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Comparação Brasil-Japão: um Gerente de Projetos brasileiro no Japão

Stonner 15 Comentários 14.07.14 6210 Vizualizações Imprimir Enviar

Comparação Brasil-Japão. Um Gerente de Projetos brasileiro, no Japão: recentemente publicamos um artigo que ilustra as cinco (posteriormente aumentado para seis) dimensões culturais de Hofstede, que permitem conhecer as características de outros povos. O site geert-hofstede.com permite comparações entre países, e fizemos a comparação Brasil-Japão, para poder analisar a postura requerida de empresários e gerentes de projeto brasileiros no Japão. Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui ao lado, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

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A comparação Brasil-Japão: proximidades

Vemos a seguir o gráfico obtido a partir do site mencionado, comparando as seis dimensões culturais de Hofstede entre Brasil e Japão:

Comparação Brasil-Japão

Comparação Brasil-Japão

Onde há a maior convergência é na dimensão Individualismo, onde ambos tem um índice relativamente baixo. Isto caracteriza que o sentimento coletivo, de grupo, tende a prevalecer sobre o individualismo. Neste aspecto, não há cuidados especiais a serem tomados na convivência empresarial entre Brasileiros e Japoneses.

O indicador Poder/Distância também indica proximidade, acima da média. Esta dimensão reflete a hierarquização do poder, a centralização decisória. Normalmente, isto se reflete em grandes disparidades salariais entre níveis hierárquicos na Organização, o que não ocorre acentuadamente no Japão. Apesar do distanciamento hierárquico não se refletir muito nos salários, o Japão também é fortemente hierarquizado, o que indica que o empresário ou gerente de projeto brasileiro, ao fazer negócios com parceiros japoneses, deve buscar níveis hierárquicos elevados para poder evoluir, pois é no topo que se concentra o poder decisório.

Relativamente próximos também, porém no extremo mais elevado da escala, estão situados ambos no indicador Incertezas/Evitar (Uncertainty Avoidance), ou seja ambos, Brasileiros e Japoneses fogem das Incertezas. Ambos necessitam relatórios detalhados, informações precisas, e obedecem regras definidas (principalmente os Japoneses).

A comparação Brasil-Japão: diferenças

ID-100144304As diferenças começam a surgir na dimensão cultural Indulgência, onde o Brasil tem um indicador claramente superior ao do Japão. Esta dimensão reflete a busca pelo prazer e alegria, o que é claramente um traço brasileiro, que se contrapões à relativa sisudez nipônica.

A diferença se acentua na dimensão Masculinidade. Não tem nada a ver com “Macheza”, no sentido machista da palavra…Este indicador reflete a aderência à separação de valores definidos por sexo: funções predominantemente masculinas e femininas. Nas sociedades com alto grau de masculinidade, a função do Homem é ser o Provedor, ser o Forte, ser o Defensor, ser quem toma as decisões. Apesar de, como latinos, termos a fama de machistas, este atributo não se reflete necessariamente no machismo; este último tem frequentemente um viés pejorativo. Na sociedade Japonesa, há o respeito à figura feminina, porém com uma clara divisão de funções e atributos. Ainda é frequente vermos a esposa caminhar atrás do marido, servi-lo primeiro no almoço e janta (alguns pratos japoneses, principalmente sopas, são ingeridos muito quentes – e este hábito japonês é tido como responsável pelo fato de os homens japoneses terem índices de câncer de estômago muito mais altos que as mulheres – elas tomam a sopa a temperaturas mais baixas…). E aqui no Brasil não há esta distinção tão fortemente marcada…exemplo disto é a nossa Presidenta Dilma Roussef, e a presidente da Petrobras Graça Foster… no Japão é mais difícil encontrar mulheres em posições executivas tão altas.

Outro indicador em que Brasileiros e Japoneses estão em extremos opostos é o Pragmatismo (Orientação para o Longo Prazo). Esta dimensão reflete a importância da família como base da sociedade, o profundo respeito aos mais velhos, forte senso ético e enorme valorização da educação e treinamento. Estes traços são muito característicos das sociedades orientais (na realidade, foi a observação de comportamentos nos países asiáticos que levou Hofstede a incluir esta dimensão em seus estudos).

A comparação Brasil-Japão: cuidados a tomar

  • Não chegar atrasado – na verdade, deveria ser uma regra universal, mas se reveste de maiores cuidados no Japão.
  • Não cumprimente o sexo oposto com beijinhos no rosto – também deveria ser uma regra quase universal, mas devido às características orientais, isto irá deixá-los profundamente perturbados.
  • Tenha um enorme estoque de cartões de visitas – o hábito de troca de cartões de visita é quase um ritual. Segure o cartão com as duas mãos, ao oferecê-lo, e diga claramente seu nome e sua posição na empresa, ainda que evidentemente isto esteja no cartão. Ouça com atenção quando fizerem a recíproca. Usualmente, eles, enquanto nos recebem, tem a primazia em oferecer-lhe o cartão. Coloque-os à mesa, durante a reunião, e após, guarde-o cuidadosamente.
  • Japoneses cumprimentam com um leve sorriso e um cumprimento, se curvando – faça o mesmo, mas não exagere, nem no tempo nem na curvatura.
  • Não olhe fixamente nos olhos da pessoa com quem está conversando – não é proibido olhar nos olhos, mas desvie de vez em quando o olhar, para não constrangê-los.
  • Não diga “tim-tim”… não conheço a língua, mas já me disseram que é um termo chulo para a genitália masculina. Faça apenas o brinde, ou, diga “Kampai”
  • Não fale alto – não precisa sussurrar, mas converse em tom mais baixo do que o que utilizaria no Brasil.
  • Provavelmente, você irá conversar em Inglês – e o sotaque japonês ao falar Inglês é extremamente difícil para nós, brasileiros. Então, pratique aquilo que deveríamos fazer em todas as circunstâncias em que conversamos com estrangeiros… cerifique-se de que entendeu, repetindo resumidamente o que ele disse para você.

 

Breve publicaremos mais um artigo sobre as dimensões culturais de Hofstede, posturas a serem adotadas no trato com estrangeiros, e outros artigos sobre diferenças culturais existentes no ambiente de Projetos. Se você quiser ser notificado dos próximos artigos, cadastre seu e-mail aqui ao lado, em Assine o Blogtek! SEU E-MAIL NÃO SERÁ USADO POR TERCEIROS.

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Stonner

Rodolfo Stonner, Engenheiro Mecânico pela UFRJ, atuou como Engenheiro de Equipamentos Sênior da Petrobras, e foi Gerente de Construção e Montagem das Obras Extramuros da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. Atualmente aposentado, é consultor e instrutor nas áreas de Gerenciamento de Projetos e Gestão da Manutenção, e está atuando com a Deloitte na implantação do PMO para a Refinaria de Talara, Peru. Gosta de lecionar, trocar experiências e conhecimentos, é certificado como PMP (Project Management Professional) e RMP (Risk Management Professional) pelo PMI, e CRE (Certified Reliability Engineer) pela ASQ.

DEIXE O SEU COMENTÁRIO

  • Legal este post.
    Estou passando por esta experiência no momento. Acompanho um projeto no Japão.
    Uma coisa que sinto muita a diferença é a questão das práticas utilizadas no Planejamento. O importante para ele é utilizar coisas simples mas funcionais, então esqueçam cronograma em Project ou Primavera bem elaborados ou PMBOK. Utilizam planilhas bem resumidas em Excel mesmo e a experiência prática para fazer o projeto andar.

    Esqueçam as várias divisões de funções que temos (soldador, esmerilhador, cladeireiro,ajudante…) aqui um cara já faz tudo, então não se vê aquela pratica que se vê no Brasil onde fica um trabalhando e 10 ao redor.

    Esqueçam cobranças, para eles é constrangedor,cada um já sabe o que fazer… e fazem. não precisa ficar cobrando. Tem disciplina.Não enrolam.

    Bom, estes são alguns pontos que vejo muito aqui

  • FRANCISCO EVANGELISTA CONCEIÇÃO

    INFORMAR COMPORTAMENTO POLITICO E SOCIAL DO JAPÃO

  • dilma

    Olá professor
    Para lá de oportuno este post abordando as diferenças e semelhanças entre estas culturas.
    Tenho também uma experiência com colegas japoneses onde aprendi bastante o valor atribuído ao planejamento objetivo e ao conhecimento adquirido.
    Em épocas colaborativas e “extra” fronteiras nada mais adequado do que estar atento a determinadas características pessoais de cada grupo.
    Abs e obrigada

  • Comentários sempre muito bem colocados, Dilma! Estava sentindo falta de seus comentários!

  • Rogério Luiz Fernandes de Oliveira

    Lí com bastante atenção a comparação Brasil-Japão: cuidados a tomar. E a comparação Brasil-Japão: proximidades. Sou um Gerente de Projetos/Contratos e mesmo não estando previsto trabalhar no Japão, trabalhamos aqui no Brasil com diversas empresas nipônicas e essa matéria alerta dos cuidados que devemos tomar, principalmente quanto as cobranças exageradas em nosso dia a dia, que é uma cultura bem nossa dos brasileiros, e que devemos administrar melhor frente aos nossos irmãos japoneses. Parabéns e obrigado.

  • Francisco,o Japão é uma Monarquia constitucional, com regime parlamentar. Se você quiser mais informações detalhadas sobre o Japão, ou qualquer outro país do mundo, você pode acessar o The World Factbook. É um site da CIA (agência de informações norte-americana), mas as informações deste site estão disponíveis para o público em geral. Apresenta estatísticas, comparações e informações sobre todos os países do mundo.

  • Obrigado, Rogério! Seja bem vindo ao Blogtek!

  • Obrigado pelo comentário, Takeo, agregando mais informações!

  • Roberto Taveiros Darski

    Caro.
    Há muitos anos atrás li um livro intitulado Artes Gerencias Japonesas (Pascale – (Stanford) e Athos – (Harvard), que faz uma comparação entre grandes corporações Ocidentais e Japonesas. Sempre achei que somente a introdução do livro já tinha uma mensagem suficiente que dizia “O Homem não é limitado pelas suas ferramentas e sim pela sua visão”. É o que temos aqui. Mais uma contribuição com visão.
    Puxando um gancho, esta comparação, colocação das características e abordagens, pode ajudar muito na comunicação e relacionamento entre empresas no próprio Brasil. Uma empresa possui uma alma, e temos empresas multinacionais, que trabalhei, onde verifiquei ter características diferentes dos lugares de origem. Também quando nos relacionamos com vários fornecedores, empresas públicas (Justiça, Tecnologia, Planejamento, Fazenda, Administração etc.) e empresas privadas nacionais e estrangeiras, e podendo se detectar estas e talvez outras características, reservadas as devidas proporções, tais abordagens podem ajudar bastante na comunicação e relacionamento para os projetos.
    Um forte abraço.
    Roberto.

  • Hugo Karam

    Compartilho com posicionamento de Takeo Chikushi, quando os instrumentos e ferramentas de auxílio ao sistema de controle da organização não deveriam ser dogmas suficientes para garantir a fabricação ou a construção, seja um produto ou serviço.
    Trabalhei com duas missões de engenheiros e técnicos japoneses na área de serviços de engenharia, uma da Mitsubishi Electric e outra da Fuji Electric na montagem das plantas de Sinterização e Pátio de Minério da CSN, onde tive a oportunidade de compartilhar conhecimentos e experiências de gestão administrativa e técnicas de engenharia de projeto, montagem e manutenção em plantas industriais. A principal característica é formação da equipe, onde seu líder e os profissionais especializados estão comprometidos no desenvolvimento e execução das atividades da obra e/ou de manutenção, desde a fase de projeto e fabricação dos equipamentos elétricos no Japão até a “performance test” em campo, dentro uma atitude profissional e de uma metodologia de trabalho de confiança mútua, bem como, outros fatores impecáveis de relacionamento humano, que permeiam a busca de resultados, tanto na qualidade da documentação técnica, quanto do gerenciamento do sucesso do empreendimento.
    Destaco, também, o físico e empresário Akio Morita, o pioneiro na produção de aparelhos eletrônicos de pequenas dimensões do fabricante SONY, marca de rádios, toca fitas portáteis e walkman, que encarnou na trajetória da empresa a história da transformação do Japão numa potência industrial, associado uma visão e método empresarial baseado numa heresia da época, onde tirou executivos de escritórios para ficarem próximos de engenheiros e técnicos, verdadeiros responsáveis por lançamento produtos de sucesso da SONY.
    Não tenho nenhum “complexo de vira-latas” (segundo Nelson Rodrigues, é a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo), assim como engenheiros da PETROBRAS de hoje são reconhecidos mundialmente como profissionais de alta competência no processo de exploração de petróleo em águas profundas, como assim foi a construção da maior siderúrgica do país, a CSN, pelos engenheiros na alavancagem do parque industrial nacional.
    O que falta ao nosso país é uma visão de projeto de desenvolvimento de nação e não de governo, onde os engenheiros e técnicos sejam verdadeiros protagonista da transformação não só de segmentos mas também de toda sociedade brasileira, se utilizando da dimensão cultural da indulgência como fator diferencial de competitividade e produtividade.
    Como primeiro passo será a escolha de parlamentares e governantes nessa eleição de 2014 que estejam comprometidos com profissionais de engenharia e os empresários brasileiros sejam na sua maioria patriotas, como Akio Morita foi para desenvolvimento da potência industrial do Japão.

  • Mais do que um comentário, esta é excelente contribuição! Obrigado, Karam!

  • PAULO EMILIO NASCIMENTO

    Tive uma experiência muito interessante com um japonês que trabalhava numa fabrica de motocicletas, em Manaus. Ele tentava falar português, mas como era um neófito, geralmente não era entendido e fazia uma cara de pavor. Eles levam tudo muito a sério, mas ao final concordamos que deveríamos usar a língua inglesa e tudo foi mais fácil. Nosso interlocutor ainda deve estar por lá até hoje.

  • Olá, Paulo Emílio…mesmo em Inglês, não deve ter sido muito fácil, pois o sotaque nipônico no Inglês é muito forte…rsrsrsrsrs

  • Manuel Charles Araujo

    A ultima experiência que tive com os japoneses, na VSB, onde estava dando consultoria de planejamento, realmente eles não davam importância ao planejamento feito no MS-Project.

  • Fabíola Oliveira

    Boa noite, sobre o indicador Indulgência fiquei na dúvida, ele fala que se refere ao prazer e alegria, mas ao buscar por sinônimos dessa palavra aparecem coisas dava haver com as citadas acima.

    Indulgência é sinônimo de: perdão, tolerância, bondade, clemência, misericórdia

    Pode me esclarecer por favor?

    Obrigada

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