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Estratégia do Desperdício e o ciclo de vida do produto

Stonner 6 Comentários 29.03.16 1403 Vizualizações Imprimir Enviar

Estratégia do desperdício e o ciclo de vida do produto:  há muito tempo temos a percepção generalizada de que o ciclo de vida dos produtos de consumo cotidiano está ficando cada vez mais curta. Há aspectos positivos nesta tendência, mas é necessário também conhecer os aspectos negativos e sombrios. Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui ao lado, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

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Estratégia do desperdício – ciclo de vida dos produtos

Estratégia do desperdício - a primeira câmera fotográfica

Estratégia do desperdício – a primeira câmera fotográfica

Em 1839, a máquina fotográfica tal como idealizada por Daguerre começou a ser produzida de forma comercial. No entanto, foi apenas a partir de 1888 que foi introduzido, ainda de forma rudimentar, o conceito de rolo de filme. No entanto, a câmera tinha que ser enviada ao laboratório para a retirada e revelação do filme. Com pequenas melhorias, este foi o modelo que foi utilizado em todo o mundo até o advento das câmeras digitais, em 1991. Ironicamente, a primeira câmera digital foi lançada pela Kodak, a qual, no entanto não se preparou para a revolução que viria (a maior parte de suas receitas vinha de filmes e papéis fotográficos), e sucumbiu ante a nova tecnologia.

Estratégia do desperdício - evolução da câmera fotográfica

Estratégia do desperdício – evolução da câmera fotográfica

As câmeras digitais se popularizaram enormemente, extinguindo o mercado das câmeras convencionais, porém, no início do século XXI, o telefone celular, que até então era apenas um meio de comunicação, transformou-se no smartphone e incorporou os recursos de fotografia digital: desta forma, ao tirar uma foto, podia-se de imediato postá-la em uma rede social! Com isto, as câmeras digitais sobrevivem  quase que exclusivamente para a fotografia profissional.

O GPS, com um ciclo de vida bem mais curto, também foi um “gadget” que deixou de ter vida própria e foi incorporado ao celular.

Estes são exemplos claros de produtos que tiveram seu ciclo de vida abreviado pelo surgimento de novas tecnologias.

Estratégia do desperdício – as obsolescências

Nos casos acima relatados, foi a tecnologia que definiu o encurtamento do ciclo de vida. É a chamada Obsolescência Funcional, quando um produto é substituído por um novo produto, com GANHO para o usuário. Esta obsolescência é até benéfica, posto que é mola do desenvolvimento tecnológico.

Vance Packard, jornalista e crítico social norte-americano, publicou em 1960 um livro intitulado “Estratégia do Desperdício” (The waste makers, em Inglês; o livro encontra-se esgotado, no link você acessa excelente resenha por Rafael Gatti). Neste livro, além da recém mencionada Obsolescência Funcional, são elencadas também a Obsolescência por Durabilidade, onde a vida útil dos produtos é deliberadamente reduzida, para acelerar a reposição do produto ou de seus componentes. Este tipo de obsolescência, conquanto estimule o mercado, é fonte de desperdício, tendo portanto características fortemente negativas.

Ledo engano pensar que a Obsolescência por Durabilidade é característica dos tempos atuais. A lâmpada elétrica, inventada por Thomas Alva Edison, tinha, em seu lançamento comercial uma vida útil de 1500 horas. Em 1924, a vida útil já era de 2500 horas. Com o conceito de Obsolescência por Durabilidade, já em 1940 as lâmpadas incandescentes tinham uma vida útil de 1000 horas (leia mais em Obsolescência Programada – arma estratégica do capitalismo).

Serge Latouche, estudioso francês, menciona no documentário “Obsolescência Programada”: “Vivemos numa sociedade em crescimento cuja lógica não é de crescer para satisfazer as necessidades, sim crescer por crescer. Crescer infinitamente com uma produção sem limites, e, para o justificar, o consumo deve crescer sem limites. Quem acredite num crescimento ilimitado é compatível com um planeta limitado ou é louco ou é ecomomista. O drama é que hoje somos todos economistas”.

Latouch afirma ainda que a necessidade de consumir é alimentada pelo trio: publicidade, crédito e obsolescência.

O outro tipo de Obsolescência identificado por Packard  é a Obsolescência por Desejabilidade, onde a moda é o fator indutor da redução da vida útil, na medida em que o consumidor é levado a substituir objetos de seu uso por outros de estilo mais recente, ainda que o anterior esteja em perfeito funcionamento.

Este tipo de obsolescência é muito observado na legião de fãs dos produtos da Apple, que se postam de madrugada a frente das lojas apenas para poder comprar o mais recente lançamento da Apple. Ou ainda, entre os fãs de videogames, cada vez comprando novos produtos em que a sensação do jogo seja cada vez mais emocionante e próxima do real.

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

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  • Josinaldo

    Stonner;

    Você agora enveredou por uma seara que interessa a todo cidadão, não só ao público ON e OFF SHORE. Parabéns diferenciado pelo caráter de extensão que o maravilhoso script oferece à sociedade cambaleante desta terra Brasílis tão adoecida… E DESCAPITALIZADA.

    Muita L U Z!

  • Muito obrigado, Josinaldo!!!

  • Raymundo Florêncio Pantoja Filho

    Prezado Eng. Stoner, bom dia !!!
    Parabenizo-o pelo excelente e importante artigo, que demonstra que ao longo dos séculos o ser humano é um bicho estranho que “compra o quê não precisa, com o dinheiro que não tem, para mostrar à quem não conhece”.
    As pessoas continuam comprando por impulso, sem verificar ou se preocupar com as suas METAS de vida e este seu artigo vem colocar um ponto de atenção para que não se descapitalizem no momento errado, com produtos que não ajudarão a cumprir as suas METAS e que possuem um ciclo de vida curto.
    Tenho observado que alguns fabricantes, para aumentar os seus lucros, estão reduzindo os volumes de seus produtos e mantendo ou até majorando o preço mas entendo que esta prática o está levando a aumentar a quantidade produzida, devido à redução no ciclo de vida de seus produtos nas prateleiras dos distribuidores.
    Alguns fabricantes modificam as suas embalagens para que o produto seja consumido mais rápido, aumentando o orifício que libera o produto.Os consumidores que não observam estes aspectos acabam tendo as suas finanças descontroladas e ss suas METAS comprometidas.

  • Muito bem observado, Pantoja… Mais que um comentário, é uma extensão do artigo!!! Obrigado!!!

  • Rafael Martinelli

    Rodolfo, acho excelente quando você traz esses exemplos de história da indústria através de bibliografia, fatos e cases para os tempos de hoje. Em tempos de revolução industrial 4.0 e revolução de mercados como Uber e Airbnb, é interessante saber que esses modelos já tem mais de 50 anos de estudos conceituais e práticos.

  • Grato pela contribuição, Rafael. De fato, interessante saber como há tempos isto é estudado!!

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