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Gestão de Riscos: questões fundamentais

Stonner 20 Comentários 16.07.14 3683 Vizualizações Imprimir Enviar

Gestão de riscos: questões fundamentais. Vimos recentemente aqui no Blogtek uma relação descritiva e sucinta das principais ferramentas de análise de risco disponíveis, e suas principais características. Breve, veremos para que situações cada uma destas ferramentas é mais adequada. No entanto, é importante conhecer os fundamentos da Gestão de Riscos. É o que veremos neste artigo.  Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui ao lado, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

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Gestão de Riscos: conceitos

Preliminarmente, vamos mais uma vez definir os conceitos de Risco e Perigo:

Perigo (Danger): situação que pode potencialmente causar danos a pessoas, instalações, equipamentos ou ao meio ambiente.

Risco (Risk, Hazard): probabilidade real de ocorrência da situação de perigo.

É usual representarmos esquematicamente o Risco como sendo o Perigo dividido pelas medidas de prevenção, correção ou contenção.

Gestão de Riscos: Conceito de risco e perigo

Gestão de Riscos: Conceito de risco e perigo

Por exemplo, as consequências de um desastre aéreo são maiores que em um acidente de carro. Não obstante, temos as seguintes estatísticas:

– A probabilidade de uma fatalidade em um voo entre Nova Yorque e Los Angeles é de 1/11.000.000; ou seja, dentre onze milhões de passageiros ocorre uma fatalidade. Na realidade, como em um acidente aéreo não ocorre apenas uma fatalidade, significa que um acidente aéreo ocorrerá em mais de um bilhão de passageiros transportados, em média.

– A probabilidade de uma fatalidade em uma viagem rodoviária de Nova Yorque a Los Angeles é de 1/14.000;

Os acidentes aéreos são mais visíveis, face às suas características de muitas vítimas, proporções catastróficas, porém a probabilidade de ocorrência de um acidente aéreo é muito menor do que a de um acidente automobilístico, devido às medidas de prevenção adotadas pela indústria aérea.

Gestão de Riscos: questões fundamentais

Na descrição das ferramentas de análise de risco recentemente publicada aqui no Blogtek, apresentamos as principais características de cada uma. Igualmente importante é conhecer quando utilizar cada uma delas. Para tal, é fundamental conhecer as questões fundamentais que a Gestão de Riscos busca responder:

  • O que pode ocorrer de indesejado?
  • Por que aconteceu este evento indesejado?
  • Qual a probabilidade de ocorrência deste evento indesejado?
  • Quais são os impactos deste evento indesejado?
  • Qual o risco (probabilidade x impacto) deste evento indesejado?
  • Como se pode detectar este evento indesejado?
  • Como categorizar e priorizar os eventos indesejados?
  • Quais são as medidas de prevenção contra este evento indesejado?
  • Quais são as medidas de correção para este efeito indesejado?
  • Qual a amplitude de alcance deste evento indesejado?
  • Como reduzir os riscos, e seus efeitos?

Muitas destas questões são voltadas para os riscos tais como habitualmente conhecidos, ou seja, os riscos de SMS (Segurança, Meio Ambiente, Saúde); porém, muitas destas questões, e ferramentas utilizadas pra esta análise, são aplicáveis também, com adaptações, a gestão de riscos em projetos.

Gestão de Riscos: tolerância ao risco

 A tolerância ao risco é uma variável. Não é a mesma em todos os países, em todas as indústrias, em todas as épocas. Por exemplo, certamente há 20 anos as exigências ambientais eram muito menos severas do que as atuais. Outro exemplo: pelo descritivo da situação na Turquia, após recente explosão em mina de carvão, em que faleceram cerca de 300 trabalhadores, as exigências de Segurança no Trabalho naquele ambiente são bem menores do que na indústria de óleo e gás no Brasil.

A tabela a seguir representa um cálculo do risco individual de algumas atividades, segundo normas britânicas:

Gestão de Riscos: risco individual

Gestão de Riscos: risco individual

Para melhor entender estes indicadores, o risco anual de 5,0 x 10-3 para os fumantes significa que de cada 1.000 fumantes, 5 morrem anualmente de doenças relacionadas ao uso do tabaco.

Ao correlacionarmos o potencial número de fatalidades com a probabilidade de ocorrência, temos os gráficos de aceitabilidade dos riscos. Abaixo, ilustramos o gráfico de tolerabilidade ao risco em Hong Kong:

Gestão de Riscos: tolerabilidade ao risco em Hong Kong

Gestão de Riscos: tolerabilidade ao risco em Hong Kong

A região de risco a ser reduzido está representada pela sigla ALARP: “As low as reasonable practical”, ou seja, “tão baixo quanto razoavelmente prático”.

A seguir, vemos o gráfico de tolerabilidade ao risco na Holanda, claramente mais restritivo. Neste não há região de risco a ser reduzido, é apenas classificado como risco aceitável ou inaceitável.

Gestão de Riscos: Tolerabilidade ao Risco na Holanda

Gestão de Riscos: Tolerabilidade ao Risco na Holanda

Gestão de Riscos: características e objetivos da Análise de Riscos

  • A Análise de Riscos busca avaliar e analisar o que pode ocorrer de indesejado;
  • É discutida a possibilidade de desvios de projeto, operacionais ou de manutenção se transformarem em eventos de maior impacto (acidentes);
  • Não tem caráter determinístico;
  • Quaisquer metodologias de análise têm incertezas, além dos aspectos subjetivos;
  • Não dispensa o uso de adequadas normas de projeto, procedimentos adequados de operação e manutenção;
  • Não apresenta respostas exatas e definitivas; apresenta cenários e alternativas.

Há um adágio, em Inglês, para ilustrar de forma amena, a importância da aderência às normas e procedimentos de segurança:

 “In God we trust, the rest we check” (Em Deus confiamos, o resto verificamos)

Breve, publicaremos outros artigos sobre a Gestão e Análise de Riscos. Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui ao lado, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

 

 

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  • exemplos de riscos fundamentais
  • recentemente passou se chamar de risco a probabilidade de ocorrência

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

DEIXE O SEU COMENTÁRIO

  • Mais um excelente texto. Obrigado caro Rodolfo.

  • Roberto Taveiros Darski

    Caro.

    Sempre agregando conhecimento.

    Obrigado e um forte abraço.
    Roberto

  • Ana

    Ótimo material, professor! Foi bom relembrar conceitos relacionados ao tema. Estamos carentes de profissionais que saibam analisar as situações de risco e encontrar (ou desenvolver) alternativas eficientes para dirimi-los! Obrigada pela contribuição.

  • Obrigado, Ana! Seja bem vinda ao Blogtek!

  • luciano laranjeira

    Otima abordagem com exemplos mensuráveis.

  • Obrigado, Luciano, seja bem vindo ao Blogtek!

  • Cristian Gomes

    Ótimo artigo identificar e gerenciar os ricos em todas as áreas industriais é de suma importância para que se tenha um bom resultado nas questões de segurança da EMPRESA, especificamente em minha área eletroeletronica temos que acima de tudo interiorizarmos uma cultura prevencionista aos riscos mapeados pois convivermos com o riscos eminentes.

  • Caro Cristian, obrigado pelo comentário. Seja bem vindo ao Blogtek.

  • Antônio Pessoa

    Ótimo texto.

    Parabéns

  • Obrigado, Antonio, seja bem vindo ao Blogtek!

  • Leonardo Kaminskas

    Rodolfo, uma ótima matéria, gostei muito.

  • Valeu, Leonardo, bem vindo ao Blogtek. Haverá muitos artigos a respeito deste assunto.

  • Wanderson

    Muito bom Rodolfo, levando informação e conhecimentos aos cantos da terra.

  • Obrigado, Wanderson para mim é um prazer, e suas palavras estimulam mais ainda!

  • Pingback: blogtek.com.brÍndice de artigos do Blogtek - blogtek.com.br()

  • juvenal dionisio souza mota

    Prezado Rodolfo

    gostaria de saber se já houve alguma abordagem entre VIPs e analise de risco do projeto, ou seja até onde podemos fazer VIPs onde nos empolgamos em reduzir principalmente prazos e custos e em uma primeira analise diminuimos as potencialidades das instalações a serem construidas sem tempo ou até conhecimento hábil de analisar riscos envolvidos com a aplcação destas VIPs.

  • Olá, Juvenal, vou retomar breve os artigos sobre VIP’s, e poderei discorrer um pouco mais sobre o assunto.

  • Giovani Eduardo Braga

    Assunto muito importante e texto muito bom. Parabéns!!!!!!!!!!

  • Obrigado pelas plavras de estímulo, Giovani!

  • Pingback: blogtek.com.brPremissas, restrições, riscos, questões - o que são de fato? - blogtek.com.br()

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