent para projetos -spray house de John Johansen

Método de Broadbent para projetos -spray house de John Johansen

Método de Broadbent para projetos -Miami hotel de John Johansen

Método de Broadbent para projetos -Miami hotel de John Johansen

Abordaremos em breve artigo sobre Bryan Lawson, autor do livro  “Como Arquitetos e Designers Pensam”, como mais uma etapa para abordar a questão do Design Thinking.

Estamos sempre publicando artigos sobre Liderança e Gestão, Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e certamente breve publicaremos artigos sobre Design Thinking. Para manter-se informado sobre os próximos artigos, cadastre seu e-mail em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

 

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

DEIXE O SEU COMENTÁRIO

  • Tais artigos fazem com que venhamos a refletir um pouco sobre

    a falta de criatividade que há, nos chamados projetos inovadores.

    Parabéns.

  • Obrigado, Darcy! Bem vindo ao Blogtek!!!

  • carlos alberto leitão

    Parabéns Rodolfo, excelente artigo!

  • Victor

    Fiquei interessado em conhecer mais sobre o tema projetos.

  • Acredito que cada vez mais, os projetos deverão ser idealizados de forma multidisciplinar, não só no sentido técnico (engenharia e arquitetura), mas sim com a participação de profissionais de marketing, direito, vendas, etc., de forma que a criação seja um produto de interesse comum e que produza algo positivo ao local de implantação do mesmo.

  • Luciano Ferreira

    Prezado

    Permita-me sugerir a leitura do link a seguir:

    http://hypescience.com/estudo-desmistifica-diferencas-entre-os-dois-lados-cerebro/

    Abraço !

  • Dilma

    É fascinante a existência de uma proporção áurea e dos números áureos que deste a antiguidade nos desafiam não é?
    No entanto, lembremos que temos a capacidade de subverter tudo, fazer um belo “mingau” e extrair uma maneira totalmente singular de solução de problemas.
    A expressão “tratos-a-bola”, bem antiguinha, pode ser um mantra da criatividade…
    Valeu o estímulo professor, obrigada

  • Olá, Dilma, sempre muito bom receber seus comentários!!!!!

  • Obrigado, Luciano!! Acessei o link, achei interessante, mas ainda há correntes de cientistas que defendem a lateralização. Recomendo leitura aos seguidores do Blogtek.

  • Victor, acessando o índice na página inicial do Blogtek, você encontrará inúmeros artigos a respeito de Gerenciamento de Projetos.

  • Grato, Carlos Alberto.

  • Obrigado, Raphael! Desculpe a demora da resposta!

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