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Curva J (jota) – a odisseia dos prazos impossíveis

Stonner 19 Comentários 30.03.14 4353 Vizualizações Imprimir Enviar

A Curva J (jota): não, não se trata de nova ferramenta de controle de projetos, ou algo novo que tenha sido incorporado ao PMBoK Guide. Trata-se apenas de uma reflexão sobre os prazos com os quais nós, gerentes de projeto, temos que lidar.  Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui ao lado, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

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Curva J – não existe no início do Projeto!!!

Ao ser definido um novo projeto, e o respectivo Gerente do Projeto, este irá, em função do escopo e recursos disponíveis, estimar o prazo requerido. No melhor dos mundos, o prazo requerido para a execução do Projeto será compatível com o prazo demandado pela Organização. Quando os deuses estão de bom humor, pode até haver uma folga, a qual o Gerente de Projetos utilizará para nivelar recursos e obter menores custos, ou utilizará como margem de segurança para o Projeto.

De posse do Cronograma, carregado de recursos, ou seja, com todas as atividades com os respectivos recursos alocados, o Gerente de Projeto irá construir a Curva de Avanço do Projeto, também denominada Curva S, devido ao seu aspecto:  lenta evolução no início dos serviços, forte aceleração na etapa intermediária, e desaceleração e ritmo menos intenso na conclusão do Projeto.

Curva J - o início....

Curva J – o início….

A Curva S é extensamente utilizada como ferramenta de controle do Projeto, principalmente pela alta Administração, pois permite um “overview” do Projeto, sem necessidade de entrar nos detalhes.

Curva J – começam a escorregar os prazos…

A falta de recursos necessários, muitas vezes devido ao atraso de projetos concorrentes, a escassez de verbas, as dificuldades de formação de equipe, as incertezas e indefinições frequentes na fase inicial de projetos, começam a deslocar os prazos… no entanto, a alta administração não muda os prazos do Projeto como um todo, e a data de conclusão, o deadline do projeto continua o mesmo, e a Curva S começa a se deformar:

Curva J - começa o deslizamento...

Curva J – começa o deslizamento…

Os problemas continuam, as datas vão sendo adiadas (exceto a data final do Projeto…), e a curva, que tinha aspecto de um S, vai se deformando e não pode mais ser chamada de Curva S…a julgar pelo aspecto, diríamos tratar-se de uma Curva J!!!

Curva J - e o prazo continua o mesmo!!!!

Curva J – e o prazo continua o mesmo!!!!

Curva J – reflexões sobre prazos

Cabem aqui algumas reflexões para a alta administração das empresas, e os patrocinadores (sponsors) de Projetos:

Indefinições e Incertezas – ao início do Projeto, ao solicitar estimativa de Prazo, tenhamos o mínimo de indefinições e incertezas (de custo, escopo, recursos, verba…).  Estas indefinições são as maiores causas de atrasos não mitigáveis.

Não existe varinha de condão – se não conseguimos evoluir a uma determinada taxa no passado, há alguma razão para conseguir uma taxa melhor de evolução para o futuro? Ou acreditamos que subitamente, ao final do Projeto, como uma varinha de condão, vamos alcançar a completude do escopo no prazo com uma meteórica ascensão quase vertical?

Prazos não são necessariamente “compressíveis”–  se houvesse uma maneira de realizar o Projeto em prazo menor, e ainda com menores custos, creia-me, o Gerente de Projeto teria proposto este prazo e estes custos…ou pelo menos deveria!!!!

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

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  • Pingback: Curva J (jota) – a odisseia dos prazos impossíveis | Gerente de Projetos()

  • Odair

    Gostei, sempre bem explicito.

  • Marcio Cunha

    Caro Stonner,
    parabéns mais uma vez pela didática sempre simples e precisa.
    Acredito que uma das razões para convivermos constantemente com as ‘curvas J’ seja a falta de uma gestão de riscos mais intensificada. Quanto mais os riscos são mensurados, mais confiáveis se tornam os prazos, ou seja, mais informação, mais controle e menos magia…

  • FRANJO ROBERTO BAJZEK MULLER

    Nao seria também uma pressão política usada pelos clientes, no sentido de dizer que a obra ta sempre atrasada?Assim, vira-se noites, feriados no sentido de “recuperar atrasos’ que na analise tecnica sao menores..

  • Gilmar Fernandes

    Parabéns Sr Stonner como sempre com um assunto de suma importância para orientar a nos que dependemos muitas vezes de uma visão mais apurada “”Parabéns””

    Certamente este assunto deveria ter uma expressão maior em nosso meio pois as empresas pensam que somos mágicos e que ao longo do projeto acontecerá um milagre onde todos os problemas naturais serão solucionados em um único dia o que na verdade não acontece. O que existem são empresários que são verdadeiras lesmas na hora de tomar uma decisão que poderia ser essencial ao andamento do projeto

  • As pressões vem de todos os lados, Franjo. O importante é notar que frequentemente é cobrado do Gerente de Projeto que manter prazos, que são incompatíveis com a realidade.

  • É, exatamente, Gilmar, conseguir no final da Obra, apenas por “desejo”, que a Obra tenha um andamento que nunca teve anteriormente, é esperar por um “milagre”!!!

  • Leonardo Hector

    Adorei a curva J!!!!! Assim como seu texto.

    Reflete bem uma realidade que acredito você deve conhecer bem melhor que eu. Hahahah

    Abraços

  • Mosquim

    Caros amigos/as

    Se o cronograma chegar a uma curva “J” possivelmente não haverá milagre que o recupere, portanto, temos que trabalhar preventivamente.
    Defendemos a tese do não uso de ferramenta determinísticas (CPM) e sim, ferramenta probabilística para elaboração de cronogramas(Monte Carlo) e porque disso. Exatamente para tratar as incertezas a nível de tarefa e para que se evite no futuro uma curva “j”. Tivemos exemplos práticos de grande sucesso.
    O nosso comportamento diante de um cronograma determinístico é enxergar que o sucesso é o cumprimento do suposto prazo definido. Ocorre que normalmente nesse prazo são embutidas todas as gorduras e inseguranças possíveis e imagináveis.
    abs

  • Wendell Dias

    Muito bom, Stonner!! Parabéns!! Seu bom humor e criatividade são notáveis! Grande sacada….Curva J!!! Demais ;-))

  • Às vezes os problemas são melhor abordados com um pouco de bom humor!!! Valeu, Wendell!!!

  • Gerson Nakano

    Stonner.
    Deve ser horrível trabalhar em uma empresa em que a curva “S” se transforme numa curva “J”

  • KKKKKKK… valeu, Nakano!!!

  • Gerson Nakano

    Primeiramente, Deus te abençoe.
    Como dito não exite vara de condão e a curva “S” é o instrumento da alta gerencia para acompanhamento do projeto.
    Estamos apanhando de 7 a 1, o que fazer, reavaliar todo o projeto? Trocar o gerente de projeto? Parar o projeto?…..

  • Olá, Nakano, no caso do projeto temos que adequar algumas metas, principalmente de prazo, para evitar a curva J. Já no futebol, como não há terceiro tempo, e, se houvesse, naquele fatídico dia serviria apenas para nos naufragar mais…

  • Antonio Landi Borges

    Stonner

    Muito boa as explanações. A curva “J” tem-se apresentado com muita frequencia.

  • É fato, Antonio, a curva J tem sido demasiadamente frequente…

  • Richard Sanson

    Parabéns

  • Obrigado, Richard! Acho que todos nós temos exemplos pessoais de Curvas J nos projetos!

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