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Obras de Grande Porte: Lidando com os problemas da dinâmica diferenciada de contratação – 1ª Parte

Luiz Cláudio Estima 4 Comentários 13.01.14 3631 Vizualizações Imprimir Enviar

Temos o prazer de mais uma vez contarmos com a colaboração do engenheiro e economista Luiz Estima, dado continuidade ao artigo anterior (“A dinâmica diferenciada de contratação em obras de grande porte”), onde foi imaginado uma situação hipotética em que você era um engenheiro de uma multinacional que seria o responsável pelo estudo de viabilidade técnico e econômica de uma obra de grande porte (por exemplo uma mega usina hidrelétrica) que sua empresa desejaria implantar. É necessário se chegar a alguma conclusão. Será possível ou não a execução dessa obra? Para ser informado sobre novos artigos, cadastre seu e-mail em Assine o Blogtek. SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS!

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Introdução:

Obras de Grande Porte: hidroelétrica de Três Gargantas

Obras de Grande Porte: hidroelétrica de Três Gargantas

Em um resumo do que foi elencado no artigo anterior, como dificuldades para execução dessas obras tem-se:

a)     Poucas empresas;

b)     Alto custos de equipamentos especiais;

c)     Alta qualidade requerida;

d)     Mão-de-obra em quantidade e qualidade;

Considerações sobre as dificuldades apresentadas:

A seguir, expõe-se algumas considerações mais aprofundadas sobre esses itens, buscando algumas idéias para enfrentar esses problemas, levando-se em conta que quanto melhor for seu diagnóstico, melhor será seu prognóstico:

a.     Poucas empresas;

Pode-se dizer que a causa da existência de poucas empresas capazes de realizar obras de grande porte são as seguintes:

Solução Inovadoras:

Inovação acontece quando uma empresa produz um serviço, ou utiliza um método que seja inédito para ela ou para qualquer outra empresa, realizando assim uma mudança tecnológica.

Sendo sua obra de grande porte ela será única. E assim, você não encontrará soluções idênticas para resolver os problemas de engenharia que você terá que encarar em outras obras. Você precisará de soluções inovadoras.

Será necessário projetar sua própria solução. Isto irá requer vasta pesquisa em métodos e sistemas construtivos existentes e possíveis de serem fabricados para poder serem usados em seu empreendimento.

O ideal é buscar ajuda multidisciplinar em todas as áreas envolvidas nesse seu projeto e estudar em conjunto as soluções possíveis de serem adotas.

Lembre-se, que a solução que será adotada, será única. Pode até ser usada como referência para obras futuras. Mas, até o hipotético momento não há garantias que ela funcionará para sua obra.

Um bom exemplo de situação como essa são as construções das ilhas em palmeiras em Dubai. Evidentemente, essa obra é caracterizada como obra de grande porte e suas soluções são únicas. Mas para tornar o projetado em realidade foi buscado os especialista em construção de terra no mar: os holandeses e belgas.

A própria construção da usina hidrelétrica de Três Gargantas, na china, contou com a ajuda de algumas empresas brasileiras, que têm larga experiência em construções de usinas hidrelétricas. Evidentemente, cada usina hidrelétrica tem suas características diferenciadas. As soluções adotadas para a construção da usina bi-nacional Itaipu, não foram as mesmas para a usina da China, mas é de grande utilidade conhecer as experiências anteriores em casos com algum nível de similaridade.

É intuitivo concluir então que a busca de soluções inovadoras limitam o número de empresas capacitadas a ajudá-lo.

O ainda mais difícil aqui seria calcular qual o valor monetário dessas soluções inovadoras.

Eles puderam adaptar sua tecnologia de construções em suas terras natais às condições requeridas para a construção dessas ilhas no golfo pérsico.

Obras de Grande Porte: barragem contra enchentes na Holanda

Obras de Grande Porte: barragem contra enchentes na Holanda

 Exigência de capital elevado para investimento;

É intuitivo que quanto maior o investimento a ser realizado menos empresas estarão dispostas a fazê-lo.

E essas obras de grande porte, necessariamente necessitam de elevadas somas de capitais para investimento. Ainda que se utilize de financiamentos, os mesmos são concedidos mediantes a garantias que só poucas empresas são capazes de atendê-las.

Obras de Grande Porte - custos

Obras de Grande Porte – custos

No livro “Economia Industrial- Fundamentos Teóricos e Práticas no Brasil” (David Kupfer e Lia Hasenclever, 6ª Tiragem), entende-se que requerimento inicial de capital seria uma “barreira à entrada” de novas empresas ao mercado. Pagina 124 :

        “Bain considerava que poderia existir uma quarta fonte de barreiras se a entrada de uma nova empresa em uma industria exigisse a mobilização de elevada soma de capital para fazer face ao investimento inicial – as barreiras de capital. As barreiras de capital surgem como conseqüência da existência de elevadas escalas mínimas eficientes.”

Obras de Grande Porte - custo e riscos

Obras de Grande Porte – custo e riscos

Altos riscos;

Se já o investimento inicial necessita ser elevado o que dificulta a disponibilidade de empresas capazes de fazê-lo, soma-se a isso o fato de altos riscos associados a esses investimentos e aí o problema ganha vultos ainda maiores.

Uma obra de grande porte, devido a seu tamanho, está sujeita a inúmeros riscos, em diferentes etapas e fases de construção, riscos estes que devido a inúmeras interfaces dessas obras de grande porte muitas vezes se associam multiplicando suas conseqüências entre eles.

Um bom exemplo do dito acima está descrito no seguinte trabalho sobre a construção do Complexo do Rio Madeira, (Projeto Complexo, Mega Risco, Riscos Financeiros do Complexo Rio Madeira – Segunda Edição, fevereiro de 2008, Gustavo Pimentel).

“Como em qualquer empreendimento de grande porte, os riscos e retornos financeiros devem ser estimados com máxima previsão, em face de possibilidade de pequenos erros provocarem severas perdas para empreendedores, investidores, financiadores e a sociedade em geral. Tal cuidado deve ser redobrado para projetos como o Madeira, realizados longe dos grandes centros urbanos do país, em uma região tão rica em biodiversidade como a Amazônia, porém com infra-estrutura social ainda abaixo da média do país. Historicamente, todos os grandes projetos de infra-estrutura nesta região sofreram atrasos expressivos, apenas com a exceção daqueles que nunca foram concluídos.”

Obras de Grande Porte - riscos crescentes

Obras de Grande Porte – riscos crescentes

 Conclusão:

Vistas três das principais causas que levam a existência de poucas empresas capazes, chega-se a conclusão que infelizmente o porte da obra não deixa muita margem para lidar com esse problema.

É de fato necessário buscar empresas que tenham capacidade de investimento inicial elevado para a realização dessa obra e sejam capazes de adotar soluções inovadoras. E ainda, assumir riscos elevados também dificulta, e muito, a árdua tarefa de buscar empresas no mercado capacitadas a executar essas obras.

Tudo isso leva a limitação de empresas capazes a executar essas obras de grande porte. Apenas as maiores e melhores empresas do ramo de engenharia estarão capacitadas a executar tais empreendimentos.

O seu mercado estará longe do que os economistas chamam de “concorrência perfeita” (muitas empresas disponíveis). E pode até existir o caso de seu mercado ser de um monopólio, caso em que apenas uma empresa pode fornecer seu produto. Nesse ultimo caso, você está sujeito às condições da empresa monopolista sem qualquer poder de barganha.

Obras de Grande Porte -

Obras de Grande Porte –

Explicações do gráfico na página da Internet:

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1415-65552000000200005&script=sci_arttext

A solução é pesquisar as empresas que tenham capacidade de inovação, possuam uma boa capacidade de investimento e já assumiram elevados riscos em outros projetos do mesmo e porte e obtiveram bons resultados.

Em muitos casos, a solução pode ser buscar empresas internacionais.

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Luiz Cláudio Estima

Luiz Estima, Engenheiro Civil Estrutural pela UFRJ, Economista pela UERJ, Economista e Engenheiro Civil da Petrobras, MBA em Economia e Gestão em Energia na COPPEAD. Também é diretor da científica Revista Amélia. É apaixonado por ciência.

DEIXE O SEU COMENTÁRIO

  • Prezado Luiz,
    Sei que não se consegue aplicar à obras de infra-estrutura, “patrocinadas” em sua imensa maioria pelo “púdêr púbrico”, mas gostaria da sua opinião, ou eventual experiência, em “Contratos de Alianças Estratégicas”, especialmente nesses casos de escassez de fornecedores. Grato antecipadamente.

  • Luiz Cláudio Estima

    Prezado J.C. Di Paolo

    Os contratos no modelo de Aliança têm sido muito mais usado no exterior do que no Brasil, pelo que sei.
    Minha experiência nesse modelo de contrato é pequena, mas na teoria, eu estudei bastante sobre o modelo.
    Acho a teoria de preços meta e de bonus e penalidades uma alternativa a ser aplicada que pode sim dar certo.
    Mas, como todos os tipos de contratos, há as vantagens e desvantagens.
    Evidente que cada caso é um caso e deve ser estudado com todas suas particularidades. O que não acho bom, é descartar o modelo de “Contrato Aliança” logo de cara.
    Enfim, é um assunto bem complexo.
    Resumindo, acho que o contrato aliança é uma alternativa plausível em obras de grande porte, especialmente nos casos de poucas empresas e altos riscos envolvidos.
    Sds

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