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Freios ABS, Airbag e a Improdutividade devido às inatividades normais em Obras – parte II

Luiz Cláudio Estima 3 Comentários 27.04.14 3664 Vizualizações Imprimir Enviar

Improdutividade: preocupação perene dos gerentes de projeto. Como visto na parte 1 desse artigo do engenheiro e economista Luiz Estima, as causas de improdutividade por inatividade, as “impeditividades”, implicam em um tempo líquido menor que o tempo disponível para a realização dos serviços. A quantificação do tempo gasto com essa perda de produtividade por inatividade é variável e depende de muitos fatores. Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui ao lado, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

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Impeditividades – exemplos

O artigo do prof. Aldo Dorea sugere algo em torno de 37,5% de perda por “impeditividade”, sem considerar os efeitos do clima. Alguns outros autores sugerem que esse percentual se situe na casa dos 50% (incluindo os efeitos do clima).  A seguir, será analisado um exemplo hipotético para consideração dessas perdas na elaboração da estimativa de custo e prazo de um serviço.

Diálogo Diário de Segurança nas obras do Maracanã(RJ)

Diálogo Diário de Segurança nas obras do Maracanã(RJ)

EXEMPLO DE CÁLCULO DE INFLUÊNCIA DAS “IMPEDITIVIDADES” EM UM ORÇAMENTO DE OBRAS – FORNECIMENTO DE CONCRETO NA USINA HIDRELÉTRICA DE TUCURUÍ (PA)

Como forma de exemplo ilustrativo, pode-se imaginar uma variação linear com 4 valores para esse percentual de perdas de produtividade por inatividade (“impeditividades”): 30%, 40%, 50% e 60% .

Dessa maneira, tomemos como exemplo a construção da Usina Hidrelétrica de Tucuruí e o volume de concreto gasto para tal. Segundo o site Cidade de Tucuruí (http://cidadedetucurui.com/inicio/usina_hidreletrica_tucurui/CONSTRU%C3%87%C3%83O/CONSTRU%C3%87%C3%83O.htm) foi gasto cerca de 8.000.000 m3 (oito milhões de metros cúbicos) de concreto para sua construção.

Com esse quantitativo de concreto e utilizando o sistema de referência de preços SINAPI seria possível estimar a quantidade de homens-hora gasto apenas para executar o serviço de fornecimento de concreto?

 

Usina Hidrelétrica de Tucuruí (PA)

Usina Hidrelétrica de Tucuruí (PA)

Pesquisando as composições de custo do SINAPI e imaginando hipoteticamente que o concreto utilizado para a construção dessa barragem fosse de 15 MPa (apenas para efeito de utilização da composição de custo do SINAPI que é mais simplificada para calculo desse exemplo quando utiliza-se 15 MPa para o concreto e uma vez que, para o exemplo, não importa qual concreto utilizado), tem-se, para o serviço de CONCRETO FCK=15MPA (1:2,5:3) , INCLUIDO PREPARO MECANICO, LANCAMENTO E ADENSAMENTO (BRASÍLIA, PREÇOS DE FEV/2014) :

Concretagem de vertedouro em uma PCH (Morrinhos) (RS)

Concretagem de vertedouro em uma PCH (Morrinhos) (RS)

Composição SINAPI: CONCRETO FCK=15MPA (1:2,5:3) , INCLUIDO PREPARO MECANICO, LANCAMENTO E ADENSAMENTO (BRASILIA - PREÇOS DE FEV. 2014)

Composição SINAPI: CONCRETO FCK=15MPA (1:2,5:3) , INCLUIDO PREPARO MECANICO, LANCAMENTO E ADENSAMENTO (BRASILIA – PREÇOS DE FEV. 2014) Interessante notar que essa composição com seu preço direto da pesquisa do banco de dados SINAPI resulta em R$ 356,10, portanto, cerca de 1,7% maior de quando detalhada INSUMO a INSUMO. Porém, esse aspecto não é relevante para os cálculos

Portanto, para um metro cúbico de fornecimento de concreto 15 MPa com o custo de R$ 350,09, gasta-se quatro horas de pedreiro e nove horas de servente, ou treze horas (9 + 4 horas) de operários, com o custo de R$ 113,93.

Então, supondo nas obras da usina de Tucuruí com 8.000.000 de m3 de concreto (15 MPa), o custo desse serviço de fornecimento de concreto seria R$ 350,09/m3 x 8.000.000 m3 = R$ 2.800.700.129,18, conforme composição abaixo:

Composição SINAPI: CONCRETO FCK=15MPA (1:2,5:3) (BRASILIA -FEV. 2014) com 8.000.000m3

Composição SINAPI: CONCRETO FCK=15MPA (1:2,5:3) (BRASILIA -FEV. 2014) com 8.000.000m3

E dentro desse custo, seria gasto 13 horas/m3 x 8.000.000 m3 = 104.000.000 horas de operários. O custo dessas 104.000.00 de horas de operários seria R$ 113,93/m3 x 8.000.000 m3 = R$ 911.440.000,00.

Acontece que 104.000.000 de horas correspondem ao tempo líquido (Hlíquidol) gasto para a realização dos serviços. Isso, levando-se em conta que os coeficientes de produtividade do SINAPI, consideram a perda de produtividade por ineficiência. Na verdade, seria necessário que o SINAPI demonstrasse como ele calculou essa produtividade para se ter certeza do que foi ou não considerado. Porém, imagina-se que o SINAPI leve em conta se não todas, pelo menos algumas perdas de improdutividade devido às ineficiências.

O certo é que, a perda de produtividade por inatividade (“impeditividade”) não está considerada nesses coeficientes de produtividade do SINAPI. E para se estimar o tempo e custo que se incorrerão a execução dos serviços tem-se que calcular o tempo disponível (Hdisp) necessário para sua realização, o qual inclui o tempo gasto com as “impeditividades”.

Como mencionado anteriormente, o percentual a ser utilizado nesse exemplo para as perdas por “impeditividade” será de 30% a 60%, variando de 10 em 10%.

Assim, supondo uma perda de tempo devido às “impeditividades” de 30%, teria que se aumentar as horas do pedreiro e do servente em 30%, sendo seus custos unitários constantes (será deixado de lado os custos de equipamentos paralisados nesse exemplo), tornando a composição de custo com os valores conforme a tabela abaixo:

Composição SINAPI: CONCRETO FCK=15MPA (1:2,5:3) , INCLUIDO PREPARO MECANICO, LANCAMENTO E ADENSAMENTO (BRASILIA - PREÇOS DE FEV. 2014), COM IMPEDITIVIDADE DE 30%

Composição SINAPI: CONCRETO FCK=15MPA (1:2,5:3) , INCLUIDO PREPARO MECANICO, LANCAMENTO E ADENSAMENTO (BRASILIA – PREÇOS DE FEV. 2014), COM IMPEDITIVIDADE DE 30%

Vê-se que o tempo total dos serventes e pedreiros necessário para realização do serviço aumentou para 135.200.000 horas (aumento de 30%) e os custos de MÃO-DE-OBRA aumentaram a mesma proporção de 30%, uma vez que o custo unitário do HH não muda devido a esse acréscimo de tempo, passando de R$ 911.440.000,00 para R$ 1.184.872.000,00.

A tabela a seguir, resume os custos dos serviços com a consideração da “impeditividade” de 30% e compara com o valor total do serviço sem considerá-la, resultando em um custo a maior de R$ 273.432.000,00 quando se leva em conta o efeito das “impeditividades” (lembrando que foi ignorada qualquer acréscimo de custo dos equipamentos devido às horas acrescidas):

Tabela com descrição dos custos considerando impeditividade de 30% do serviço CONCRETO FCK=15MPA (1:2,5:3) , INCLUIDO PREPARO MECANICO, LANCAMENTO E ADENSAMENTO (BRASILIA - FEV. 2014)  comparando com os valores originais, sem impeditividade

Tabela com descrição dos custos considerando impeditividade de 30% do serviço CONCRETO FCK=15MPA (1:2,5:3) , INCLUIDO PREPARO MECANICO, LANCAMENTO E ADENSAMENTO (BRASILIA – FEV. 2014) comparando com os valores originais, sem impeditividade

Ou seja, caso se ignore os custos de impeditividade utilizando-se a composição dos custos do SINAPI nesse especifico serviço, pode-se ter um prejuízo de mais de duzentos milhões de reais em um valor total recebido de cerca de dois bilhões e oitocentos (valor dos serviços sem considerar “impeditividade”: R$ 2.800.700.129,18). O que representa um prejuízo de quase dez por cento de aumento (9,76%). E isso, considerando uma impeditividade menor das citadas por vários autores (que estão na casa dos 50%).

Fazendo-se os mesmos cálculos da consideração anterior de 30% de perda por “impeditividade”, para uma variação de percentual considerado para impeditividade de 40%, 50% e 60%, tem-se aos resultados das tabelas abaixo:

Tabelas com descrição dos custos considerando impeditividade de 40%, 50% e 60% do serviço CONCRETO FCK=15MPA (1:2,5:3) , INCLUIDO PREPARO MECANICO, LANCAMENTO E ADENSAMENTO (BRASILIA - FEV. 2014)  comparando com os valores originais, sem impeditividade

Tabelas com descrição dos custos considerando impeditividade de 40%, 50% e 60% do serviço CONCRETO FCK=15MPA (1:2,5:3) , INCLUIDO PREPARO MECANICO, LANCAMENTO E ADENSAMENTO (BRASILIA – FEV. 2014) comparando com os valores originais, sem impeditividade

Como se observa nas tabelas acima, a não consideração do efeito das “impeditividades” para os casos considerados de 40%, 50% e 60% levam a prejuízos de R$ 364.576.000,00, R$ 455.720.000,00 e R$ 546.864.000,00, assim como um aumento de custos de 13,02%, 16,27% e 19,53%, respectivamente.

Pode-se depreender a importância da consideração correta da improdutividade por inatividade da obra (“impeditividade”) para se ter uma maior precisão de estimativa, tanto das horas de trabalho necessárias para a realização do serviço, quanto de seus custos.

Conclusão

A importância do cálculo das improdutividades tanto por inatividades (“impeditividades”) quanto por ineficiência, inerentes a cada serviço de uma obra é bastante elevada.

Ainda que se leve em conta que nos coeficientes de produtividade utilizados nos referenciais padrões esteja já inserida a perda de improdutividade devido à ineficiência, é certo que outras perdas de produtividade, causadas devido as inatividades (“impeditividades”) não são levadas em consideração nesses referenciais.

E essas perdas se mostram muito variáveis e particulares a cada empresa e a cada obra. Por essa razão, é mesmo coerente que não se leve em conta nesses referenciais padrões essas perdas, e deixe-as para o estimador de custo quantifica-las, o qual tem maiores conhecimentos da especifica obra, bem como das empresas que poderão executá-la.

As variações de custo ao se considerar essas perdas de produtividade por inatividade podem representar percentual significativo dos custos da mesma ao se comparar por exemplo com o referencial SINAPI, o que também vai depender de cada serviço. O prejuízo para a construtora pode ser grande, caso ela se utilize da composição de custos do SINAPI sem as devidas adaptações.

Produtiv 109

Em um simples exemplo, foi visto que considerando apenas as perdas de HHs da mão-de-obra, ignorando quaisquer perdas devida aos equipamentos, os custos podem estar superiores ao orçado com base no SINAPI em cerca de 10% a 20%.

Assim, a composição de custos de cada serviço é fundamental para se estimar a correta influência do efeito “impeditividade” na estimativa de prazo e custo para o total de serviços da obra. E a consideração desse efeito é crucial para não se incorrer em prejuízo da empresa executante da obra.

 

“...Ministro (Guido Mantega) ter afirmado que estudava adiar a obrigatoriedade devido ao temor de os itens (airbag e freios ABS) impactarem a inflação — já que deverão encarecer os preços dos veículos.”  http://veja.abril.com.br/noticia/economia/mantega-volta-atras-sobre-freios-abs-e-airbags-mas-nao-sobre-ipi

“…Ministro (Guido Mantega) ter afirmado que estudava adiar a obrigatoriedade devido ao temor de os itens (airbag e freios ABS) impactarem a inflação — já que deverão encarecer os preços dos veículos.”
http://veja.abril.com.br/noticia/economia/mantega-volta-atras-sobre-freios-abs-e-airbags-mas-nao-sobre-ipi

É claro que as “impeditividades” são, na verdade, fatores úteis para o aumento da segurança e qualificação dos trabalhadores. E isso é positivo. Assim como o freio ABS e o AIRBAG do seu carro. Mas tanto essas “impeditividades” quanto esses acessórios de seu carro aumentam os custos. Se você os quer, terá que pagar por eles. Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui ao lado, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

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Luiz Cláudio Estima

Luiz Estima, Engenheiro Civil Estrutural pela UFRJ, Economista pela UERJ, Economista e Engenheiro Civil da Petrobras, MBA em Economia e Gestão em Energia na COPPEAD. Também é diretor da científica Revista Amélia. É apaixonado por ciência.

DEIXE O SEU COMENTÁRIO

  • Luiz Estima contextualiza bem o assunto das impeditividades. Agradeço-lhe a referência a meu trabalho.
    Um ponto que se discute é se as composições de custos unitários já não estariam embutindo essas improdutividades. Eu afirmo que não. Primeiro porque a coleta de dados se dá em obras médias e pequenas, não em canteiros cheios de restrição de segurança, qualidade, acesso, liberações de trabalho, etc. Segundo porque há impeditividades que são intrínsecas a um determinado contrato e precisa ser computado individualmente: a distância do refeitório às frentes de serviço, por exemplo, pode ser enorme.

  • Luiz Cláudio Estima

    Cara prof Aldo Dorea

    De fato as “impeditividades” não podem estar inclusas nas composições de custos unitários pois elas são por demais especificas de cada obra e contrato.

    Muito grato pelo seu comentário!
    Grande abraço!

  • Luiz Estima

    Interessante reportagem do Jornal Nacional sobre produtividade, ilustra esse ponto :
    http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2014/04/saiba-como-produtividade-no-trabalho-afeta-economia-de-um-pais.html

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