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Ferramentas para estimativa de custos e orçamento

Stonner 9 Comentários 22.12.13 6269 Vizualizações Imprimir Enviar

Business Report by ddpavumbaRecentemente, vimos aqui no Blogtek artigos sobre o processo Estimar Custos, segundo PMBoK Guide. Hoje veremos na prática, com alguns exercícios, como funcionam estas ferramentas de estimativa de custos, até agora apresentadas conceitualmente.

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Ferramentas de Estimativa de Custos: Orçamento Proporcional

Sunset And Building Horizontal by criminalattEste é o modelo mais simples de orçamento indexado (e evidentemente o mais impreciso). Supõe que os custos de um equipamento ou unidade de processo sejam proporcionais a um parâmetro relevante. Por exemplo, ao compararmos custos de caldeira, podemos considerar como parâmetro relevante a geração de vapor em ton/h. A fórmula é:

C1/C2 = P1/P2

Onde C1 e C2 são os custos dos dois equipamentos, e P1 e P2 são os valores destes parâmetros.

Então, por exemplo, se uma caldeira geradora de vapor, com capacidade de geração de 200 ton/h custou US$ 50 milhões, uma caldeira com capacidade de geração de 350 ton/n deverá custar:

C1/50= 350/200       C1 = 87,5

US$ 87,5 milhões

Ferramentas de Estimativa de Custos: Orçamento Indexado

Industrial Tank by danObserva-se de imediato um ponto vulnerável no método acima exposto. A valor do dinheiro não é constante, tem variação temporal.

Então, se a caldeira que temos como referência foi comprada em 2004,  neste ano o Índice de referência para produtos industrializados deste tipo, nos EUA, foi de 105,2, e atualmente (2013) está em 130, teremos que este custo deverá ser corrigido pela fórmula:

 C1/C2 = I1/I2

Onde C1 e C2 são os custos deste equipamentos nos anos 1 e 2,  e I1 e I2 são os valores dos índices relativos a estes anos. Portanto, corrigindo o preço do equipamento para 2013, teríamos:

C1/50= 130/105,2         C1 = 61,8

Então, a fórmula anterior teria que ser usada não com o valor defasado no tempo de 50 milhões, mas com o valor corrigido de:

C1/61,8= 350/200       C1 = 108,5

O valor agora obtido está um pouco mais correto, pois faz a correção temporal do custo, e faz a proporcionalidade do equipamento.

Mas, ainda outros aspectos a considerar. A variação dos diversos insumos de um produto (aço, mão de obra, combustíveis, etc.) não é igual ao longo do tempo, então temos que avaliar qual é o peso de cada insumo no produto, e aplicar as índices relativos a cada um destes insumos.

No custo de uma determinada instalação, 40% correspondem a mão de obra (M), 30% ao custo do aço (A), 20% ao custo de locação de equipamentos e máquinas (E) e 10% ao custo de Combustíveis e Energia (C). Em 2001, esta instalação custou R$ 8.500.000,00, quando M1 = 97,   A1 = 267,  E1 = 58 e C1 = 154. Qual o custo desta instalação em 2008, quando M2 = 178,   A2= 413,  E2 = 64 e C2 = 204?

Neste caso, teríamos:

fÓRMULA

Ferramentas de Estimativa de Custos: Curvas Custo-Capacidade

Suponhamos que para um determinado equipamento (neste caso,um trocador de calor tradiconal, casco e tubos)  se tenha o preço de aquisição, digamos que este equipamento foi comprado em 2004 por US$ 80.000. O equipamento do qual temos referência tinha uma área de troca térmica de 100 m².

Curva Custo-Capacidade

Estimativa de Custos: Curva Custo-Capacidade

Entrando com esta área (100 m²) no eixo das abcissas, encontramos um valor (em $/m²) de 250 $/m² (setas vermelhas).

Se quisermos agora estimar o custo de um permutador de mesmo tipo, mas com área de troca térmica de 1000 m², entrando com este valor no eixo das abcissas (setas azuis), encontraremos um valor aproximado de 140 $/m² (cuidado, pois a escala é logarítmica). O valor monetário por m² diminui, devido ao ganho de escala.

Então, o permutador usado como referência tem um custo referência:

250 $ / m² x 100 m² = 25.000 $ e o permutador cujo custo está sendo estimado tem um custo referência:

140 $ / m² x 1000 m² = 140.000 $

Como efetivamente, o custo do permutador usado como referência foi de US$ 80.000, teremos o custo do novo e maior permutador:

Custo/80.000 = 140.000/25.000   Logo, o Custo do novo permutador será: US$ 448.000

Na verdade, estes são dados de 2004, para trazê-los para 2013, temos que fazer a correção ao longo do tempo:

448.000 x (130/105,2) = 553.612       Custo: US$ 553.612

Ferramentas de estimativa de custos: Orçamento por correlação

Calculator by gubgibO uso das Curvas Custo-Capacidade tem sérias limitações. Primeiro, a imprecisão de valores, principalmente por tratar-se de escala logarítmica. Mas, principalmente, pela dificuldade em se encontrar estas curvas para diversos tipos de equipamento.

Estas curvas são construídas baseadas no fato de existe ganho de escala, ao se variar o porte do equipamento ou do projeto.

Ou seja, se para uma determinada Obra eu preciso de um Inspetor de Solda nível 2, dobrar o porte da Obra não significa necessariamente que eu precise agora de dois Inspetores de Solda nível 2. Da mesma forma, ao reduzir à metade o porte da Obra, não posso prescindir deste profissional, e não como alocar meio inspetor… (às vezes, sim, em termos de utilização do homem-hora do inspetor).

Então, Obras similares não são simplesmente proporcionais, há um expoente denominado fator de escala, que varia entre 0,3 e 0,9, sendo usual considera-lo igual a 0,6.

Orçamento correlação

 C1 , C2 : Custos das duas obras

T1 , T2 :Cargas de trabalhos envolvidas

Assim, se uma determinada obra de caldeiraria / tubulação com 50000 m x pol montados custou R$ 1.000.000,00, teríamos:

Obra de 25000 m x pol   à R$ 660.000,00 (para n= 0,6)

Obra de 100000 m x pol à R$1.520.000,00 (para n= 0,6)

Ferramentas de Estimativa de Custos: próximos tópicos

Brevemente veremos o orçamento Bottom-Up, a curva de aprendizado e o orçamento detalhado. Cadastre seu e-mail no topo do Blogtek, à direita, para ser notificado dos novos artigos. SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

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  • Alcides Guedes Pereira Neto

    Rodolfo, no meio de tantas variáveis e parâmetros incertos, vc não acha que, se formatássemos uma planilha de custos em Excel vinculada a um banco de dados eficiente, teríamos condições tanto de estimar como de atualizar periodicamente os custos de produção e comercialização de qualquer equipamento?
    Mesmo quando estamos falando em equipamentos unitários, precisamos elaborar sua planilha de custos, certo? Então, mesmo dando um trabalho danado, pode ser bem interessante montar esta planilha, tanto para efeito de registro confiável como para servir de modelo em orçamentos semelhantes.
    Não podemos esquecer que existem incertezas que abrangem outros tipos de parâmetros, como por exemplo mudanças nas normas de referência de um determinado produto. Nestes casos, uma simples mudança no NM (código do material, cadastrado no banco de dados) simplificaria a estrutura da planilha orçamentária e daria mais confiabilidade ao processo.
    Grato pela interessante postagem!

  • Tópico muito interessante. A elaboração de curvas custo-capacidade é importante, mas requer certa quantidade de pontos para geração da função.

  • Olá, Aldo, é fato. Por isso, ainda não existem estas curvas para o nosso mercado, pela falta de dados que permitem estabelecer uma base confiável…

  • Obrigado pelo interessante comentário, Alcides. De fato, o banco de dados permitiria estimativas mais rápidas e confiáveis. Vale no caso o mesmo comentário do Aldo Mattos, a respeito da quantidade de dados requeridos para podermos ter uma adequada base de dados.

  • Rossélio Frizon

    Ótimo Rodolfo, minha preocupação é em dados confiáveis, pois hoje realmente se trabalha com dados estimados em função de casos onde ocorreu uma ou outra aplicação. Muito boa a postagem!

  • Armando Machado

    Muito obrigrado, Stonner!
    Raciocínio simples e de fundamental importância seu conhecimento!
    Abçs,
    Armando Machado

  • Valeu, Armando. Este assunto terá continuidade!

  • alexandre lopes

    Stonner,
    Primeiramente queria dizer que já li e utilizo seu excelente livro “Ferramentas de Planejamento”. Descobri este site/blog que estou adorando para tirar várias duvidas de orçamento e planejamento.
    Tenho uma duvida para serviços de manutenção existe disponível os indices de Hh/Un ou Hh/Kg de equipamento a ser executado a manutenção por tipo de equipamento?
    Pois eu tenho alguns índices de Hh para montagem de alguns equipamentos industriais, mais não tenho para manutenção. Não tenho índices para estes equipamentos de industrias petroquímicas.

  • Olá, Alexandre, fico feliz em poder colaborar. Infelizmente, os indicadores que temos para o cenário brasileiro, principalmente para Manutenção, são muito esparsos. Cada indústria, cada orçamentista, tem seus índices, e falta uma forma de consolidar estes bancos de dados.

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