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Estrutura Analítica de Projeto (EAP)

Stonner 20 Comentários 11.08.13 11526 Vizualizações Imprimir Enviar

A Estrutura Analítica de Projeto é uma ferramenta essencial para o Gerenciamento de Projetos, posto que permite ao Gerente do Projeto uma visão completa, organizada e estruturada de todas as atividades que compõem o Projeto.

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Estrutura Analítica de Projeto – Conceito

O conceito de Estrutura Analítica de Projeto (em Inglês, Work Breakdown Structure – WBS) remonta ao tempo em que a Marinha Americana, durante o Projeto Polaris, criou a técnica denominada Program Evaluation Review Technique (PERT). O diagrama PERT, denominado também Diagrama ou Rede de Precedências, vincula e sequencia as atividades do Projeto. Porém, antes de criar a lógica sequencial das atividades, é necessário decompor o Projeto em unidades cada vez menores e mais detalhadas, para que posteriormente se possa estabelecer a rede de precedências. O menor nível da EAP é denominado Pacote de Trabalho.

A Estrutura Analítica de Projeto (EAP) consiste no desdobramento do Projeto em unidades menores, até chegar aos Pacotes de Trabalho, elementos discretos (discreto aqui entendido obviamente como o oposto de contínuo, ou seja, discreto significa pacotes enumeráveis), e mutuamente exclusivos,  o que significa que não deve haver elementos de escopo contidos em mais de um pacote de trabalho.

A Estrutura Analítica de Trabalho fornece o adequado arcabouço para a estimativa de custo de cada item, bem como possibilita a adequada construção do cronograma.

O detalhamento pode ser por Sistemas, Especialidades ou mesmo uma Divisão Geográfica (por áreas):

Estrutura Analítica de Projeto, por especialidade

Estrutura Analítica de Projeto, por especialidade

Estrutura Analítica de Projeto, por sistemas

Estrutura Analítica de Projeto, por sistemas

 

Estrutura Analítica de Projeto, por área

Estrutura Analítica de Projeto, por área

Estrutura Analítica de Projeto – Princípios Básicos

Regra dos 100%:

A Estrutura Analítica de Projeto deve conter 100% do trabalho. O que não está na EAP não deve ser feito, e tudo que está na EAP DEVE ser feito. A soma de todas Atividades-filha deve perfazer 100% da Atividade-mãe.

Elementos mutuamente exclusivos:

Não deve haver superposição de atividades. Um item do escopo NÃO pode estar simultaneamente em dois Pacotes de Trabalho.

Nível de detalhamento:

Um aspecto importante é quando se deve parar o detalhamento. Não há uma regra definida para isto, mas existem algumas diretrizes, ou, “rule of thumbs”:

  • Apenas um recurso deve ser responsável pela atividade (pode haver mais de um executante, porém apenas um responsável); por exemplo, ao analisar “Zona de Radiação do Forno”, esta atividade pode ser subdividida, pois haverá atividades sob a responsabilidade do Encarregado de Solda (tubos da radiação) e outras sob a responsabilidade do Encarregado de Refratários (paredes refratadas). Já “Soldar serpentina de processo” pode ser considerado um Pacote de Trabalho, uma vez que, ainda que sejam diversos soldadores, esta atividade está sob responsabilidade de uma única pessoa, o Encarregado de Solda.
  • Cada pacote de trabalho não deve exceder 80 Homens-Hora.
  • A duração de cada pacote de trabalho não deve exceder a periodicidade do acompanhamento. Ou seja, se o nosso acompanhamento é semanal, os pacotes de trabalho não devem exceder uma semana.  Em uma parada de manutenção, onde o acompanhamento é diário (por vezes até por turno) cada pacote de trabalho não deve exceder um dia.
  • Os pacotes de trabalho devem ser de porte suficiente a que se possa estimar duração, recurso e custos de forma adequada.
  • E, finalmente, a regra do bom senso: devemos avaliar quando não vale mais a pena subdividir o pacote.

Estrutura Analítica de Projeto – erros comuns

  • A Estrutura Analítica de Projeto NÃO é um cronograma, e nem os pacotes de trabalho estão dispostos em ordem cronológica
  • A Estrutura Analítica de Projeto NÃO é um Organograma. Haverá pessoas responsáveis pelos pacotes, mas a colocação destas pessoas não determina subordinação funcional.
  • Utilização inadequada de componentes na estrutura Analítica de Projeto. Por exemplo, Desenhos não são um pacote de trabalho, são os entregáveis de um pacote de trabalho. Elaborar os documentos de construção da convecção do forno é um pacote de trabalho. Iniciação, Controle, são fases do projeto, não são pacotes de trabalho. Suporte de TI não é um pacote de trabalho.

Estrutura Analítica de Projeto – formas de apresentação

A Estrutura Analítica de Projeto pode ser apresentada na forma de um diagrama, conforme ilustrado nos exemplos anteriores, ou pode ser colocada na forma de uma lista itemizada.

A apresentação conforme diagrama facilita o entendimento da hierarquia entre elementos da Estrutura Analítica de Projeto, mas pode ocupar muito espaço para desenhá-la, principalmente em grandes projetos.

A forma de lista itemizada é muito utilizada pois permite construir uma planilha em Excel, atribuindo valores ou percentuais aos pacotes de trabalho, fazendo o acúmulo em cada nível imediatamente superior, o que facilita o pagamento de Contratos por Preço Global, conforme realização de itens da EAP. Esta forma também é útil porque pode ser representada nos softwares de Gerenciamento de Projetos, tais como MS Project e Primavera.

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

DEIXE O SEU COMENTÁRIO

  • Luiz Carlos Ramos Cruz

    Muito bom – Compartilharei…

    Prof Stonner, possui uma capacidade de transformar temas complexos, com uma naturalidade surpreendente.
    Vamos a aula ?

  • Muito grato pelo gentil comentário, Luiz Carlos!!!

  • Muito bom. Seus artigos são bastante esclarecedores. Parabéns

  • Obrigado, caro Max!!!

  • Odair

    Muito bom, sempre pratico e objetivo.

  • José Augusto Alencar Santos

    Prof.Stonner, sou eng.mecânico e professor de Gestão de Projetos utilizando o MS-Project e Primavera, este conceitos são fundamentais para fortalecer o entendimento e conquistar o sucesso de um projeto, parabéns.

  • Obrigado, José Augusto, é estimulante um feedback positivo de um colega!

  • Caro Stonner,

    Parabéns pelo seu artigo, que circulei entre minha equipe.

    Gostei especialmente das sugestões para limite de detalhamento, como as 80 horas ou a conclusão dentro dos períodos de acompanhamento, que considerei muito práticas.

    Arno

  • Pedro de Toledo Carvalho

    Me parece o caso então de um facilitador pra engenharia reversa? Podería-mos aplicar os mesmos fundamentos para uma possível desconstrução e reestruturação para projetos futuros? Que interessante seria voltarmos a engenharia infantil do “LEGO” pra otimizarmos nosso know-how de implantação.

    Mais uma vez agradecido pelo insight proporcionado.

  • Obrigado pelo feedback e pela divulgação!!

  • É uma maneira de ver o “todo”, ou “as partes”, conforme a necessidade. A propósito, sou muito fã do LEGO…

  • Muito bem posto, linguagem clara e objetiva aos projetos que praticamos em nossas vidas profissionais.

  • Obrigado, Marcelo!!!

  • valnei

    estou gostando muito das abordagens, esse é um excelente trabalho e uma grande atitude no intuíto de real compartilhamento da informaç~so, parabéns, mestre Stonner

  • Obrigado, Valnei! É um prazer poder compartilhar!

  • Flávio Camargos

    Caro Rodolfo,

    Muito bom o seu artigo, para relembrar os conceitos da EAP, uma ferramenta tão importante no gerenciamento de projetos e que norteia o desenvolvimento de outras ferramentas, como o cronograma e a elaboração de documentos do projeto.

  • Olá, Flávio, a EAP é fundamental para o adequado acompanhamento do projeto!

  • Moschin, John

    Bom dia Caro Rodolfo, Amigos

    Muito interessante o artigo.

    Gostaria de acrescentar os seguintes comentários.
    Não confundir diagrama de rede (Diagrama de Precedência) fornecido pelo método do Caminho Crítico e com diagrama PERT, suportado por esta metodologia. Confunde-se as metodologias CPM com a metodologia PERT, que são suportadas por teorias matemáticas diferentes.

    Limite de 80 hs para o pacote de trabalho – Acrescentaria o limite de 20hs para cada tarefa ou 10% de desse limite de 80hs, para que se consiga monitoramento ágil.

    abs

    Moschin

  • Muito bem colocado, Moschin, a confusão é muito comum.

  • Pingback: 10 Boas práticas para cronogramas - parte 1 - blogtek.com.br()

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